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Colunas — Casamento e família

Ame e seja (in)feliz!

Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

 

Muito se discute na sociedade contemporânea sobre qual seria a base para o desenvolvimento de um relacionamento afetivo. A maior parte dos debatedores afirma que deve ser o amor, embora outros já estejam focando na satisfação sensorial (fisiológica orgástica). E há ainda aqueles que defendem que a transitoriedade é o elemento que deve marcar as relações interpessoais de hoje.

 

Essa última posição é defendida pela psicanalista Regina Navarro Lins,1 que afirma que “daqui a um tempo menos pessoas vão querer se fechar numa relação a dois e vai haver mais relações múltiplas”. Para a autora, ao longo da história da humanidade a forma de as pessoas se relacionarem mudou e vai continuar mudando, e “hoje existe uma busca por realizações pessoais; a grande viagem é para dentro de si mesmo. O amor romântico deixa de ser atraente porque ele propõe o oposto disso: a fusão dos amantes”.

 

A sociedade do capital afirma cada vez mais o individualismo e a busca egoica da satisfação individual por meio do consumo, pois esta é a mola propulsora da economia. Nessa estrutura social o “relacional” passa a ter uma conotação negativa (fusão) e o que vale é que cada um se basta, enquanto o outro é objeto.

 

Entretanto, ao lermos de modo cuidadoso a Bíblia, verificamos que já na Antiguidade o amor que a autora denomina, de forma equivocada, de “romântico” se manifestava em textos datados de milênios antes do surgimento do Romantismo2 – como o apaixonado amor de Jacó por Raquel.

 

Assim, o amor “romântico” não é fusão. Com efeito, preferimos o termo “ternura” em vez de romântico, pois na proposta da ternura existe o movimento em direção ao outro e a percepção do outro como “sujeito”, e não como objeto de minha satisfação sensorial transitória. Na relação de ternura, o elemento que nos vincula é o compromisso resultante de uma reflexão madura, e não o prazer resultante da busca imatura.

Na proposta de real vínculo, não há essa coisa de “amar dois ao mesmo tempo”, conforme cita Lins, mesmo porque o “amor” (termo absolutamente indefinido) é uma construção que perpassa o diálogo permanente na construção da intimidade. Ora, se esta construção já é difícil com um, imagine com vários. Logo, o que a autora chama de amor, chamamos do oposto disso.

 

Ressaltamos que o que entendemos por “amor” também não é o mero romantismo – muitas vezes hipervalorizado nos encontros de casais de nossas igrejas – que apela para a emotividade vazia, promessas impulsivas e adornos externos (flores, doces etc.), e que se acaba na rotina diária uma semana depois.

 

O sentido último do “amor” é doação, entrega, morte. Só conhecemos realmente o amor quando nos dispomos a abrir mão daquilo que nos é mais precioso (o tempo de relax, o futebol, as redes sociais etc.) para atender à necessidade do outro – isso é sempre uma pequena morte (1Jo 3.16). Uma contínua busca do reino do nosso!

 

A construção do “nosso” passa pela ação criativa constante – a busca do “sensorial” é mais fácil; esta, sim, se consegue com múltiplos relacionamentos simultâneos.

 

Nota

1. LINS, Regina Navarro. O livro do amor. v. 1-2. Rio de Janeiro: Best Seller, 2012- 2013.

2. Movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século 18 na Europa, caracterizado exatamente por designar uma visão de mundo centrada no indivíduo.

 

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. Acompanhe o blog:

ultimato.com.br/sites/casamentoefamilia/

 

 

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