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Saúde, sofrimento e transtornos mentais

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 14% dos problemas de saúde podem ser atribuídos aos transtornos mentais – principalmente depressão, uso de álcool e outras drogas e psicoses –, em especial devido a sua natureza crônica e incapacitante. Estimativas deste tipo têm apontado para a importância dos transtornos mentais para a saúde pública.
 
A diminuição da importância relativa das doenças infecto-parasitárias na rotina dos serviços de saúde, o declínio das taxas de natalidade e de mortalidade gerais e o envelhecimento progressivo da população têm levado o foco dos estudos e das políticas de saúde para as chamadas doenças crônico-degenerativas, entre as quais os transtornos mentais. Ao mesmo tempo, a crescente valorização da qualidade de vida e do bem-estar social também tem contribuído para uma mudança das práticas de saúde, sejam públicas ou privadas.
 
Até a segunda metade do século 20, a assistência à saúde mental era prestada, fundamentalmente, nos grandes manicômios, instituições nas quais as pessoas consideradas doentes eram internadas por longo prazo. De forma análoga ao que se passava com os portadores de tuberculose e hanseníase, que tinham seu tratamento processado nos sanatórios e leprosários, a reinserção psicossocial dos portadores de transtornos mentais não era um objetivo central de seu tratamento.
 
Todavia, nas últimas décadas vem sendo desenvolvido um esforço de transformação da assistência psiquiátrica tradicional. No Brasil – e paralelamente ao movimento de Reforma Sanitária, do qual se originou nosso Sistema Único de Saúde (SUS) – também teve lugar o movimento da Reforma Psiquiátrica, que impeliu os gestores políticos em direção à criação da chamada “rede assistencial substitutiva” de saúde mental. Entre seus principais objetivos podem ser citados a reintegração dos pacientes ao seu espaço social, a manutenção de sua individualidade e o estímulo a seu potencial de iniciativa e liberdade responsáveis.
 
Três outros aspectos também concorreram para as mudanças observadas na assistência à saúde mental na segunda metade do século 20. Primeiro, o progresso da psicofarmacologia, que modificou significativamente o prognóstico de pacientes com transtornos psiquiátricos, ao influenciar de forma favorável a evolução desses quadros, ao lado do desenvolvimento de novas modalidades de intervenção psicossocial. Em segundo lugar, o movimento dos direitos humanos. Facilitado pelo avanço da democracia em todas as partes do mundo, o movimento dos direitos humanos contribuiu para a denúncia da realidade dos hospitais psiquiátricos regidos pelo modelo manicomial. O terceiro facilitador foi o fato de o elemento mental ter sido firmemente incorporado ao conceito de saúde, conforme proposta da OMS.
 
No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a maior parte das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) realiza “alguma ação de saúde mental” em sua rotina assistencial. Por sua proximidade com famílias e comunidades, as equipes da ESF se constituem em recurso estratégico para o enfrentamento do sofrimento mental. A integração dos cuidados em saúde mental nos serviços gerais de saúde, especialmente no âmbito da atenção primária de saúde, oferece muitas vantagens, tais como: menor desenvolvimento de estigma em relação aos doentes, pelo fato de os problemas mentais serem cuidados juntamente com os problemas de saúde física; melhores taxas de identificação de queixas físicas decorrentes de problemas mentais, bem como melhor abordagem dessas situações clínicas; um potencial de melhor tratamento dos problemas físicos dos que sofrem de transtornos mentais e também de melhor tratamento dos aspectos mentais associados aos problemas físicos.

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