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Edição 334
Janeiro-Fevereiro 2012
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Certa igreja cristã tinha um órgão de tubos, um sistema de som sem defeito, o mais sofisticado “datashow” e duas telas grandes, uma à direita do púlpito e outra à esquerda, além de uma tela pequena voltada para o ministro oficiante. Para os membros e visitantes falantes de outras línguas havia fones de ouvido com tradução simultânea do inglês para seis diferentes idiomas (português, francês, alemão, russo, chinês e coreano). Os deficientes auditivos tinham como captar a liturgia e o sermão, graças a um simpático e jovem casal que se comunicava com eles por meio da linguagem de sinais. O coro era formado de mais ou menos cem pessoas, todas de beca, em quatro cores diferentes (branco para os sopranos, azul celeste para os contraltos, vermelho para os tenores e marrom para os baixos). Uma mulher bonita e elegante era a regente. Eles conheciam e cantavam quase todas as cantatas de Johann Sebastian Bach. Uma orquestra de câmara tocava o prelúdio, acompanhava os hinos congregacionais e, às vezes, acompanhava também o coro. O regente da orquestra era um senhor de meia-idade que usava um rabicho que combinava com as longas abas de seu fraque. Os bancos eram almofadados e espaçosos, com um confortável estrado para os pés.
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Nelson Bomilcar, músico, compositor e produtor
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