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Colunas — Missão Integral

A missão do reino de Deus (parte 7)

A dimensão presente do reino
René Padilla

A maioria dos estudiosos do Novo Testamento concorda com a tese de que o tema central da pregação de Jesus Cristo foi o reino de Deus. O consenso, no entanto, desaparece quando se trata de entender se seu anúncio tinha a ver com um evento histórico que ele concebia como uma realidade presente ou se era, na verdade, a afirmação de uma esperança que se cumpriria no futuro.

Um eminente representante da interpretação futurista do reino de Deus foi o teólogo alemão Albert Schweitzer. Segundo sua escatologia, considerada como “transcendente”, Jesus Cristo teve a intenção de dar uma guinada na história, visando a estabelecer o reinado de Deus sobre a terra por meio de seu ministério, mas não alcançou seu objetivo. O reino de Deus, portanto, pertence ao futuro. Em linhas gerais, esta visão futurista do reino foi a mais difundida nos círculos evangélicos em nível mundial ao longo dos anos. No século passado, obteve muita difusão nestes círculos ao redor do mundo, incluindo a América Latina, especialmente por meio da famosa Bíblia de Scofield.

Um fato inegável é que Jesus Cristo não estabeleceu um reino terrenal com as características associadas ao reino das expectativas judaicas de seu tempo, incluindo as representadas por saduceus, zelotes e fariseus. Cabe, inclusive, perguntar: até que ponto se cumpriu pelo menos o que tinha anunciado na sinagoga de Nazaré, em seu discurso programático com base em Isaías 61, no começo de seu ministério, segundo Lucas 4.18-19? Em que sentido posso afirmar, como fez no final de sua exposição: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21)?

A resposta a esta pergunta é dada nos evangelhos em termos narrativos. Com efeito, os evangelhos são, em grande medida, a narração do ministério de Jesus, por meio do qual se manifestou como o Messias prometido, ungido pelo Espírito do Senhor para “evangelizar os pobres”, incluindo os cativos, os cegos, os oprimidos, e “anunciar o ano aceitável do Senhor”, ou seja, o ano do jubileu, entendido como uma nova era de justiça e “Shalom”.

Sobre a base da descrição narrativa do ministério de Jesus, associada estreitamente ao seu ensinamento, podemos afirmar que, a partir da perspectiva dos evangelhos, o advento do reino de Deus se realizou em sua própria pessoa e obra. Como o Messias prometido, ele não introduziu na história o reino de Deus em sua plenitude, mas sim os “sinais do reino”, que apontam para o propósito de Deus de criar um novo mundo no qual as relações existentes sejam aquelas das pessoas com o Criador, com o próximo e com a criação.

Várias passagens dos evangelhos citam afirmações explícitas de Jesus a respeito da presença do reino em termos de sua própria pessoa e de sua ação. Assim, por exemplo, em sua controvérsia com os fariseus a respeito do poder com o qual ele expulsa demônios, Jesus afirma que, se ele os expulsa por meio do Espírito de Deus, isso significa que “”é chegado” a vós o reino de Deus” (Mt 12.28, ênfase minha). Outra passagem que exemplifica com clareza o conceito que Jesus tem da dimensão presente do reino de Deus é Lucas 17.21b: “[...] eis que o reino de Deus está entre vós”. Tal afirmação aparece no contexto de outra controvérsia de Jesus com os fariseus a respeito de quando virá o reino de Deus. Está precedida por outra afirmação que nega a possibilidade de submeter o tempo do advento do reino a cálculos humanos ou de identificar sua presença com precisão, sobre a base de critérios preestabelecidos: “O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali” (v. 20-21). O fato é que, ainda que o reino de Deus estivesse fazendo-se presente na pessoa e obra de Jesus Cristo, os fariseus não podiam perceber sua presença “entre eles” porque seus olhos estavam cegos por sua incredulidade. Como diz o provérbio: “O pior cego é o que não quer ver”.

Traduzido por Wagner Guimarães.

• C. René Padilla é fundador e presidente da Rede Miqueias, e membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana e da Fundação Kairós. É autor de O Que É Missão Integral?.

Leia mais
A missão do reino de Deus: presença do reino (parte 6)
O contexto histórico do anúncio do reino (parte 5)
O Magnificat 2 (parte 4)
O Magnificat (parte 3)
A missão do reino de Deus (parte 2)
A missão do reino de Deus (parte 1)




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