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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

Uma conversa memorável

Valdir Steuernagel

 

 

O Senhor voltou a chamá-lo como nas outras vezes: “Samuel, Samuel!”. Samuel disse: “Fala, pois o teu servo está ouvindo” (1Sm 3.10).

“O tempo passou tão rápido!” – pensa o velho Samuel, coçando a barba branca. E o filme passa diante dos seus olhos, estacionando na sua tenra adolescência e naquela noite inesquecível. Nada foi tão marcante nem tão duradouro como aquela experiência. As lembranças brotam em palavras murmuradas que aos outros pareceriam desconexas, mas para ele fazem todo sentido. E ele vai recordando.

 

Percorri esta terra de cima a baixo”, vezes sem conta, tentando dar alguma integração a um povo que parecia absurdamente solto. Encontrei gente de todo tipo. Alguns, generosos, levavam-me para casa e serviam-me do bom e do melhor. Já outros...”

 

Joguei diferentes papéis”. Fui crescendo e conquistando uma liderança natural dentro dos paradigmas da época. Nasci profeta, fui assumindo funções de sacerdote e acabei me tornando o juiz de um povo disperso e atrapalhado. Com o tempo, começaram a dizer que eu não percebia as mudanças e que o modelo de governo e convivência que eu defendia estava ultrapassado. Talvez tivessem razão. No entanto, para mim, foi difícil mudar. Senti-me rejeitado por uma liderança emergente que buscava em outras fontes modelos de governança e de construção de identidade. Procurei cumprir o papel que entendia ter recebido de Deus e só sosseguei um pouco quando ele me disse que, na verdade, o povo, o meu povo, estava rejeitando a Deus, o meu Deus. Percebi então que esse Deus, que conseguia ser gracioso com esse povo, estava me chamando para um novo papel. E obedeci. A seu mando, ungi dois reis, concretizando o passo para o novo modelo político ansiado pelo povo.”

 

Tive problemas em casa”. Ao lembrar-me dos primeiros anos em Siló, a imagem do velho sacerdote e seus filhos prepotentes e corruptos me revoltava. Eu achava Eli um molenga incapaz de disciplinar seus filhos, que deitavam e rolavam nas barbas do pai. E quando me dei conta, o mesmo estava acontecendo comigo. Quanta impotência eu sentia como pai, e quanta vergonha experimentei quando os líderes do povo me confrontaram dizendo que os “meus” filhos ‘não andavam nos meus caminhos’. Mil vezes me indaguei onde havia errado, até que aceitei que eu tinha feito o que podia e eles estavam fazendo as suas próprias opções.”

 

 

À medida que as cenas de sua vida vão se sucedendo na memória, Samuel chega àquela que, de todas, foi a fundamental e fundacional na sua história. Até hoje, ao se lembrar, ele balbucia, incrédulo: “Como Deus pôde querer falar assim com “uma criança”? Pois eu devia ter uns 12 anos, ainda era um menino”.1

 

“A noite começara como tantas outras. Noites chatas e monótonas ao lado de um velho cansado e já bastante cego que mal esperava escurecer para ir se deitar. Eu também acabava indo para o meu canto. Todo dia era a mesma coisa. Até “aquela” noite, que mudou a minha vida para sempre. Antes, o que eu conhecia naquela casa de Deus eram rituais vazios. A prática religiosa estava de pé, mas aqueles sacerdotes, filhos do Eli, eram uns pilantras trapaceiros que nem se importavam de falar das suas sujeiras diante de um menino como eu. Muitas vezes me perguntei por que minha mãe havia me deixado num lugar assim, quando a vida com Deus era tão importante para ela.

 

Mas, “naquela” noite, uma voz diferente e terna invadiu o meu quarto. Era uma voz-presença, eu lembro como se fosse hoje. Eu não sabia o que fazer com aquela voz, mas não podia, nem queria, perder um minuto daquela presença. Aturdido, corri para o quarto de Eli; e cada vez que ela voltava, corria para lá de novo. Finalmente ele disse: ‘Vai ver que é Deus querendo falar com você, menino’. Quando isso acontecer de novo, responda ‘tô aqui’. E foi isso que eu fiz. Então, tivemos uma conversa incrível. Naquela noite descobri que Deus existe e que ele fala. E, quando fala, Ele é real. Descobri também que Deus fala bem de pertinho; é como se ele olhasse nos nossos olhos e a gente descobrisse que ele nos ama. Que ele não se deixa prender pelos nossos ritos, não concorda com nossas sem-vergonhices e quer que a nossa vida com ele seja algo vivo, dinâmico e transformador. Descobri que Deus fala com meninos e meninas assim como quando eu era menino

 

Fiquei muito perturbado com o que Deus me disse a respeito de Eli e sua família. Porém, a palavra-presença dele trouxe também um novo alento para a minha vida e para toda a nossa nação. Foi impressionante. Milagroso.

 

Passaram-se muitos anos e Deus deu um novo tempo à nossa nação. E eu reconheço que nada do que fiz teria acontecido sem essa voz cuidadora e orientadora de Deus. Deus foi a razão de tudo e de toda a minha vida. Mesmo sendo criança, procurei levar muito a sério esse Deus e a sua Palavra, colocando-a zelosamente em prática. Até hoje, não entendo direito essa de Deus falar com um menino, mas sorrio com gratidão.

 

Confesso que houve momentos na vida em que tive saudades da minha infância e daquele encontro fascinante com Deus naquela noite memorável. Fui ficando mais velho e ‘importante’ e, ao ter de lidar com coisas sensíveis e complicadas, aquela conversa primaveril com Deus ameaçava perder-se num passado nebuloso. Entretanto, aprendi a importância de, nesses momentos cruciais, orar dizendo: ‘Fala, Senhor! Ajuda-me a te ouvir e a te seguir como criança, pois delas é o Reino de Deus!’.”

 

• Valdir Steuernagel é pastor na Comunidade do Redentor, em Curitiba, PR. Faz parte da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, da Aliança Cristã Evangélica Mundial e da Visão Mundial.

 

 

Nota

 

1. Samuel devia ter entre 3 e 5 anos de idade quando sua mãe o deixou nas mãos do sacerdote Eli. O antigo historiador judeu Josephus diz que Samuel tinha 12 anos quando Deus falou com ele.

 

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