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Seções — Entrevista

“O sexo é parte da “boa criação” de Deus”

Nos dias 13 a 15 de setembro, em Manaus, AM, durante o 4º Congresso Evangélico Nacional de Profissionais da Saúde (CENPS), realizado junto com o 7º Encontro RENAS, uma das oficinas oferecidas (e bem frequentada) foi “Celebrando a sexualidade: algumas sugestões para melhorar a sexualidade no matrimônio”. O preletor foi o médico e sexólogo Jorge Patpatian, fundador da Asociación Cristiana Uruguaya de Profesionales de la Salud (ACUPS) e responsável pela Editora ACUPS. O doutor Jorge dá palestras sobre saúde a partir da perspectiva cristã no Uruguai e no exterior, e é autor de vários livros, entre eles “A Responsabilidade dos Pais na Educação Sexual dos Seus Filhos”, publicado no Brasil em parceria com a Editora Missão Oikos. Casado com Anahid e pai de Sergio, Jorge Patpatian mora em Montevidéu, no Uruguai, e é membro da Igreja Evangélica Armênia. Por ocasião do 4º CENPS, ele deu esta entrevista exclusiva a Ultimato. 
 
O senhor acredita que nos últimos anos a igreja evangélica mudou sua postura e seu discurso com relação à sexualidade, que muitas vezes enfatizam os aspectos negativos?
 
Acredito que a igreja evangélica melhorou sua prática e seu discurso sobre assuntos relacionados à sexualidade. Tradicionalmente, a ênfase era advertir e ressaltar os aspectos negativos do sexo fora do casamento. Nos últimos anos, começamos a enfatizar não somente os limites e as práticas sexuais fora da ética bíblica e cristã, mas também os aspectos positivos do sexo dentro do casamento. Ainda há muito para mudar. Devemos começar a exaltar os aspectos benéficos de uma vida sexual saudável, sempre dentro do contexto matrimonial.
 
De que forma as igrejas podem agravar dificuldades de seus membros na área sexual?

Nossas comunidades de fé podem agravar os problemas de seus membros na área sexual em diversas situações. Em primeiro lugar, quando não se fala do assunto, tratando-o como tabu ou escondendo-o do púlpito. Também quando só se enfatizam os aspectos negativos e imorais da sexualidade. Existem, sim, comportamentos sexuais imorais à luz da Palavra de Deus, mas devemos enfatizar que o sexo é criação de Deus (Gn 1.27-28) e faz parte da boa criação de Deus (Gn 1.31). Além disto, podemos nos deparar com maiores conflitos ao tratar da sexualidade quando a igreja não tem capacidade para ensinar, exortar e aconselhar sobre sexo, principalmente crianças e adolescentes, bem como para assessorar os pais sobre como influenciar positivamente a sexualidade dos filhos. E, finalmente, podemos provocar dificuldades quando a igreja não tem capacidade para restaurar, perdoar e levantar seus integrantes que caem em condutas sexuais inapropriadas.
 
Que conselhos o senhor dá ao casal cristão para desfrutar de forma mais completa da bênção da sexualidade?
 
A sexualidade humana é parteda boa criação de Deus e é uma bênção dentro do casamento. Por este motivo, é importante abordar este aspecto da vida conjugal.
Para ter uma vida sexual satisfatória dentro do casamento devemos compreender que o sexo tem quatro dimensões básicas:
 
“O sexo tem uma dimensão física”. É preciso procurar manter uma vida física saudável. Há fatores de risco relacionados à saúde física que podem perturbar a vida sexual dentro do casamento, como, por exemplo, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, vícios em tabaco ou álcool. Um bom estado físico contribui para uma vida sexual satisfatória. O climatério e a menopausa -- no caso da mulher -- e a andropausa -- no caso do homem -- também podem afetar a sexualidade. Assim, torna-se igualmente importante cuidar da saúde nesta etapa da vida.
 
“O sexo tem uma dimensão psicológica”. A sexualidade no matrimônio também é afetada por fatores emocionais. A autoestima e a imagem pessoal de cada cônjuge afetam a sexualidade. Quando uma pessoa apresenta uma baixa autoestima, isso é um fator negativo para sua vida sexual. Por exemplo, se uma mulher não se sente feminina e tem uma baixa autoestima, provavelmente terá dificuldades sexuais. O estresse e a depressão também afetam a vida sexual. Qualquer perturbação relacionada ao estado de ânimo deve ser tratada adequadamente.
 
“O sexo tem uma dimensão afetiva”. Para enriquecer a vida sexual é necessário dispensar atenção ao vínculo com o parceiro. Deve-se atentar para o grau de comunicação em quantidade (tempo suficiente para estarem juntos) e qualidade. A forma como os cônjuges se comunicam um com o outro durante o dia é um fator decisivo para se comunicar bem à noite durante o ato sexual. Casais que têm dificuldades na comunicação têm também dificuldades sexuais. Aceitar, respeitar,
escutar e valorizar os sentimentos do cônjuge, considerar e satisfazer as necessidades emocionais do outro por meio de bons vínculos são fatores decisivos para o êxito sexual. Uma comunicação empobrecida resulta em uma vida sexual empobrecida. O vínculo perfeito entre duas pessoas é o amor. Quando existe amor no casamento existe uma boa vida sexual. E, se surgem dificuldades na vida sexual, mas há amor, elas podem ser superadas.
 
Mostrar afeto e carinho por meio de beijos e carícias com frequência, dispor de tempo para o sexo, considerar as necessidades sexuais do parceiro e praticar habitualmente o sexo são elementos que enriquecem a intimidade conjugal.
 
“O sexo tem uma dimensão espiritual”. É muito importante reconhecer que conceito temos da sexualidade. O que é o sexo para nós? Aceitamos nossa sexualidade a partir de uma perspectiva bíblica? Ou pensamos que é algo mau e vergonhoso? Ter um conceito adequado do ponto de vista bíblico acerca da sexualidade melhora a intimidade conjugal.
 
Finalmente, devemos considerar algumas orientações mencionadas pelo apóstolo Paulo em 1Coríntios 7.1-5: 1) manter relações sexuais dentro do casamento em observância ao dever conjugal; 2) ter relações sexuais de forma frequente; 3) observar o consentimento mútuo como chave para praticar uma sexualidade saudável, não fazendo nada que incomode ou desagrade o outro; 4) evitar relações sexuais somente para se dedicar à oração, se ambos estiverem de acordo e por pouco tempo; 5) estar atentos às tentações sexuais fora do casamento; 6) permanecer fiéis, cuidando para não cair em tentação.
 
Seguramente, quando seguimos estas sugestões podemos melhorar nossa vida sexual e, quando surgirem dificuldades nesta área, devemos buscar ajuda e recorrer ao conselho de outras pessoas para superá-las.
 
Recentemente, um psicólogo cristão declarou que a luta da igreja contra a “normalização” da homossexualidade, embora necessária e legítima, é um luta perdida, no sentido de que este é um caminho inexorável da sociedade. O senhor concorda com tal afirmação?

Quanto à homossexualidade, a igreja deve sempre ensinar e pregar o que diz a Palavra de Deus. A Bíblia ensina que o vínculo amoroso entre duas pessoas deve ser heterossexual, monógamo e por toda a vida. É uma relação única, responsável e fiel entre duas pessoas de sexos diferentes e de igual geração. Isto implica uma luta contra toda “normalização” que a sociedade promova. Contudo, devemos continuar pregando a mensagem de Deus e sua vontade, que será sempre o melhor para o ser humano. Por esse motivo, ainda que pareça uma luta perdida, devemos continuar comunicando a mensagem de Deus. Da mesma forma, em tempos antigos, os profetas tiveram de transmitir mensagens que pareciam fora de lugar, ou “retrógradas”, mas igualmente comunicavam a vontade de Deus. Nós sabemos que no fim o reino de Deus será implantado na terra e a verdade prevalecerá.
 
Qual é a atitude mais acertada da igreja com relação aos seus membros e congregados homoafetivos?

Primeiramente, devemos aceitar nossos irmãos homossexuais sem discriminação. Deus ama os homossexuais tanto quanto ama os bissexuais ou heterossexuais. Nós também devemos amar todas as pessoas sem discriminar ou julgar sua orientação sexual. Em segundo lugar, devemos ensinar que a pessoa homossexual deve abandonar a conduta homossexual. O que a Bíblia condena é a conduta homossexual, e não a orientação sexual. Uma pessoa homossexual que se converte a Cristo deve abandonar as práticas homossexuais, da mesma forma que o heterossexual que se torna cristão deve abandonar as práticas heterossexuais fora do casamento. Finalmente, cremos que o homossexual pode mudar sua orientação sexual, ou seja, seus afetos e desejos homossexuais. É um processo lento, gradual, que exige tempo, compreensão e ajuda da igreja. Contudo, é um processo possível. Neste sentido, não compartilho da ideia de que a homossexualidade é uma “condição genética e impossível de mudar”. Eu acredito que uma pessoa pode mudar sua orientação sexual.

>> Esse artigo faz parte do conteúdo oferecido como "Mais na Internet" da edição 372, que tem "Sexo Estragado" como matéria de capa. Para ler os outros artigos, clique aqui.

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