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Seções — Entrevista

“Missão de todo lugar para todo lugar”

Missiólogo analisa o fenômeno dos “povos da diáspora”. Eles representam o novo desafio missionário para a igreja global. 
O missionário John Baxter é representante internacional da Rede da Diáspora Global do Movimento de Lausanne e professor de missões da Cebu Graduate School of Theology, nas Filipinas. Ele esteve em Viçosa de 8 a 12 de julho de 2013 e ministrou aulas no Centro Evangélico de Missões. O missiólogo estuda o fenômeno dos “povos da diáspora”, isto é, gente que vive fora de seu país de origem.

O que é diáspora? Como se define o termo pessoas “em diáspora”? A atual diáspora é provocada por quais motivos? É um fenômeno novo?
A diáspora global não é nova. Povos têm estado em movimento por toda a história humana. No entanto, nos últimos cinquenta anos, a intensificação de forças globalizadoras sociais, políticas e econômicas têm enviado um número sem precedentes de pessoas para viver e trabalhar fora de suas terras nativas. Mais de 215 milhões de pessoas -- o equivalente ao quinto país mais populoso -- estão em movimento hoje e estão vivendo fora de seu país de nascimento. Um número adicional de 700 milhões de pessoas são imigrantes internos, vivendo dentro de seus próprios países, mas fora de seus contextos culturais. Estes números continuarão a crescer dramaticamente.
A diáspora global é composta de grupos de pessoas vivendo fora de seu local de origem cultural, que retêm uma ligação sociocultural e um sentimento de identificação significativos com seu país de origem e que experimentam um sentimento de deslocamento ou alienação dentro de seu novo local de residência.
Há mais de 40 milhões de pessoas deslocadas de suas casas devido a guerras ou desastres naturais. Quase 3 milhões são estudantes internacionais. Porém, a vasta maioria nos grupos de diáspora global são trabalhadores. A maioria desses trabalhadores é procedente de países em desenvolvimento. Portanto, são forçados pela pobreza e pelo desemprego e atraídos pela oportunidade econômica e por maiores salários encontrados em outros países.

Quais reflexões, pesquisas ou estratégias a “igreja cristã global” tem desenvolvido a partir deste fenômeno?
Há uma grande oportunidade evangelística envolvida na diáspora global. Pessoas que estão experimentando um sentimento de deslocamento -- vivendo longe de família, amigos e padrões normais de vida -- são bastante abertas a novos relacionamentos e novas crenças. Milhões de muçulmanos, hindus e budistas, procurando por educação superior ou empregos, mudam-se para países onde há contato com o evangelho e com cristãos. Muitos mudam-se para terras onde a igreja é estabelecida, como os Estados Unidos. Outros encontram trabalho em países que são fechados para o evangelho, como no Oriente Médio, mas trabalham e vivem entre cristãos do Sul global e do Oriente que também encontraram trabalhos nessas terras.
O campo emergente de missões diaspóricas reconhece três fases de alcance [missional] dentro da diáspora. A primeira é a missão para a diáspora, ou seja, quando grupos ainda não alcançados se mudam e entram em contato com a igreja e o evangelho, como os budistas do Butão se mudando para a América do Norte. Há também a missão por meio da diáspora. Esta acontece quando cristãos são capazes de compartilhar o evangelho com os próprios compatriotas ainda não evangelizados, mas que estão vivendo e trabalhando em um país estrangeiro. Este é o tipo mais eficaz de missões diaspóricas. Por exemplo, milhares de filipinos trabalhando em terras árabes têm vindo a Cristo por meio do testemunho de outros compatriotas filipinos que estão trabalhando no exterior.
Finalmente, há a missão além da diáspora. Este terceiro tipo de missão abraça uma grande promessa para alcançar os países não evangelizados da Janela 10/40. Isto é, cristãos vivendo e trabalhando em um país estrangeiro, testemunhando a outros trabalhadores de países diferentes e à população que os recebe. Por exemplo, trabalhadores filipinos trabalhando no Kuait e compartilhando Cristo com trabalhadores muçulmanos e hindus de países da Janela 10/40 que vivem ali. Deus tem trazido milhões de pessoas de povos não alcançados para viver e trabalhar ao lado de cristãos de todas as partes do globo, em lugares como o Golfo Persa. Esta é uma tremenda oportunidade para missões.

As Filipinas são o país mais cristão da Ásia e a Arábia Saudita, um dos países mais muçulmanos do mundo. O senhor diz que há 1,2 milhão de filipinos trabalhando na “pátria de Maomé”. O convívio é pacífico?
As nações muçulmanas do Conselho de Cooperação do Golfo (Kuait, Qatar, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã) precisam de trabalhadores estrangeiros para que possam movimentar suas economias. Os filipinos preenchem muitas posições dentro dessas sociedades -- de babás a enfermeiros, de trabalhadores de construções a auxiliares de escritório. Mesmo assim, ainda pode ser perigoso para jovens filipinas trabalharem como domésticas ou babás. Muitas delas são maltratadas. Os cristãos filipinos correm o risco de serem aprisionados ou deportados por testemunharem aos muçulmanos. No entanto, cada vez mais filipinos vivendo no Oriente Médio estão se arriscando e compartilhando Cristo.

O que a igreja brasileira pode aprender com a experiência da “igreja da diáspora”?
Primeiro, a igreja brasileira precisa aprender a “ver” a diáspora. No Brasil, a igreja precisa saber onde os grupos de imigrantes estão morando dentro do país. A igreja tem de aprender os princípios de comunicação transcultural e contextualização para alcançar esses grupos -- indo até eles para viver e trabalhar entre eles, e não esperar que eles venham a uma igreja brasileira estabelecida.
As igrejas brasileiras devem ver o potencial para missões internacionais entre os profissionais cristãos trabalhando no exterior. A estratégia de missões delas precisa expandir para identificar esses trabalhadores e estudantes internacionais como parte de um programa intencional de missões. O recrutamento, a avaliação, o treinamento, a preparação e a forma contínua de prestação de contas são parte de um ministério de missões diaspóricas a partir da igreja local, o qual pode ser feito pela maioria das igrejas espalhadas pelo mundo, incluindo as igrejas do Brasil. Igrejas podem preparar trabalhadores no exterior para o discipulado e evangelismo antes que eles deixem o Brasil e podem prover encorajamento e prestação de contas enquanto eles estiverem no exterior, por meio da mídia eletrônica.
Igrejas locais e denominações podem também ajudar a prover treinamento e liderança para as igrejas e grupos de comunhão iniciados pelos trabalhadores brasileiros no exterior. Uma vez que eles são profissionais seculares -- e não missionários de tempo integral, treinados em escolas de missões e seminários --, a maior parte do treinamento em missões diaspóricas tem de ter como base a igreja local. Escolas bíblicas e seminários no Brasil devem ajudar os pastores e as igrejas a criarem programas de missões diaspóricas efetivos na igreja local para oferecerem cursos e modelos práticos de missões diaspóricas dentro de seus programas de treinamento pastoral.
Deus tem soberanamente colocado cristãos brasileiros como testemunhas e plantadores de igrejas ao redor do mundo. Há primeiramente a obrigação de alcançar seus próprios conterrâneos nessas terras estrangeiras. Depois, eles devem ver se há outros grupos de pessoas migrantes em seu novo país de residência para que possam evangelizá-los. Finalmente, eles têm de procurar oportunidades para compartilhar Cristo com a cultura hospedeira.

Entre permanecer na terra para “salgá-la” e ser uma igreja peregrina que alcança cada vez mais nações, que espiritualidade devemos cultivar num mundo cada vez mais em movimento e com fronteiras (geográficas e tecnológicas) sendo superadas?
A globalização promove uma consciência global. A mídia eletrônica global mistura culturas de todo o mundo e permite que pessoas se conectem e formem subgrupos culturais, embora elas vivam em continentes diferentes. Jovens americanos seguem bandas k-pop da Coreia e cafeterias italianas são abertas na China. Nossos filhos vivem em um mundo onde as fronteiras políticas estão cada vez mais porosas. A antiga percepção de missões era “a partir do Ocidente cristão para o resto do mundo”. As missões diaspóricas creem em missões de todo lugar para todo lugar, feitas por todo mundo para todo mundo. A divisão entre missões domésticas e estrangeiras começa a se esvanecer no meio das missões diaspóricas. Deus está trazendo as nações às nossas orlas e nossos trabalhadores estão se tornando cidadãos do mundo.
Precisamos de novos odres missiológicos para um novo dia de missões. Não deveríamos focar na geografia das missões -- como enviar missionários para a China --, mas, antes, nas afinidades étnicas e culturais a fim de fazer missões entre os chineses, quer morem em Beijing ou na Cidade do México. Isso nos permite responder à direção do Espírito Santo. Temos a habilidade de perguntar onde no mundo Deus está presente, operando entre um grupo étnico-cultural em particular, e então responder ao seu convite para trabalhar onde ele já está trabalhando. Essa perspectiva nos concede uma flexibilidade maior no recrutamento e envio de missionários.

Há ministérios específicos trabalhando na diáspora? Quais são eles?
Missões diaspóricas, reconhecidas como uma estratégia de missões, é algo novo. Há grupos que têm alvejado certos grupos migratórios, como os nepaleses ou coreanos. Algumas agências enviadoras de missionários -- como a Junta de Missões Estrangeiras da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos -- têm reconhecido a importância das missões diaspóricas e estão trabalhando para se distanciar de um foco geográfico para uma orientação dirigida à afinidade étnico-cultural. Algumas denominações estão criando departamentos de ministério diaspórico para ajudar as suas igrejas e os missionários a responderem às oportunidades de missão diaspórica ao redor do mundo. A Associação de Missões das Filipinas criou um programa de treinamento para as igrejas filipinas com o alvo de prover treinamento de discipulado e evangelismo para centenas de cristãos filipinos, antes que eles deixem as Filipinas. Poucas escolas bíblicas e seminários, como o Seminário Batista do Sul, em Baguio, estão criando programas de treinamento flexíveis para treinar líderes da igreja dentro da diáspora global. Estes novos “pastores da diáspora” não têm educação teológico-pastoral formal e não podem abandonar o trabalho no exterior para frequentar um seminário. O treinamento teológico e pastoral tem de ser levado até eles, nos países onde eles trabalham e vivem.

Qual é o envolvimento de Lausanne com esses ministérios?
O Movimento de Lausanne é o primeiro advogado para as missões diaspóricas. Um dos primeiros encontros para estudar esta nova ideia de missões aconteceu em Pattaya, na Tailândia, em 2004. A partir daquele encontro, Lausanne criou uma equipe responsável por missões diaspóricas para preparar a apresentação das missões diaspóricas no Terceiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial, na Cidade do Cabo, em 2010. Na Cidade do Cabo, Lausanne criou a Rede da Diáspora Global, liderada por Sadiri Joy Tira. Os alvos da rede são: encorajar a criação de uma missiologia da diáspora e ajudar agências de envio de missionários a se envolverem com missões entre grupos de pessoas migrantes. A Rede da Diáspora Global realizará uma consulta global de Lausanne para missões diaspóricas em Manila, Filipinas, em 2015. Missiólogos e profissionais da diáspora de todo o mundo se reunirão para criar uma literatura básica para essa importante e emergente estratégia de missões.

Traduzido por Ehud M. Garcia.

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