Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

A menina sem nome

Valdir Steuernagel

 


A menina aprendeu o que era saudade da pior forma possível. Aprendeu chorando às escondidas nas longas noites insones. Aprendeu em meio a uma situação que exigia dela um sorriso disfarçado de “tudo bem” quando estava paralisada pelo medo. Aprendeu tendo de se movimentar numa enorme mansão, em meio a pratos finos que precisavam ser bem servidos, usando roupas que lhe caíam estranhas e manuseando estranhos produtos de beleza. A coisa era, na verdade, bem mais complicada, pois ela não passava de um joguete insignificante naquela mansão com tantas outras meninas. Ela era, simplesmente, uma menina sem nome.

  

 

É difícil entender toda essa história, em que o jogo de poder e a força militar querem determinar o destino de pessoas, cidades e povos. O rei de Israel e o rei da Síria, mobilizando seus exércitos, sábios e profetas, viviam às turras, como se vê nos livros de 1 e 2 Reis.

 

 

 

 

Assim foi ontem e ainda hoje é assim. Forças políticas, militares e econômicas movem-se para lá e para cá ora querendo acumular poder, ora em busca de sobrevivência, mas sempre causando muitas vítimas. Foi num desses movimentos militares, quando a Síria atacou Israel (2Rs 5), que a menina sem nome foi levada cativa e virou escrava na casa de Naamã, o comandante do exército sírio.

 

 

 

 

A menina sem nome nem sabe discernir direito o que está acontecendo. O que ela tem é saudade de casa, da família, das amigas. E um medo pavoroso em meio aos corredores, vozes e cheiros daquele lugar. Num esforço para sobreviver, ela decide fazer movimentos básicos de adaptação: aprender as coisas básicas da língua, da cozinha, do vestuário e do relacionamento. Até fez amizades com algumas meninas e a patroa parece gostar dela.

 

 

 

 

E quando o comandante fica doente?

O poder tem a sua lógica. Nela, sempre se quer ganhar, conquistar e acumular mais. Porém, a realidade da vida insiste em atrapalhar essa lógica e acaba pregando peças às quais nos achávamos imunes.

 

 

 

 

Certo dia, o comandante notou manchas em suas mãos. --“Não deve ser nada” -- murmurou, apressado e já atrasado para a reunião do gabinete militar que deveria dirigir. Dias depois, no entanto, percebeu que as manchas haviam aumentado. E, quando a esposa lhe disse que havia manchas em suas costas, o frio na barriga atestou que a coisa era séria. O médico deu o terrível diagnóstico: lepra. O mundo do comandante ruiu. Agora ele passaria a ser Naamã, o leproso. O impuro que deveria isolar-se da sociedade, em lenta espera da morte. Para essa lógica ele não estava preparado. Com essa lógica ele não sabia lidar. O pavor tomou conta dele, da esposa e da mansão, que foi tomada de assalto pelo silêncio da impotência e do medo. O comandante estava desarmado.

 

 

 

 

Assim aconteceu com Naamã e assim acontece com tantos outros “comandantes” em nossos dias. Mais cedo ou mais tarde “as manchas” aparecem e solapam as nossas lógicas.

 

 

 

 

Um dia a menina disse...

Pois não é que a menina sem nome se enche de coragem? Está certo que ela já sabia se movimentar pelos corredores da mansão e havia aprendido a pentear as madeixas da patroa e a servir-lhe o prato que mais apreciava. Contudo, erguer a cabeça e arriscar articular as palavras a partir de uma outra lógica era, sem sombra de dúvida, um ato de enorme coragem. Uma coragem que só nasce da “misericórdia” e da “certeza”.

 

 

 

 

Assim como os outros, ela estava vivendo o silêncio pesado que reinava na mansão. Percebera que a patroa passava muito tempo em seus aposentos e com os olhos inchados e o palácio inteiro estava tomado por um murmúrio indisfarçável: “O comandante está com lepra!”. E todos procuravam afastar-se dele e de qualquer coisa que ele tocasse.

A menina sem nome se encheu de misericórdia. A misericórdia de quem sabe o que é a perda e a dor. Foi a misericórdia que lhe deu coragem para falar com a patroa. O relato de 2 Reis 5 é simples e claro.

 

 

 

 

Um dia ela disse à sua senhora: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra” (v. 3).

 

A misericórdia ajudou-a a decidir caminhar em direção à patroa e dirigir-lhe a palavra. Uma palavra de identificação com o sofrimento do outro. Quase se poderia dizer que foi um gesto de amor. Um amor impossível, mas, ainda assim, um surpreendente amor. Misericórdia, porém, vai melhor quando acompanhada de certeza. A certeza de ter algo a dizer. Uma palavra que aponte caminhos de esperança. Uma palavra que indique cura e restauração. Uma palavra que indique um futuro sem manchas e livre da pecha de “intocável”, “leproso”.

 

A palavra de esperança nasce nos lábios da menina sem nome e a patroa a escuta. E um reboliço toma conta da mansão e da própria geografia política a envolver Síria e Israel. Hoje, porém, ressaltamos que a certeza da menina sem nome chama-se Deus. O Deus de seus pais, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus do profeta Eliseu, a quem ela envia Naamã – que, em vez de “o leproso”, passará a ser “o comandante com pele de criança” (2Rs 5.14). O Deus que a menina não esqueceu e que a sustentou. O Deus dela passa a ser o Deus de Naamã. A menina sem nome passa a ser a pequena missionária que levou o comandante a declarar: “Agora sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel” (2Rs 5.15).

 

 

 

 

Essa relação entre Deus e as crianças é fascinante. Elas obedecem à lógica do mistério e nela os adultos serão sempre aprendizes. É uma lógica missionária que torna Deus conhecido e adorado e faz do “intocável” o “comandante de pele de criança”. Como diz o salmista: “Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza” (Sl 8.2).

 

Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

 

LEIA MAIS

A criança na missão de Deus

 

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.