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Seções — Altos papos

Graça e verdade no diálogo inter-religioso

Sonhei que estava entrando no Mineirão lotado, em um jogo do time adversário. Tudo corria bem, até que fui desmascarado por um torcedor do Atlético, que gritou: “Acabem com aquele cruzeirense!”. Corri o máximo que pude. Eles me perseguiam, quase me alcançando, até que consegui entrar no ônibus e logo acordei assustado. O que estava acontecendo?
 
Lembrei que havia sido convidado para participar de um diálogo inter-religioso naquela manhã, para ser voz evangélica em conversas com católico, espírita, judia, budista e hindu. O encontro era organizado no departamento de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais; uma proposta que nascia a partir da amizade que já cultivávamos. Porém, reconheci que o sonho era expressão de medo e orei por coragem.
 
Como a teologia cristã deve dialogar na era pluralista pós-moderna? Alguns têm proposto uma paridade entre religiões e abandonado a centralidade da fé cristã. Outros, como reação ao abandono da ortodoxia, têm afirmado a soberania de Cristo, mas falhado em estender graça e amizade aos de fora. A voz cristã, se quiser ser fiel ao evangelho todo, une graça e verdade, revelando a imagem de Jesus (Jo 1.14). No diálogo, a sã doutrina precisa do jeito amoroso de Cristo.
 
Isto quer dizer que diálogo inter-religioso não é como arte marcial. A fé cristã evangélica é um mendigo dizendo a outro onde encontrou o Pão da vida. É a união da coragem com a graça humilde: a violência em defesa da fé é um desserviço ao evangelho. Segundo o Movimento de Lausanne, o diálogo é uma expressão relevante da missão quando combina confiança na singularidade de Jesus com uma escuta respeitosa.1
 
Após aceitar o convite, oportunidades e amizades têm florescido. Os encontros se tornaram públicos, na UFMG e na televisão. Não preciso correr do diferente: o evangelho não me envergonha, porque é poder de Deus para salvação, e Jesus se revela como o desejo de todo coração humano. Nesse encontro posso considerar a busca do outro e, mesmo não concordando com as respostas, acompanhar o drama humano e estar junto no caminho da vida.
 
Ao afirmar a amizade, apresento também a concepção cristã de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, eternamente unidos em laços de amor. Posso ser amigo de um espírita, por exemplo, porque assim como a comunidade do afeto disse “haja luz” e o mundo se formou, ainda hoje é o amor que cria e forma o ser. Quem ama é nascido de Deus, e, como disse Aelred de Rievaulx, “quem permanece na amizade permanece em Deus”. A teologia trinitária também abre espaço para uma Cristologia alta, ou seja, a visão de que Jesus, o redentor, não pode ser menos do que Deus. E se Cristo abraça pecadores e me chama para demonstrar seu caráter no mundo, preciso afirmar que o amor é o motor da missão.
 
Um padre amigo confessou-me com dor que quando criança era incentivado em sua paróquia a jogar pedra na igreja dos crentes. Em resposta, desenvolvemos “corações fechados”; fomos feridos por sermos diferentes e às vezes também reagimos com pedras. Porém, como cristão evangélico, meu lugar é de guardião da amizade e da esperança. E se a resposta unir perdão, graça e verdade, o mundo verá, por meio de nós, a face de Jesus.
 
Nota
1. Disponível em: www.lausanne.org/en/documents/ctcommitment.html
 
• Davi Chang Ribeiro Lin, 28 anos, é psicólogo e pastor da Comunidade Evangélica do Castelo, em Belo Horizonte, MG. É mestre em estudos cristãos pelo Regent College, Canadá. davichangbh@gmail.com

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