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Colunas — Casamento e família

“Igualzinha à sua mãe...”

Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

Se há uma frase incômoda que detestamos ouvir da boca do cônjuge é essa! (Ou, na versão masculina: “Igualzinho ao seu pai”.). Algumas pessoas que vêm ao meu consultório se dizem espantadas ao se darem conta de que estão repetindo na vida pessoal comportamentos que não admitiam nas suas famílias de origem e em relação aos quais faziam força para serem diferentes. A Bíblia narra na história dos patriarcas o exemplo de Esaú e Jacó (Gn 25.27-28).

Alguns chegam a questionar se existe algum padrão genético que justifique isso. Na verdade, Bateson já afirmava o seguinte: “Que isto fique claro: não há nenhum comportamento e nenhuma anatomia e nenhuma aprendizagem nos próprios cromossomos”.1 A pergunta natural então é: Por que repetimos até mesmo aquilo que detestamos em nossas famílias de origem?

A criança quando vem ao mundo é um dos animais mais frágeis da natureza -- necessita de mais de uma década para conseguir sobreviver por suas próprias capacidades. Logo, precisamos de alguém que cuide de nós e proteja-nos da hostilidade do mundo -- a essas pessoas que cuidam, chamamos de família. Como elas são as responsáveis por nos ensinar a sobreviver em um mundo hostil, lentamente interiorizamos os padrões de relação que estabelecemos com elas e acreditamos que estes padrões nos darão a garantia de sobrevivência.

Assim, se somos educados por um cuidador violento, que nos trata com golpes e palavras hostis, tal padrão se tornará habitual para nós e aprenderemos a manejar e a sobreviver com ele. Logo, ao chegarmos à maturidade, os padrões violentos não nos causarão medo ou estranheza e, possivelmente, nos sentiremos “confortáveis” na convivência com um parceiro ou parceira violentos. O mesmo se dará em outros padrões relacionais: de abuso, de indiferença, de controle rígido, de ternura, de acolhimento etc.

Na verdade, o desconhecido gera ansiedade, ou seja, nossa mente nos prega a seguinte peça: melhor o conhecido ruim que o desconhecido que não sei se será melhor ou pior. E, como a ansiedade é incômoda, buscamos sempre fugir dela -- mesmo que, para isso, acabemos nos metendo em padrões disfuncionais conhecidos.

Quem, por exemplo, passou a infância em um padrão de rejeição por parte dos pais buscará intensamente, na vida adulta, por relacionamentos nos quais se sinta acolhido. Entretanto, essa intensidade algumas vezes é transmitida de tal forma que é malcompreendida pelos outros, que acabam se afastando, e o modelo de rejeição se repete. Em outras palavras, na ânsia de evitar ser rejeitada, a pessoa causa rejeição. Normalmente, passa então a isolar-se para evitar ser rejeitada e, claro, acaba sentindo-se rejeitada. Quando alguém se aproxima de forma amigável e não rejeitadora, gera muita ansiedade -- que pode desencadear sintomas.

Precisamos identificar os padrões relacionais que assimilamos durante a vida, deixar de lado aqueles que são patológicos e nos abrir ao “novo”, suportando a ansiedade do desconhecido para alcançarmos padrões de saúde. Isto é, transformar-nos pela renovação da mente, para experimentarmos a “boa, agradável e perfeita” vontade de Deus (Rm 12.2), mesmo que para isso precisemos passar por algum período de desconforto causado pela elevação da ansiedade -- “apresentar o corpo como sacrifício vivo” (Rm 12.1).

Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto. São blogueiros do Portal Ultimato.

Nota
1. BATESON, Gregory. “Metadiálogos”. Trad. Carlos Henrique de Jesus. 3. ed. Lisboa: Gradiva Publicações, 1996. (Original de 1972)

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