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Colunas — Caminhos da Missão

Médico e missionário: uma experiência africana

Joed Venturini de Souza

Trabalhei por doze anos em Bafatá, no coração de Guiné-Bissau, em plena África Subsaariana, com etnias muçulmanas. As manhãs eram gastas em atendimentos que envolviam, em geral, doenças como malária, febre tifoide, parasitoses, aids, tuberculose e lepra. Na sala de espera, deixava ligado um gravador de fitas cassete a pilha com mensagem evangelística na língua local, bem como instruções básicas para a saúde do povo. Os pacientes apreciavam bastante esse momento e, muitas vezes, pediam cópias das fitas para levarem para as suas aldeias. Meus meios de diagnóstico eram limitados e houve ocasiões em que o Espírito Santo me inspirou na compreensão do caso. Por vezes, a única coisa que pude fazer foi orar pelo doente. Vi algumas curas maravilhosas, mas também muitas mortes. É a vida de um médico.

 

Fui convidado para ir a várias aldeias e entrei em lugares onde nunca outro missionário estivera. O povo respeitava o “doutor” e ouvia sua mensagem. Posso testemunhar que ser profissional em missões foi vantajoso para o trabalho. Do ponto de vista missiológico, havia algumas vantagens em ser profissional. A aceitação do povo é mais fácil quando há uma profissão.

 

Lembro-me de quando era criança no campo missionário com meus pais, pioneiros do trabalho evangélico nas ilhas portuguesas dos Açores. Meus colegas de escola me perguntavam: “Qual é a profissão do teu pai?”. Eu respondia: “Pastor”. E ninguém entendia. Não existia essa categoria naquela sociedade. Então, como entender a presença do obreiro? Como reagir diante de alguém cuja atividade não entendemos?

 

Como valorizar o que diz ou faz, se sua profissão é misteriosa? Em meu trabalho isso foi facilitado. “O que você é?”: “Sou médico!”. E, de pronto, entendiam e me aceitavam, pois sabiam o que era um médico.

 

A integração na vida local era facilitada por essa compreensão. Eles sabiam o que esperar de mim e me olhavam como alguém que trazia algo útil e vantajoso para a vida da comunidade. Tive a oportunidade de ir a aldeias de onde outros missionários tinham sido expulsos. Na visão local, o obreiro evangelista não parecia trazer nada de útil, enquanto eu levava remédios e consultas. As oportunidades de serviço que assim surgiam faziam com que meu valor na comunidade fosse maior, abrindo muitos ouvidos e corações para receber a mensagem.

 

Porém, há aspectos difíceis a considerar. Como profissional acabava consumindo muito tempo em atendimento médico. Muitas vezes não surgiam oportunidades de testemunho numa consulta. Gastava tempo e recursos com tratamentos em vez de evangelização direta. Por vezes, depois de tratar o doente, ao tentar testemunhar percebia que o doente “desligava” porque já tinha recebido o que queria. Equilibrar os dois lados nem sempre é fácil. O custo de ser médico naquele contexto era elevado. Era necessário me lembrar, de forma constante, que estava ali para levar o evangelho de Jesus e não apenas o antimalárico. Entretanto, no geral, posso concluir que um profissional em missão, comprometido com o Senhor e focado em seu trabalho como testemunha de Cristo, é um instrumento poderoso nos campos de missões. Tem acesso a contextos onde apenas o profissional pode entrar e acaba por ter oportunidades únicas de ser sal da terra e luz do mundo.

 

• Joed Venturini de Souza, casado, dois filhos, é médico em Lisboa e orientador estratégico para o Leste Europeu pela Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira.

 

 

 

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