Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

A menina sem nome e a graça de Deus

Valdir Steuernagel

 

É impressionante olhar para as histórias bíblicas em que as crianças têm um papel protagonista. Elas surpreendem e nos desmontam. Surpreendem porque abrem novos horizontes e possibilidades; e nos desmontam ao evidenciar a pobreza e a limitação do nosso jeito de ver as coisas. Elas expõem a nossa lógica egocêntrica e revelam a nossa impotência diante dos desafios da vida cotidiana.

 

Como vimos na edição anterior, Naamã era um comandante do exército sírio, assaltado por uma doença que apontava para um futuro de abandono e morte. Ele estava com lepra (2Rs 5). No relato vemos o poderoso comandante dar ouvidos a uma menina que fora trazida cativa de uma incursão contra Israel e acabara escrava em sua casa. A garota o aconselha a buscar o profeta de sua terra e de seu Deus, pois este “o curaria da lepra” (v. 3). Naamã, de modo surpreendente, ouve a menina e empreende uma difícil e humilhante viagem a Israel; e retorna de lá com a pele limpa “como a de uma criança” (v. 14). Voltamos a esta história porque ela revela muito não apenas sobre a possibilidade que nasce de um encontro com Deus, mas também acerca da nossa limitada lógica. Afinal, escutar a menina e encontrar-se com o seu Deus pode não ser tão fácil assim.

 

“Eu estava certo de que ele sairia para receber-me.”

O comandante sírio não tem diante de si um caminho fácil. Ele está acostumado a vencer, ser reverenciado e ver suas ordens cumpridas. De um momento para outro o seu mundo ruiu. A lepra está tomando conta do seu corpo e ele se vê obrigado a acatar, por puro desespero, o conselho de uma menina escrava. E quando parte em busca da anunciada cura, o profeta que deveria encontrar nem se digna a recebê-lo, dando-lhe, por meio de um mensageiro, uma ridícula ordem: “Vá e lave-se sete vezes no rio Jordão”. Diante da palavra terceirizada do profeta, Naamã explode: “Eu estava certo de que ele sairia para receber-me, invocaria em pé o nome do Senhor, o seu Deus, moveria a mão sobre o lugar afetado e me curaria da lepra. Não são os rios em Damasco melhores do que todas as águas de Israel? Será que não poderia lavar-me neles e ser purificado?”. E foi embora dali furioso (v. 11-12).

 

 

 

Aviltado, o comandante é vítima da sua lógica e nesta o profeta e a própria ação de Deus teriam de caber. Nessa lógica, o poder pensa que pode tudo e tem de ser servido. E quando não é correspondido, a ira se acende e o outro se torna inimigo. A lógica do poder alimenta a si mesma e os que se movem dentro dela, como numa bolha de preservação sua e dos seus. Porém, este “poder” não tem recursos para lidar com a lepra de Naamã. Aliás, ela não sabe o que fazer com a vulnerabilidade, a fraqueza e a inevitabilidade da morte. Assim, furioso e indignado, ele ameaça bater em retirada. Porém, a lepra irá com ele, pois ela não responde à sua expectativa, indignação e voz de comando. Na verdade, ela é que logo passará a comandar, levando o poderoso e indignado comandante à exclusão e à morte.

 

 

A lógica do poder é cega e surda. Ela vê e escuta apenas a si mesma. Baseado nela Naamã teria ido embora com o seu enorme séquito e seus ricos presentes, não fosse um outro corajoso grupo de pessoas tentando fazê-lo escutar uma outra voz. Esta provém, não do palácio nem do manual do exército, mas dos servos, e traz à tona uma realidade pragmática e simples: “Ouça o profeta! A sua palavra é simples. Cumpra-a!”. Assim aconselham os seus servos, ainda que lhes falte a coragem de dizer: “Por favor, Naamã! Ouça alguém uma vez na vida!”.

 

 

E Naamã escuta os seus servos, assim como escutou a menina. O círculo da sua lógica foi rompido e ele vai ao encontro da cura. A esperança está em ouvir uma voz que rompe esta lógica e se dispõe, não só a escutar o outro, mas também a humilhar-se e deixar que o inesperado aponte para caminhos de cura e restauração. Deus nunca se submete à nossa lógica; quer, sim, levar-nos a sair dela, pois só assim podemos nos encontrar com ele e experimentar a transformação. Naamã torna-se testemunha disso e volta para dizer ao profeta: “Agora sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel. Por favor, aceita um presente do teu servo” (v. 15).

 

 

Curado e transformado, a Naamã ainda resta uma surpresa: o encontro com a graça de Deus. Uma graça que ele nunca havia conhecido e um Deus que ele nunca mais deixaria de querer adorar. O encontro de despedida vem descortinar e afirmar exatamente isso. Ainda viciado em sua velha lógica, Naamã quer ofertar ao profeta os ricos presentes trazidos para a ocasião. Nada mais lógico: pagar pelo que recebeu e mostrar sua gratidão a quem lhe proporcionou tal experiência. Entretanto, o profeta permanece firme e radical: não aceita nenhum dos presentes e despede o homem com um simples “Vá em paz” (v. 19). Naamã precisa saber que a Deus não se pode comprar e que com ele não se barganha. E precisa descobrir que Deus se movimenta pela lógica da graça. Essa graça surpreendente que vem por caminhos inimagináveis – a menina e os servos – e produz uma transformação de vida impagável. No Novo Testamento isto é expresso de uma forma bem clara: Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito” (1Pe 1.18-19).

 

Ao voltar para casa o comandante é uma nova pessoa. Valeu a pena escutar a menina! Já, para ela, valeu a pena encher-se de coragem para mostrar a Naamã e a toda a corte o caminho para o Deus que nos deixa “renovados como crianças”. Esta é a surpresa do encontro com Deus!

 

 

Obrigado, Menina Sem Nome!

 

 

Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.