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Especial — --

Quarenta e cinco anos divulgando o ministério da reconciliação de todas as coisas em Cristo

Quarenta e cinco anos divulgando o ministério da reconciliação de todas as coisas em Cristo
 
Para celebrar os 45 anos da revista Ultimato, comemorados no dia 17 de janeiro, disponibilizamos uma seleção de trechos de entrevistas publicadas em edições da revista a partir de 1999. O leitor perceberá que a seleção expressa a nossa crença de que, em Cristo, Deus reconciliou todas as coisas.
 
Uma boa notícia! Você pode ler as entrevistas na íntegra no portal Ultimato. 
Além deste material, você encontra aqui o relato surpreendente da relação do Cabo Bruno, assassinado em 26 de setembro de 2012, com Ultimato. Muito nos alegra compartilhar com os leitores esta história que ilustra o impacto ministerial de Ultimato. O envio ininterrupto da revista a presidiários nos últimos dez anos é apenas uma das áreas deste ministério.
 
Boa leitura!
 
A compreensão científica não anula a visão religiosa – nem esta elimina aquela (novembro/dezembro de 1999)

Entrevistado: Ross Alan Douglas, canadense naturalizado brasileiro, Ph.D. em física. Foi professor da Unicamp e, durante anos, vice-presiwdente da Aliança Bíblia Universitária (ABU). O doutor Ross morreu em 30 de agosto de 2004. A data desta entrevista coincidia com o 140º aniversário da publicação do livro “Sobre a Origem das Espécies por meio da Seleção Natural” e com a reconstrução facial de Luzia, o crânio da mulher mais antiga do Brasil.
 
Existe conflito entre ciência e religião?
 
Acreditamos que existe uma verdade objetiva que pode ser conhecida em parte por meio do cristianismo, mas também da ciência. Toda verdade é a verdade de Deus, quer venha do estudo da natureza, quer venha da revelação de Deus. A história revela muitos conflitos, de maneira que a situação tem sido como uma guerra. Entretanto, um exame mais aprofundado mostra que muitas dessas diferenças são apenas aparentes, sendo o resultado de extrapolações injustificadas e interpretações inadequadas. Sinto que, ao invés de guerra, a complementação mútua seria uma melhor maneira de ilustrar esta relação.
 
Toda a problemática entre o criacionismo e o evolucionismo teria começado com a publicação da principal obra de Charles Darwin em novembro de 1859?
 
Como todo trabalho científico, as descobertas são feitas de uma maneira que desafia o lógico. Nem sempre aquele que trabalha durante mais tempo é o primeiro a chegar a um resultado. Neste caso específico, um outro cientista, Wallace, estava desenvolvendo trabalhos semelhantes, indicando que cientificamente havia chegado a hora para o rompimento de barreiras. A meu ver, o problema básico não é entre criacionismo e evolução, mas entre teísmo e naturalismo. No primeiro, Deus criou o universo e ainda o sustenta. No segundo, há uma tentativa de explicar o universo e, especificamente, o homem, sem referência a Deus. O problema é realmente a idolatria, em que o lugar de Deus é substituído por um princípio ou processo como, por exemplo, o acaso.
 
A depressão é uma das experiências mais perturbadoras do ser humano (março/abril de 2001)
 
Entrevistado: Uriel Heckert, doutor em psiquiatria pela Universidade de São Paulo. Foi professor da mesma ciência na Universidade Federal de Juiz de Fora e presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos (CPPC).
 
O que provoca a depressão?
 
A noção que hoje predomina no campo da saúde mental é da multicausalidade. A predisposição genética parece importante, bem como alterações de funções cerebrais, principalmente no nível da neuroquímica. Por outro lado, a disposição psíquica individual pode favorecer que a depressão se desenvolva (padrões de pensamento pessimista e autoacusatório, expressão reprimida de necessidades e vontade, níveis elevados de introversão e dependência, frequente mau humor e irritabilidade, entre outros). Também as vivências de perdas, sejam elas reais ou simbólicas, predispõem sua instalação, bem como situações de privação e isolamento social. É preciso lembrar a chamada depressão secundária, resultante de enfermidades clínicas variadas e uso de alguns medicamentos.
 
A depressão pode ser prevenida?

As pessoas que têm uma predisposição familiar e, ou, aquelas com perfil de personalidade favorável ao desenvolvimento da depressão, podem ter alguns cuidados preventivos. Aqueles momentos da vida em que se mostra maior vulnerabilidade também devem merecer atenção. Esses podem estar relacionados ao ciclo da vida (puerpério, menopausa, velhice) ou a episódios desfavoráveis (mudança geográfica, aposentadoria, desemprego, separação conjugal, doença grave, cirurgia mutiladora, tragédias coletivas, entre outros). Ajuda psicológica pode ser muito útil em todas as circunstâncias acima. Além disso, hábitos de vida saudáveis são sempre recomendados. Sabe-se que exercícios físicos, principalmente ao ar livre, em contato com raios solares, estimulam a produção pelo organismo de neuro-hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar. Eles favorecem a manutenção do humor. O respeito aos ritmos biológicos é também indicado, principalmente o sono. Quanto às crenças e práticas religiosas, dados empíricos apontam que podem ter papel preventivo. Entretanto, não bastam meras formalidades e hábitos rotineiros. Importância tem sido dada à chamada religiosidade intrínseca, relacionada a convicções bem estabelecidas, que sejam doadoras de sentido à existência e tragam forte envolvimento pessoal.
Mesmo uma fé assim nem sempre é suficiente para evitar que o cristão sofra de depressão. Em ocorrendo, contudo, há evidências que sustentam a expectativa de uma evolução mais favorável.
 
Psicologia com teologia e teologia com psicologia (março/abril de 2002)
Entrevistado: Gary R. Collins, Ph.D. em psicologia clínica, autor de mais de cinquenta livros e editor da revista “Counseling Today”. Por muitos anos, foi professor do Trinity Seminary, em Chicago. É um dos fundadores da Associação Americana de Aconselhamento Cristão.
 
Por que muitos cristãos ainda têm um certo preconceito contra a psicologia?
 
A psicologia é fundamentada em pressuposições seculares e não é considerada cristã em sua essência. Assim, os psicólogos muitas vezes chegam a conclusões e usam métodos de aconselhamento não consistentes com o ensino bíblico. Alguns são contra a religião e preconceituosos contra o cristianismo. Freud, por exemplo, enxergava a religião como ópio e as pessoas religiosas, como instáveis que precisam de bengalas. Não me surpreende que os cristãos que ouvem tais exemplos cheguem a conclusões precipitadas de que toda psicologia é má. Mas a maioria das psicologias e, eu diria, a maioria dos psicólogos não são opositores da religião. Pesquisas realizadas por psicólogos não cristãos com frequência são úteis. Quando jogamos fora toda a psicologia, descartamos um campo de conhecimento que Deus nos permitiu descobrir e usar em nosso benefício. Não sei quanto ao Brasil, mas nos Estados Unidos há poucos que advogam verbalmente que a psicologia provém do diabo e pregam contra ela, e se levantam contra cristãos que trabalham com psicologia. Esses críticos cristãos têm um entendimento errado sobre a psicologia. Alguns não conseguem perceber que mesmo em teologia, interpretação bíblica, arqueologia bíblica, educação cristã, métodos de pregação e em outros campos do cristianismo há líderes que são tão liberais, anticristãos e não bíblicos quanto alguns psicólogos seculares. Em todas as áreas, incluindo a psicologia, precisamos clamar ao Espírito Santo para nos capacitar a discernir o que é e o que não é de valor e consistente com as Escrituras. Com frequência descartamos o campo inteiro da psicologia por causa de algumas partes perniciosas. Contudo, não fazemos isso com a teologia nem com a erudição bíblica.
 
Mártir é aquele que valoriza mais a fidelidade do que a liberdade (julho/agosto de 2003)
Entrevistado: Anne van der Bijl, conhecido no mundo inteiro como Irmão André, 84 anos, casado. É um homem especial e exerce um ministério “sui generis”. Organizou a Open Doors With Brother Andrew (1955), agência missionária dedicada primariamente à distribuição da Bíblia em países fechados ao evangelho, com obreiros em quatro continentes, e a Missão Portas Abertas.
 
Quantos exemplares da Bíblia o senhor e sua equipe introduziram ocultamente nos países da antiga URSS durante a Guerra Fria?
 
Não tenho números exatos. Mas posso falar em muitos milhões. Fizemos isso durante quase quarenta anos.
 
A editora americana Crossroad acaba de publicar o livro The Catholic Martyrs of the Twentieth Century [Os mártires católicos do século 20], de Robert Royal. Há tantos mártires assim no século 20, a ponto de encher as páginas de um volumoso livro?
 
Não conheço este livro e gostaria de lê-lo. Sou fã do “Livro dos Mártires”, do historiador e martirólogo inglês John Foxe, publicado em 1563. Ele conta a história dos mártires principalmente da Idade Média. Mas eu discordo da definição que se dá hoje em dia à palavra “mártir”. Nem todo cristão palestino ou israelense vítima de ataques terroristas é um mártir. Prefiro dizer que é vítima, o que é muito diferente de mártir. Entendo que mártir cristão é aquele que é preso, ameaçado e torturado por causa da fé pessoal em Jesus Cristo, a respeito do qual dá veemente testemunho por meio de palavra e de obras. Quando lhe oferecem a liberdade em troca da negação de Jesus, ele prefere continuar preso e morrer.
 
Avivamento envolve humilhação, arrependimento, dependência e oração (novembro/dezembro de 2005)
Entrevistado: Philip Yancey, 63 anos, jornalista e teólogo. É autor de mais de vinte livros, dos quais muitos já foram publicados no Brasil. É casado e vive no Colorado, Estados Unidos.
 
Em recente entrevista, o senhor declarou que “a Igreja está mais propensa a afastar as pessoas de Deus do que a aproximá-las dele”. Por quê?
 
Não é nenhuma surpresa que isto esteja acontecendo. Entretanto, esta é uma oportunidade que Deus está nos dando para fazer algo em favor da igreja. Se observarmos a história eclesiástica, sempre que há um cenário ruim, Deus envia pessoas para trabalharem em sentido contrário.
 
Segundo John Vaughan, do centro de pesquisas Church Growth Today, uma nova megaigreja aparece nos Estados Unidos a cada dois dias e o número dessas igrejas saltou de cinquenta para 880 nos últimos 25 anos. Isso é avivamento?
 
A maioria das pessoas que vão a essas megaigrejas já estiveram em outras igrejas e estão à procura de entretenimento: grandes shows, grandes pregações, um grupo de louvor “melhor” etc. Avivamento envolve humilhação, arrependimento, dependência, oração. Enquanto eu não vir o meu país caminhando para esta direção, eu hesitarei em chamar esse crescimento das megaigrejas de avivamento. As igrejas americanas são muito boas em oferecer entretenimento, mas eu não considero isso avivamento.
 
O presente é sempre inconcluso e espera a revelação do futuro (setembro/outubro de 2006)
 
Entrevistado: Justo L. Gonzalez, nascido em Havana, 75 anos. É bacharel em teologia pelo Seminário Evangélico de Matanzas, em Cuba, e doutor em filosofia na área de teologia histórica pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. É casado com a professora de história Catherine Gunsalus Gonzalez e mora em Atlanta, Geórgia, Estados Unidos. É autor de vários títulos de história, alguns deles publicados no Brasil, como “Uma História Ilustrada do Cristianismo” (dez volumes), “Uma História do Pensamento Cristão” (três volumes), “História Ilustrada do Cristianismo” (dois volumes) e “Cristianismo na América Latina”.
 
Em 1985, portanto há mais de vinte anos, o senhor escreveu o último volume de Uma História Ilustrada do Cristianismo, intitulado A Era Inconclusa. Quais seriam os desafios do mundo moderno não mencionados nesse volume?
 
Naturalmente, temos de falar, antes de tudo, dos desafios da pós-modernidade. Os metarrelatos da modernidade perdem força rapidamente. Isso libera a teologia e a igreja do racionalismo progressista e ultraotimista da modernidade. Porém, ao mesmo tempo, nos coloca o desafio de redescobrir o que é ser Igreja obediente a Cristo numa era em que os metarrelatos parecem se desfazer.
 
O segundo desafio é descobrir como ser uma só Igreja quando essa Igreja faz parte de grande variedade de contextos e culturas. Hoje a maioria dos cristãos já não está no norte do Atlântico, e sim no hemisfério sul. Muitos cristãos pertencem a igrejas autônomas cujas práticas, organização e rituais contrastam com os das igrejas do norte do Atlântico. Como aceitar uns aos outros como irmãos em Cristo quando temos diferenças tão profundas entre nós? É necessário incluir uma reflexão cuidadosa sobre o pentecostalismo e sua relação com as igrejas tradicionais. O terceiro é compreender melhor o Islã e sua relação com o cristianismo e o judaísmo.
 
Haverá um 11º volume de sua História do Cristianismo? Temos acontecimentos suficientes para encher mais duzentas páginas da história destes últimos vinte anos? Como o senhor chamaria a era atual?
 
Sim, temos material para escrever mais de 2 mil páginas. O problema é que, quanto mais perto estamos dos acontecimentos, mais difícil é medir sua importância. O século 21 está muito perto de nós, que vivemos nele. Por isso é tão difícil saber a importância que terão a Guerra do Iraque ou as últimas eleições em uma grande potência, ou algum debate entre as igrejas. Neste caso, o volume 10 passaria a ser “A Era das Grandes Transições” e o 11 seria “A Era Inconclusa”, porque o presente sempre é inconcluso, sempre espera a revelação do futuro.
 
O mundo da fantasia: sempre fantasiamos o que não temos e não somos... e gostaríamos de ter e ser (maio/junho de 2007)
 
Entrevistada: Gina Strozzi, psicóloga, teóloga e professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. É casada com o pastor Augusto Nicolau e mãe de um menino.
 
O que é fantasia em psicologia?
 
É um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não podem ser realizados. A fantasia é criada pelo inconsciente para dar a ideia de satisfação, a qual substitui a satisfação real. Na verdade, a fantasia é uma síntese de ideias, sentimentos, interpretações e memória, com predomínio de elementos instintivos e afetivos. Por meio da satisfação substituta e da omissão da realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a angústia. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal, e dificultar o enfrentamento dos problemas concretos.
 
Em sua opinião, o ser humano está sujeito à fantasia em outras áreas da vida [que não o sexo]? Quais?
 
Sim, sempre fantasiamos o que não temos e não somos, e gostaríamos de ter e ser. Isso é mais recorrente do que imaginamos. Atos cotidianos como ler uma história infantil para nossos filhos com um belo fundo moral ou ver um filme de romance com final feliz alimentam inconscientemente as fantasias de possuir uma vida perfeita, e isso em si não é ruim. As fantasias podem nos motivar a buscar não “algo perfeito”, mas a satisfação. O que ocorre e é perigoso é que “pegamos emprestados” valores, conceitos e modelos de felicidade e satisfação de novelas e romances, que geram em nós grandes frustrações. Quando nos sentimos frustrados e reprimidos tendemos a realimentar as fantasias. Diante disso, vemos o lado negativo da fantasia. O lado positivo delas é que buscam suprir as lacunas existentes em nossa vida afetiva, profissional, financeira etc., gerando motivação para alcançar objetivos traçados. Porém não devemos permitir que elas dominem nossa atividade real. A realidade precisa ser vivida e modificada com base na objetividade.
 
Sem a devida maturidade, o divórcio torna-se uma opção atraente e até inexorável (novembro/dezembro de 2007)
 
Entrevistada: Layla Maria Pontes Soares Cardoso. É carioca e trabalha há vinte anos como designer de interiores em Salvador, BA. Ela e o pastor e psicoterapeuta Amauri Munguba Cardoso casaram-se com a mesma idade – aos 24 anos – em 1978. O casal tem duas filhas.
 
Mesmo em nossos dias, muitos jovens evangélicos se casam com um enorme entusiasmo e não têm a menor dificuldade de se comprometerem mutuamente por toda a vida. Ao mesmo tempo, tem havido não poucas separações e não poucos divórcios em nossas igrejas. Como entender essa discrepância?
 
Viver é um desafio; conviver, embora seja mais gratificante do que estar só, torna esse desafio ainda maior. O desejo de se casar permanece entre os jovens, mas ele não elimina o interesse por algumas questões como estabilidade profissional e financeira, no intuito de diminuir fatores que comprometam a mutualidade dos votos. Percebo entusiasmo, sim, mas também crescente consciência de que construir um bom relacionamento não é fácil; às vezes é muito difícil. As separações não negam o esforço por concretizar o ideal de um casamento bemsucedido. Na verdade, evidenciam a existência de limites que obstruem a plenitude desta realização. Em minha opinião, o limite mais comprometedor está no pensamento dos jovens de que o casamento vem para absoluto desfrute e não, antes de tudo, para crescimento a dois. Em nossa cultura, a ideia de crescimento não está vinculada ao casamento e soa sempre como algo desinteressante. Em 1 Coríntios 13, vemos a trilha para um amor maduro atrelado ao abandono das coisas próprias de menino. O crescimento, depois do amor, é a palavra-chave. A disposição para investir no crescimento alarga os limites da vida pessoal e conjugal, e aproxima o casamento da realização dessa mutualidade para a vida toda.
Tem-se afirmado que a indissolubilidade do casamento proclamada por Jesus Cristo era um ideal, não uma lei. Ou que o divórcio não é um ideal, é uma realidade. A senhora concorda?
 
Acredito que a indissolubilidade do casamento é uma lei ideal que desafia os casais a crescer no relacionamento, a aperfeiçoar o amor e a caminhar dia a dia para alcançar este alvo. O divórcio é a constatação, no mínimo, de que os limites têm sido grandes para atingir o alvo. Essa meta, por difícil que, às vezes, pareça, não está contra nós, mas a nosso favor. Porém, sem encarar a meta do crescimento conjunto, do homem e da mulher, a realidade do divórcio tem se instalado como opção atraente e até inexorável. Para a indissolubilidade do casamento atrair mais, os parceiros precisariam ver esse alvo como aprendizes de uma grande lição, em conteúdo e em tempo. Deveriam encarar o casamento como um precioso espaço para viver todas as graduações mútuas, de glória em glória, até ser dia perfeito.
 
O inverso da cultura: é preciso viver com simplicidade para que os outros simplesmente vivam (março/abril de 2008)
 
Entrevistado: Viviam Lawrence Grigg, mais conhecido como Viv Grigg, 62 anos, de etnia europeia, nascido em Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia. É uma das maiores autoridades do mundo na área de missão entre os pobres. É mestre em missiologia pelo Fuller Teological Seminary, na Califórnia, e doutor em teologia pela Auckland University, na Nova Zelândia. Morou muitos anos numa miserável favela na cidade de Manila, nas Filipinas. É casado com a missionária brasileira Ieda, da Igreja Metodista Livre.
 
O que o senhor chama de missão integral?
 
A missão integral também é uma teologia da classe média. As igrejas históricas precisam ouvir a voz das igrejas entre os pobres, pentecostais em sua maioria. Elas não falam sobre missão integral, mas fazem missão integral. Aos poucos ajudam cada pessoa em suas necessidades e restauram a sua dignidade e seu papel na vida cotidiana da igreja. Elas falam sobre o Espírito Santo e seu poder de produzir reavivamento. E reavivamento tem efeitos econômicos, pois é uma força transformadora. A proclamação do evangelho no poder do Espírito é o que causa a transformação. A transformação deve acontecer nos âmbitos político, econômico e social. É preciso fazer conexão entre o capítulo 2 – a descida do Espírito – e o capítulo 4 – a partilha dos bens – do livro de Atos. Quando o Espírito vem, todos se juntam economicamente falando. Aí está o fundamento da economia cooperativa: os mais ricos ajudando os mais pobres para todos terem uma vida digna.
 
As favelas da Ásia, da África e da América Latina têm características próprias, são diferentes entre si?
Geralmente as favelas têm características comuns. As diferenças se devem às cidades. Aqui na América Latina as favelas não são tão pobres como na Índia. A pobreza na Índia parece ser dez vezes mais grave do que no Brasil. Nas favelas africanas, o problema maior é a aids. Tanto no Rio de Janeiro como em Nova Guiné, há muita violência. Eu diria que a corrupção governamental gera a situação de violência no Brasil. Já em Nova Guiné, o maior problema é o desemprego, pois a maioria da população que vive em favelas é masculina e sem trabalho.
 
As duas mortes do Cabo Bruno
 
“O Cabo Bruno morreu quando bateu de frente com alguém mais valente do que ele.”
Quem escreveu isso, do próprio punho, foi exatamente o Cabo Bruno. Como, porém, pode uma pessoa, depois de morta, falar sobre sua morte?
 
Em carta ao diretor-redator de Ultimato, datada de 11 de julho de 2006, talvez o mais conhecido criminoso do país escreveu o seguinte:
 
“Amado pastor, meu nome é Florisvaldo de Oliveira, mais conhecido como ex-Cabo Bruno, pois o Cabo Bruno morreu quando bateu de frente com alguém mais valente do que ele: o Senhor Jesus Cristo. Isso foi em junho de 1991. Desde então, sirvo ao meu Senhor com alegria, dedicação e fidelidade. Após 15 anos [de crente], pela graça de Deus estou vivo, pois ele me guardou até aqui. Hoje, como evangelista e capelão, sou responsável pelo trabalho do reino de Deus aqui na Penitenciária Dr. José Augusto César Salgado [em Tremembé, na cidade de São Paulo], juntamente com o pastor Wanderlei Vieira Pinto.”
 
É verdade, o Cabo Bruno morreu duas vezes. Em 1991, aos 33 anos – a idade com que Jesus morreu –, morreu para o crime. No dia 26 de setembro de 2012, 21 anos depois e com a idade de 53 anos, morreu de fato, na porta de sua casa em Pindamonhangaba, no momento em que voltava de um culto evangélico.
 
Nessa mesma carta, Florisvaldo agradece os livros e a assinatura de Ultimato, que ele recebeu no início do processo de conversão.
 
Por ter preenchido o formulário “Informações carcerárias”, o ex-Cabo Bruno forneceu os seguintes dados:
 
• “É mais difícil ser crente fora do que dentro do presídio.
 
• Como policial militar, me tornei justiceiro e cometi dezenas de homicídios. Minha pena é de 120 anos.
 
• Moro numa cela individual de 2x4 metros. Minha rotina é oração e leitura da Bíblia pela manhã; oração, leituras e almoço na hora do almoço; oração, leitura, redação de cartas e pintura de quadros à noite. Tomo quatro refeições por dia, me exponho ao sol uma vez por dia no pátio e tenho assistência médica e remédios.
 
• Fui batizado no dia 11 de novembro de 2002. Sou membro da Igreja Evangélica Sarça Ardente. Temos aproximadamente 110 evangélicos aqui no presídio. Durante a semana temos ensaios do coral, dos grupos de louvor e reuniões de oração. Os cultos são somente aos finais de semana. Temos seis denominações fazendo a obra de Deus aqui. A princípio nos reuníamos ao relento, no pátio, sob sol ou chuva. Mas, graças a Deus, em 2004, construímos uma capela de 8x15 metros, com duas salas e dois banheiros. Eu mesmo arrecadei dinheiro dos presos todos os meses para esse fim. A administração do presídio e algumas igrejas nos ajudaram.
 
• Sou divorciado.” 
 
Em julho de 2008, seis anos depois do batismo, numa cerimônia realizada na capela da penitenciária, o ex-Cabo Bruno casou-se com a cantora gospel Dayse França, uma das pessoas que visitavam a prisão para pregar o evangelho.
 
No dia 23 de agosto de 2012, depois de cumprir um quarto dapena, Florisvaldo foi beneficiado por um decreto do governo federal que concede perdão aos condenados que ficam presos por mais de 20 anos consecutivos e têm bom comportamento. Um mês e três dias depois de ser libertado das grades, o ex-justiceiro, “um dos personagens mais polêmicos da crônica policial”, recebeu vinte tiros disparados por dois desconhecidos e morreu na hora. Dayse França estava ao lado dele!
 

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