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Seções — Arte e Cultura

Arte e fé cristã: louvar a Deus e lavar os pés uns dos outros

Gladir Cabral

O pensador cristão reformado Calvin Seerveld vem produzindo interessantes reflexões ao longo dos anos sobre o exercício da arte no contexto da vida cristã. Seu ponto de partida é o de que a arte é um presente de Deus para a humanidade, um sinal de seu amor para com os seres humanos. Ele compara a arte às vestes que Deus oferece a Adão e Eva quando estão para sair do paraíso, uma forma de proteção e alento à vida humana.

Alex Sibanda. The african treveller series (cerâmica com pintura fosca e vitrificada I 2010-2013 I http://ardmoreceramics.co.zaEm suas reflexões, Seerveld aponta dois equívocos a serem evitados. Primeiramente, ele menciona a falsa divisão entre o âmbito espiritual e o âmbito secular da vida. Essa divisão produz uma hierarquia equivocada segundo a qual, diante da espiritualidade, as dimensões da corporeidade são inferiores e, portanto, desprezíveis. Em segundo lugar, Seerveld aponta a confusão entre atividades na igreja e a vida cristã. Certas atividades (como oração, leitura bíblica, canto de hinos, entre outras) são vistas como espirituais, e certas atividades (como o estudo, as leis, a vida profissional e familiar etc.) são vistas como materiais e, dessa forma, banais. Ora, “fazer arte é tão importante quanto fazer um curativo em alguém que se machucou ou preparar um sermão”.

Por causa desses dois equívocos, a Igreja acaba entendendo como legítima apenas aquela arte que é explicitamente evangelística ou litúrgica -- hinos, quadros, poemas e cânticos que se limitam à temática religiosa, considerada “espiritual”. Evitando abordar temas sociais, cotidianos, humanos, a Igreja tem abandonado a liderança no campo das artes, virando as costas para muitos espaços importantes da cultura, como o cinema, a pintura, a literatura, o rádio, o teatro e a TV. Seerveld afirma: “A Igreja Evangélica tem o bem de ser uma força reformadora na história, mas temos lamentavelmente restringido nossa visão do Senhor aos limites das atividades eclesiásticas, e temos limitado os nossos atos culturais a serem meros instrumentos de proselitismo e evangelização”.

O músico e escritor Michael Card, em total sintonia com o pensamento de Seerveld, afirma que a arte é fundamentalmente serviço de amor. Ele diz: “Para ser significativa, a arte deve servir, deve lavar os pés das pessoas. Como Jesus, que foi chamado de o ‘homem para os outros’, nossa arte, para fazer sentido, deve existir para os outros”. Michael Card cita Vincent Van Gogh, que também afirmou: “Quanto mais penso, mais sinto que não há nada mais verdadeiramente artístico do que amar as pessoas”. Nessa perspectiva, arte é serviço, resultado de um mandato divino de utilizar a criatividade para inspirar, proteger e redimir a vida.

Mais do que atividade espetaculosa e supérflua, a arte é uma forma de compartilhar as vestes com o solitário, fortalecer o cansado, dar esperança ao desesperado, alegria ao deprimido, beleza e poesia ao cotidiano desta vida.

Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Acompanhe o seu blog pessoal.

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