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Cada vez mais ricos sem que haja outra explicação para a origem de tantos bens

O dinheiro sempre esteve bem perto da religião. É uma das três dimensões clássicas geradoras de escândalos na história do cristianismo, desde a venda de indulgências até a venda de curas, sucessos e bênçãos terrenas. As outras são poder e sexo.

As imprensas secular e religiosa estão alardeando os casos mais recentes envolvendo principalmente os líderes neopentecostais. Mas eles continuam a ficar cada vez mais ricos sem que haja outra explicação para a origem de tantos bens. E outros líderes estão se tornando independentes dos primeiros e criando novos impérios. Todos são extremamente capazes na arte de administrar e de promover a si mesmos e a suas igrejas, atraindo e cativando fiéis e mais fiéis em troca da teologia da prosperidade. Há mercado para eles. Daí a assombrosa tiragem de jornais, revistas e livros, no Brasil e no exterior -- um dos periódicos tem uma tiragem de quase dois milhões de exemplares --, e os gastos com programas de televisão -- uma dessas igrejas gasta 10 milhões de reais por mês só com isso -- e na construção de templos suntuosos nas áreas mais nobres das grandes cidades.

Ajudaria muito entender o problema de hoje tomar conhecimento do problema de ontem. Os quatro evangelhos narram que em duas ocasiões Jesus se defrontou com os chamados vendilhões do templo, pessoas que aproveitavam da necessidade que os judeus tinham de comprar um animal para oferecê-lo em sacrifício ao Senhor. Havia um esquema perfeito: vários animais (bois, ovelhas e pombas) à venda por um preço acima do valor e cambistas para trocar moedas estrangeiras pela moeda nacional, sempre com ágio. Além de tornar a Casa do Senhor um mercado ou “covil de ladrões” -- nas palavras de Jesus --, a perturbação no culto era muito maior porque atingia o olfato (o fedor da sujeira) e a audição (o balido e o mugido dos animais) do adorador, que, às vezes, vinha de grande distância ou até mesmo do exterior. O que impressiona é que Jesus se manifestou pública e veementemente contra essa profanação do sagrado em pelo menos duas ocasiões: no início de seu ministério (narrado apenas em João) e por ocasião da semana da paixão (narrada pelos evangelhos sinóticos).1 Em ambas as ocasiões, Jesus agiu de modo visivelmente violento: derrubou mesas e cadeiras e espalhou as moedas dos cambistas pelo chão (Mt 21.12; Mc 11.15; Jo 2.15). No primeiro incidente, o Senhor ainda fez um chicote de cordas e com ele expulsou os vendilhões e os animais (Jo 2.15).

Todavia, mais de mil anos antes, no final da época dos juízes e pouco antes da instalação da monarquia, já havia gravíssimas referências à exploração religiosa. Os filhos do sacerdote Eli e seus substitutos quebravam a reverência do culto tomando para si, se necessário à força, a melhor parte da carne dos animais oferecidos em sacrifício a Deus (1Sm 2.12-17). Poucos anos depois, quando Samuel ficou velho e colocou seus dois filhos como juízes de Israel, a Bíblia registra que eles não seguiram o exemplo do pai: “Estavam interessados somente em ganhar dinheiro, aceitavam dinheiro por fora e não decidiam os casos com justiça” (1Sm 8.3).

A tentação do dinheiro na liderança religiosa é tão grande que o veterano apóstolo Paulo exorta o jovem pastor Timóteo com as seguintes palavras:

“Mas o líder que está apenas atrás de dinheiro se destruirá rapidamente. A cobiça por dinheiro traz problemas, apenas problemas. Depois de entrar por esse caminho, alguns se desviam inteiramente da fé e amargam seu arrependimento pelo resto da vida” (1Tm 6.9-10).

Nota
1. Alguns intérpretes entendem que houve apenas uma expulsão de vendilhões. A história contada por João no início do Evangelho é a mesma contada pelos demais evangelistas.

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