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Especial — --

A redenção do sertão nordestino

Entre os dias 19 e 24 de março, aconteceu na cidade de Juazeiro do Norte, CE, o Congresso Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino. Com 979 inscritos, o congresso reuniu muitos obreiros de ministérios inseridos nos sertões de diversos estados do Nordeste brasileiro e gente de todo o Brasil. Um terço do público era formado por mulheres e menos de 10% dos inscritos eram jovens com até 21 anos. Nas reuniões da noite, o público era maior. Além destes, cerca de 1.400 pessoas assistiram às reuniões pela internet. 
 
O congresso foi uma iniciativa do Movimento Nacional para a Evangelização do Sertão Nordestino (MNESN), que agrupa vários ministérios e igrejas com atuação no Nordeste. O pastor Jonathan dos Santos, fundador da Missão Antioquia e do Vale da Bênção, é o grande inspirador do movimento. A programação foi desenvolvida por meio de devocionais matutinas com o tema “Façam Discípulos”, ministradas por Barbara Burns, José João, Abe Huber e Edson Queiróz, momentos de adoração e louvor e palestras. Carlos Queiroz, Antônio Márcio, Siméia Meldrun, Cesário de Paula, Cirino Refosto, John Medcraft, Aurivan Marinho e Sérgio Ribeiro foram os palestrantes. As tardes foram reservadas para a realização de mais de vinte seminários com temas variados: história do sertão nordestino, estratégias de evangelização, formação de obreiros, empresas voltadas para o reino de Deus, grupos pequenos e igrejas em casas, literatura bíblica, projetos com crianças e adolescentes, meio ambiente, indígenas e quilombolas, exploração sexual, entre outros.
 
A oração foi uma das marcas do congresso. A cada toque de trombeta, os participantes eram convidados a ajoelhar e orar. Uma sala de oração esteve ativa durante todo o tempo do evento, além de vigílias que antecederam o congresso.
 
Os objetivos do movimento 
O movimento pretende mobilizar a igreja brasileira para a construção e efetivação de um grande plano evangelístico para a região do sertão nordestino. Os alvos são ousados: almeja-se a implantação de dez mil igrejas até 2022, o que significa 83 igrejas por mês ou 2,7 por dia. Outros eventos previstos para 2013 são o Congresso de Mulheres e o Congresso Nacional de Jovens, ambos em Juazeiro do Norte. Para julho de 2014 está agendado um novo Congresso Nacional de Evangelização do Sertão Nordestino, em Petrolina, PE.
 
Por que a ênfase no sertão nordestino?
Há algum tempo, algumas organizações -- reconhecendo que historicamente houve pouca atenção da igreja brasileira para o Norte e Nordeste do Brasil -- têm se voltado proativamente para estas regiões. A divulgação de pesquisas colocando em evidência a condição precária do anúncio do evangelho e do desenvolvimento social, o intercâmbio de pessoas das regiões Sul e Sudeste no sertão, principalmente por meio de trabalhos itinerantes de jovens, contribuíram para que os olhares se voltassem para o sertão.
 
Alguns índices sobre o panorama da evangelização da região, divulgados pelo próprio congresso: a região do semiárido, correspondente a 11% do total do território, com 36 milhões de pessoas, localizada entre os estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e extremo norte de Minas Gerais, é composta por 1.133 municípios, com cerca de 11 mil vilas sem nenhum testemunho evangélico efetivo. Das 485 cidades brasileiras com menos de 3% de evangélicos, 343 estão no sertão nordestino. Dos 222 municípios brasileiros com menos de 2% de evangélicos, 138 estão no Nordeste; na região há setenta cidades com menos de 1% de evangélicos. Portanto, trata-se da região menos evangelizada do Brasil.
 
Além disso, 50% das crianças pobres do Brasil vivem no Nordeste (ou seja, 66% das crianças do Nordeste); a taxa de analfabetismo da região é quase o dobro da média do restante do país (mais de 19% da população é analfabeta); a região possui a menor expectativa de vida do Brasil (69 anos), tem o menor percentual de saneamento e apresenta a maior taxa de desemprego e de trabalhadores que recebem menos de um salário mínimo por mês (cerca de 41% da população).
 
Desafios
Estas iniciativas e o olhar de toda a igreja brasileira para a região devem ser celebrados com entusiasmo. De forma geral, há unidade de propósito. No entanto, há desafios para os quais é preciso estar alerta. 
 
-- A ênfase à proclamação do evangelho é muito bem-vinda, mas não se pode esquecer que as boas novas são mais do que a salvação da alma. Um grupo de pessoas presentes ao congresso escreveu uma carta à liderança ressaltando este aspecto. É preciso reconhecer que a programação do congresso não descuidou deste item: além dos diversos seminários sobre o assunto, os testemunhos da Ação Evangélica, da Igreja no lixão de Olinda, do ministério da Juvep e outros relataram ricas experiências de missão integral do sertão.
 
-- Os modelos e as estratégias de evangelização e implantação de igreja mostram-se muito atraentes em um momento como este. Corre-se o risco, em busca de crescimento numérico, de dar-lhes ênfase demasiada ou abrir mão de alguns valores. “Nós desejamos que sejam implantadas igrejas saudáveis, bíblicas e cristocêntricas”, reforçou Sérgio Ribeiro, diretor da Juvep.
 
-- Com a ‘invasão’ de organizações e líderes de fora, é preciso cuidar para que não haja uma desvalorização da história e das ações da igreja da região. O mapeamento das ações já realizadas e das necessidades, proposto pelo próprio movimento, tem de ser levado a sério e conduzido com calma e com a participação efetiva de gente da região. De início, é preciso reconhecer a existência da riqueza local: estratégias, recursos, lideranças, reflexão bíblico-teológica, experiências e histórias. O pastor Edson Queirós advertiu: “Não podemos entrar no sertão com as nossas estratégias que funcionam no Sul e Sudeste, não podemos esquecer a nossa história: irmãos que entraram neste sertão montados em jegues. Seremos continuadores desta história. Vamos colaborar e ouvir o sertanejo”.
 
-- O livro “O Grito do Sertão Nordestino” (veja pág. 61) ressalta a importância de se levar em conta na missão a cosmovisão do sertanejo. Abrir mão disso seria um desrespeito à missão e ao modelo encarnacional de Cristo. Uma missiologia sadia, já disponível no Nordeste, pode ser um guia para o movimento.
 
-- Não há dúvida de que a evangelização do sertão passará pela questão da idolatria, mas uma ênfase demasiada neste aspecto pode gerar um discurso desnecessariamente belicoso. No envelope de recolhimento de oferta para o movimento lê-se: “Unidos para conquistar todo este território para o reino de Deus”; também cita-se Josué 1.3: “Todo lugar que pisarem os pés eu darei a vocês”. A própria escolha de Juazeiro do Norte como sede do movimento e a ênfase dada em falas como “do centro da idolatria para o centro da evangelização” evidenciam essa tendência.
 
-- O congresso reuniu denominações e grupos com correntes teológicas muito diferentes entre si. Foi uma oportunidade de viver a unidade, aproximar-se, vencer preconceitos, exercitar a tolerância. No entanto, uma inclusão abrangente demais pode vir a ser um grande problema. O movimento dificilmente conseguirá abrigar visões teológicas e estratégias conflitantes entre si e não poderá desprezar a necessidade de optar por um ‘modelo’ de evangelização coerente com seus princípios, ainda que não deixe de valorizar as diferentes expressões naquilo que não for essencial.
 
Em 1997, Ultimato dedicou 29 páginas da edição de setembro ao tema “A Redenção do Nordeste” -- água e reforma religiosa, com a participação de vários líderes da região. Um dos artigos termina com estas palavras: “O Brasil evangélico tem uma dívida com o Nordeste que precisa ser paga”. Possivelmente é isto que estamos fazendo agora, e que seja feito da melhor forma possível. Que os líderes do sertão nos apresentem as suas necessidades e que nós respondamos a elas. Que estejamos dispostos a apoiá-los com recursos, orações e encorajamento. E que -- como nos primeiros dias da Igreja de Cristo -- o Espírito Santo seja o protagonista.

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