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Colunas — Ponto Final

A destruição do mal

Rubem Amorese
 

Muitos dos que leem o meu livro Meta-História argumentam que não apresento uma solução satisfatória para a origem do mal. Parece que este assunto suscita grande curiosidade. Abordo o livro de Jó, onde se registra o desafio do Diabo a respeito da legitimidade da piedade daquele homem – e de qualquer pessoa: “Acaso debalde teme Jó a Deus?”.

De fato, esclareço que adoto uma antiga teoria. Falo da existência do mal como “necessária” à existência do bem; mas somente o bem teria sido criado. Imagino, a certa altura, Satanás dizendo ao Criador: “Sabias que, como criatura, eu jamais poderia me igualar a ti em pureza e santidade, e ainda assim me criaste. E agora, ao falhar em corresponder às tuas expectativas, queres me condenar”.

Nesse momento, a conversa se torna audível, e o que se registra é: “Viste o meu servo Jó?”, como que a dizer: “Eis aí alguém que não apresenta as tuas desculpas. Sabe que ele te julgará a ti”. Séculos mais tarde, algo parecido se dirá a respeito de Jesus: “Eis o meu filho amado, em quem me deleito”. Ou, numa paráfrase minha: “Viste o meu servo Jesus? Eis aí aquele que te esmagará a cabeça”.

O meu interlocutor, entretanto, com razão, não se satisfaz:

– Mas, se Deus é o criador de todas as coisas, de onde vem essa peçonha que transformou um anjo de luz em diabo? 

E meu desejo é acionar o dispositivo de segurança encontrado em Deuteronômio 29.29: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus”.

Ao ler o livro Surpreendido pelas Escrituras, de N. T. Wright (Ultimato, 2015), vejo-o abordar nosso tema por outro ângulo. Ele não se preocupa com a origem do mal, mas em desmascará-lo e em apontar o modo de vencê-lo. Eu gostaria de fazer meu o argumento que me impressionou.

Se não sabemos como se originou o mal, podemos, entretanto, apontar onde ele apareceu pela primeira vez. Apareceu em um coração. Daí em diante, de coração em coração, seduziu e contaminou todos os homens. Por esta razão, sabemos onde encontrá-lo, identificá-lo e combatê-lo: nos corações dos homens.

Não seria por isso que o sábio nos diz que, “sobre tudo o que se deve guardar, devemos guardar o coração, porque é dele que procedem as fontes da vida” (Pv 4.23)? Não seria por isso que o convite do Pai, ao longo dos séculos, assume a forma de “dá-me, filho meu, o teu coração” (Pv 23.26)?

Diante disso, percebemos que Jó se nos afigura como um tipo de Cristo. Mais que isso, percebemos que todos somos “Jós” – o que nos permite deixar de procurar o mal no mundo, para encontrá-lo em nosso próprio coração, a revelar-se em nossos atos.

Ocorre que a luta contra o mal nos parece uma guerra perdida. Porque “ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim” (Rm 7.21). É como se Deus não pudesse nos exibir para o Diabo: “Viste o meu servo fulano?”.

Desse pensamento decorre que Deus planeja destruir o mal em sua própria habitação. Sim, é nessa porta que Cristo bate. E o coração que o receber ceará com aquele que venceu o mal; que não permitiu que ele contaminasse o seu coração. Agora, com a ajuda do Espírito Santo que nos enviou, somos capacitados a vencê-lo. Sabendo que ele não terá domínio sobre nós, porque quem morreu está livre de seu poder maléfico. Ora, se morremos com Cristo, com ele também viveremos (Rm 6.3-10).

Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista por vinte anos e também consultor legislativo no Senado Federal. É autor de, entre outros, Fábrica de Missionários e Ponto Final. Acompanhe seu blog pessoal.

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