Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — O Caminho do Coração

A nobreza secreta

 

Ricardo Barbosa de Sousa

 

Só se reconhece o valor de algumas pessoas muitos anos depois de sua morte. Uma razão para isso é que essas pessoas valorizavam mais os outros do que a si mesmas. Viveram na obscuridade. As luzes dos holofotes incidiam sobre os outros, nunca sobre elas. Escolheram o difícil caminho da renúncia e da negação e encontraram sua alegria na liberdade de servir.

 

Uma dessas pessoas foi Francisco de Assis (1182–1226). G. K. Chesterton, admirador de Francisco, escreveu uma biografia completa sobre sua vida e obra. Num artigo sobre o ascetismo na vida de Francisco de Assis, reconhece que o segredo do seu sucesso foi possuir uma mente de uma “simplicidade quase enlouquecedora” e prossegue afirmando que “é costume dizer que o segredo de tais homens é sua profunda crença em si mesmos, e isso é verdade, mas não toda a verdade. Reformatórios e asilos de lunáticos estão apinhados de homens que acreditam em si mesmos. A respeito de Francisco é mais correto dizer que o segredo de seu sucesso era sua profunda crença em outras pessoas, e é a falta dessa crença que frequentemente foi a ruína desses obscuros Napoleões”. O primeiro passo em direção a uma existência livre e feliz é a humildade. É assim que Jesus inicia suas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

 

A humildade não é outra coisa senão o dom de reconhecer o outro e valorizá-lo. Como disse C. S. Lewis, a verdadeira humildade não é “pensar menos de nós mesmos, mas pensar menos em nós mesmos”. Foi o que o apóstolo Paulo recomendou aos cristãos de Filipos: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.3-4). Certamente, não é fácil pensar menos em mim e mais nos outros; como também não é fácil desenvolver uma profunda crença em outras pessoas.

 

Deus pensou em nós e acreditou em nós. Ele nos amou de tal maneira que nos deu seu Filho. Jesus entrou em nosso mundo e participou de nossa humanidade. Ele se humilhou e tornou-se servo. Mesmo sendo pecadores e indignos de receber qualquer favor de Deus, ainda assim, ele veio a nós, entregou-se por nós, esvaziou-se por nós, fez-se pobre por nós, para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos. Assumiu a nossa culpa, morreu na cruz e ressuscitou para nos reconciliar com ele e nos fazer seus amigos. Ele fez isso porque pensou em nós e acreditou em nós.

 

Existe uma nobreza secreta na bem-aventurança dos humildes. Os humildes sabem ouvir primeiro para depois falar. Sabem confiar, esperar e descansar em Deus. Reconhecem que há sempre algo novo para aprender. Possuem uma certa ingenuidade e pureza porque amam aquilo que outros desprezam. São tolos para o mundo, mas sábios para Deus. Preferem lutar pelo bem dos outros do que pelo seu próprio bem.

 

Em um mundo onde todos clamam pelos seus direitos e poucos pelas suas responsabilidades; onde muitos lutam pelo sucesso e poucos se preocupam com a sobrevivência dos outros ou mesmo do planeta; onde muros ideológicos, raciais, sociais e econômicos se levantam, aumentando as distâncias e aprofundando as suspeitas e desconfianças, proponho que se ouça mais uma vez o convite de Jesus para aprendermos com sua humildade e mansidão. Isso significa pensar menos em nós e mais nos outros, tomar a cruz da renúncia e abnegação, e nos entregarmos ao serviço sacrificial, seguindo o exemplo de Jesus.

 

• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de, entre outros, A Espiritualidade, o Evangelho e a Igreja.

 

Leia mais

Orgulho – o caminho mais curto para o tombo

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.