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Colunas — Redescobrindo a Palavra de Deus

Testemunho que nutre

Eu viajo muito, e confesso que nem sempre é agradável. Muitas dessas viagens são monótonas e cansativas. Aeroportos caóticos, aviões lotados, conexões demoradas. E, ao chegar ao destino, quase sempre tenho de correr para o hotel, tomar um banho rápido e preparar-me para uma bateria de reuniões que acabam acontecendo em salas fechadas, longe da luz do sol. É tudo vapt-vupt. É chegar rápido e sair o mais depressa possível.
Às vezes, porém, sai uma viagem diferente, com tempo para conversar e ver de perto um pouco do trabalho que realizamos como Visão Mundial.

Há pouco tempo estive no norte da África e fui visitar, em um daqueles países, um centro comunitário em uma área totalmente muçulmana. Belas imagens dessa experiência ainda dançam diante dos meus olhos. Gente simples -- a maioria mulheres e crianças -- circula pelo local. Nos fundos há uma horta comunitária e à esquerda, um pequeno salão. Foi ali que ouvimos um claro recado da presidente da associação: “Vocês da Visão Mundial, ao concluírem o programa aqui, podem ir embora. Mas nós não iremos! E estamos preparados para dar continuidade ao trabalho”. Com essa palavra, grande parte do objetivo do nosso trabalho já havia sido alcançado.

No entanto, o que mais chama minha atenção é uma tenda bem na entrada. Debaixo dela estão sentadas, diante de uma refeição recém-preparada, muitas mulheres. É tudo muito simples: mantas estendidas, bacias e pratos espalhados pelo chão em meio a mulheres com indumentárias coloridas e quase todas de cabeça coberta. Há crianças por todo canto! São elas que abrilhantam o lugar, ainda com a boca lambuzada da comida que acabaram de receber.

Essas mães participam de um programa em que aprendem a preparar refeições nutritivas usando a matéria-prima à qual têm acesso, para que os seus filhos não vivam na subnutrição. Em seguida elas são acompanhadas em casa, onde preparam o alimento, e o nível nutricional dos filhos é monitorado. Fantástico! A mãe fica grata ao ver os filhos bem nutridos, a criança fica feliz porque está bem alimentada e Deus se compraz no que está sendo feito em seu nome.

Tenho procurado ler com mais atenção as passagens bíblicas nas quais Jesus encontra as crianças ou fala sobre elas. Cada vez mais me surpreende e encanta a forma como ele se relaciona com as crianças, o que diz a respeito delas e como podemos aprender sobre o reino de Deus com elas. Em um desses relatos, repetido nos três evangelhos sinóticos, Jesus pega um pequeno no colo e diz aos seus discípulos: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou” (Mc 9.36-37).

Para mim nunca foi fácil entender a relação entre “receber a criança” e “receber a Jesus”. Mas creio que ali, parado debaixo daquela tenda e junto àquelas mães e seus pequeninos, captei um pouco da lógica dessa palavra de Jesus. Olhando para as crianças, lembrei que são fruto do amor de Deus e são por ele conhecidas “desde o ventre materno”, como bem expressa Davi no Salmo 139. Olho para nós, adultos, e vejo que não nos resta outra alternativa senão receber essas crianças, marcadas pela confiança e vulnerabilidade. Aqui vejo a vulnerabilidade da subnutrição e a confiança de que receberão um alimento nutritivo que lhes dê condições de crescer saudáveis, segundo o desejo do coração de Deus. Jesus nos exorta a cuidarmos de cada criança, a recebê-las como vindas da mão de Deus e, em hipótese alguma, tornarmo-nos pedras de tropeço para elas. Deus conhece cada uma e quer ver todas elas cuidadas e amadas. A criança tem um coração voltado para Deus, e cabe a nós ajudá-la a nutrir esse anseio. Não sejamos autores de nenhum desvio de confiança no Deus que as criou e as ama.

Com os pés naquele chão, tomo consciência de que aquele nosso trabalho acontece em um país islâmico, onde não há liberdade nem espaço para o testemunho cristão verbal e aberto e onde a conversão é proibida por lei. Um lugar onde não se pode fazer uma oração em nome de Jesus ou ler uma história dos evangelhos para as crianças, como fazemos por aqui. Por isso vimos servindo àquelas crianças por muito tempo sem testemunho verbal. Como evangélicos que vivem em um país com liberdade de culto, o silêncio nos deixa nervosos e queremos logo ir abrindo a Bíblia. Ato falho! Isso é proibido e punido. Entretanto, isso não nos impede de continuar a servir àquelas famílias na busca de uma boa nutrição para as crianças. Nosso serviço e nossa vida são o nosso testemunho.

Saí de lá pensando que é exatamente isso que devemos fazer em lugares assim. E devemos fazê-lo com alegria e com muito amor às pessoas que vivem nessas comunidades. Saí de lá agradecendo o privilégio de servir a Jesus naquele lugar, na oração de que o façamos como um gesto de “receber a Cristo” em nossas próprias vidas e como um testemunho de Jesus naquelas terras e junto àquela gente tão amada por ele.
Quem sabe deveríamos aprender a fazer a “comidinha nutritiva” em muito mais lugares neste conflituoso mundo de Deus. Seria a boa nutrição um gesto de testemunho a Deus, cuja amorosa presença quer ser discernida no rosto de cada criança bem alimentada.

Valdir Steuernagel é pastor luterano e trabalha com a Visão Mundial Internacional e com o Centro de Pastoral e Missão, em Curitiba, PR. É autor de, entre outros, Para Falar das Flores... e Outras Crônicas.

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