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Colunas — O caminho do coração

Lembranças que inspiram: um tributo a Dom Robinson Cavalcanti

Ricardo Barbosa

“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram” (Hb 13.7).
 
Sempre admirei Dom Robinson Cavalcanti. Gostava de ouvi-lo. Impressionava-me sua capacidade de integrar todo o vasto conhecimento que tinha com a teologia, e preservá-la no centro. Poucos conhecem e sabem interpretar a história como ele. No Congresso de Lausanne, em 2010, na Cidade do Cabo, África do Sul, um dos bons momentos era quando chegava ao hotel, depois de um dia intenso de palestras, sentava com o bispo para uma leve ceia e ouvia suas impressões sobre o dia. Sentirei muito a falta dele.
 
Sempre fui cauteloso. Venho de uma formação bastante conservadora e reconheço minha dificuldade de me aventurar em territórios novos. Dom Robinson foi um guia habilidoso, que me ajudou a pensar, questionar e, algumas vezes, mudar de opinião sem transigir meus valores e convicções. Cresci ao lado dele. Nunca o vi agindo ou falando irresponsavelmente, ou provocando pelo simples prazer de provocar. Sua disposição honesta para conversar e debater o que quer que seja me dava segurança.
 
Ao considerar sua vida e a fé que viveu, algumas virtudes, entre tantas, me são muito caras e desejo imitá-las. Dom Robinson sempre foi um crítico da igreja, mas nunca deixou de amá-la e servi-la. Sempre acreditou nela. A última vez que estivemos juntos foi no encontro organizado pela Aliança Cristã Evangélica, em Brasília, em novembro de 2011. Lá estava ele apoiando a Aliança, nos animando na nova tentativa de dar à tão desgastada e desacreditada igreja evangélica brasileira uma identidade. A despeito das dificuldades e até das perseguições que enfrentou em sua própria igreja, permaneceu nela, “reforçando as trincheiras”, sustentando a fé bíblica, histórica e ortodoxa abraçada pelo povo de Deus. Um evangélico que nunca desistiu da igreja. Quero imitar isto.
 
Uma outra virtude que chama minha atenção é o fato de nunca ter visto ou ouvido o bispo se vitimar. Apesar de tudo o que enfrentou nos últimos anos, ele agiu com grandeza e abertura para o debate honesto. Nunca o vi se levantar para falar daqueles que o perseguiam, choramingar a incompreensão dos que o criticavam, vender a imagem de uma vítima do sistema ou da intolerância. Dom Robinson não se fazia de vítima, pelo contrário, enfrentava com firmeza e honestidade as lutas que travava. Quero também imitar esta virtude.
 
Ouço muitos afirmarem que ele foi um homem à frente do seu tempo. Seu papel de dar à igreja evangélica brasileira uma consciência política e social lhe custou muitos desafetos. No entanto, sua fé reformada, sua submissão a Cristo e a convicção na autoridade bíblica se fortaleciam à medida que as pressões cresciam. Esta habilidade de integrar o passado, o presente e o futuro é reservada aos profetas: construir o futuro sem abandonar os alicerces do passado, ser ousado sem abrir mão da tradição. Esta combinação madura e esta coragem profética, quero também imitar. 
 
Por fim, quero lembrar estas palavras do pastor Luiz Souza de França, no sermão das exéquias do bispo Robinson: “Foi humano na mais contundente expressão gramatical. Riu e chorou. Teve altos e baixos. Acertou e errou. Mas jamais se afastou da sã doutrina. Jamais fez concessões à ortodoxia, à piedade, à honestidade. Jamais fugiu do seu dom de profeta”. Precisamos seguir nos lembrando dos nossos líderes, considerando a vida que tiveram e imitando sua fé. Todos foram humanos como nós em seus acertos e erros, mas nos deixaram exemplos que nos inspiram e animam a seguir a carreira que nos foi proposta por Jesus Cristo, nosso Senhor.
 
• Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

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