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Seções — Arte e Cultura

Literatura e cultura

Jenifer Almeida. "Árvores coloridas (aquarela e nanquim sobre folha aquarela A5 I 2013). http://jennalmeida.wix.com

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A palavra de amor, o desejo de amor e o amor


Estou lendo com emoção, alegria e diversão as cartas de amor escritas pelo rev. Antônio Elias à sua amada, Maria José A. Elias, de 1946 a 1949, e, posteriormente, publicadas no livro “Cartas de Amor” (Editora Cultura Cristã, 1999).

Correspondem ao período em que se conheceram e decidiram caminhar juntos. Ele, um pastor presbiteriano recém-formado no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP, e ela, uma jovem católica que trabalhava num banco.

As cartas testemunham os desafios que os dois enfrentaram juntos: as diferenças de tradição religiosa, o preconceito e a incredulidade quanto ao sucesso da relação. As primeiras cartas -- mais formais e cautelosas -- são diferentes das últimas -- mais íntimas, intensas e maduras. Muda também a relação entre os dois jovens, que caminham entre a atração pelo outro, o desejo de estar juntos, e a desconfiança, a timidez, passando pelo sonho de construírem juntos a “casinha” deles até a confissão de amor e a decisão de caminhar lado a lado.
Foram três anos de muita distância, poucos encontros (apenas três) e muitas cartas. Uma carta enviada de Teófilo Otoni podia demorar oito, dezesseis, trinta dias ou mais para chegar a Joaíma, onde morava Maria José, isso sem contar as que se perdiam no caminho. “Sim” -- escreve ela -- “é preciso paciência para suportar o correio”.

Chama a atenção o senso de humor daqueles dois jovens, sempre usando metáforas, trocadilhos, ironias ao falar de seus desencontros, esperas e infortúnios. Numa delas, Antônio Elias escreve: “Sou dos que defendem calorosamente a tese de que ‘a alegria está no mais interior de nossa alma’”. Brincando, inclusive, com a tensão que havia entre os dois, Antônio Elias chama Zezé de fada e declara: “Feiticeira, hein? Sim. Eu que o diga! Quem devo preferir, a feiticeira ou a fada? Se eu ouvir o coração, a fada; a razão, a religião, a fada. Sou protestante. Nada de feitiço”.

As cartas testemunham também os hábitos de leitura deles. Eles trocam citações e sugestões de livros e autores da literatura nacional, como Érico Veríssimo, Olavo Bilac e José de Alencar, e de historiadores e teólogos, como Huberto Rohden, Miguel Rizzo e Pascal. Porém, é a leitura do Novo Testamento que Antônio Elias recomenda mais insistentemente.

É impressionante como esse casal de namorados enfrenta as crises de relacionamento, a distância, o silêncio, as dúvidas e as diferenças. Eles apegam-se ao “grande denominador comum” que possuem entre si: Cristo. Antônio Elias escreve: “Meu ardente ideal é fazer da ‘casinha’ um protótipo do lar de Betânia, onde o Divino Mestre se sentia bem e podia refazer-se das suas caminhadas e das críticas mordazes dos fariseus e falsos doutores da lei! Uma tenda missionária, uma fonte de luz e paz para os seus habitantes e para todos quantos dela se aproximarem, um pequeno e humilde oásis no meio do imenso e causticante deserto da incredulidade humana!”.

As cartas de Antônio Elias a Maria José transpiram amor -- amor integral, disposto a refletir honestamente e a decidir quanto ao futuro, cheio de energia interior, teimoso, terno, desapegado e simples. Não haveria amor algum se eles não estivessem ligados e abastecidos pela fonte do amor -- “o Deus de Amor, de onde vem todo o amor no céu e na terra” (Soren Kierkegaard, “Works of Love”, p. 4).

• Gladir Cabral é pastor, músico e professor de letras na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc).

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As cartas de amor de Antônio Elias e Maria José

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