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Colunas — Ponto final

Fios de prata

Em um desses tranquilos domingos, após a escola dominical, eu conversava com um irmão sobre as cordas que amarram uma pessoa a outra. Falávamos sobre as “cordas humanas” e os “laços de amor” de Oseias 11.4. O irmão achava a conversa muito espiritual. Pelo seu sorriso, percebi que “espiritual”, para ele, era sinônimo de ingenuidade ou romantismo.

-- Lá em casa as coisas são resolvidas de outra forma -- disse ele. Aliás, se eu fosse Deus, teria dado um jeito na “pouca vergonha” de Gômer [a esposa do profeta Oseias, apresentada como exemplo para a infidelidade de Israel].

Curioso com a desenvoltura do irmão, perguntei:
-- E o que você ganharia com isso? Tem certeza que na base da força conseguiria o amor de Gômer?

Ele respondeu:
-- Bem, o amor talvez eu não conseguisse, mas evitaria um belo “par de chifres”. Isso ela não me botava, de jeito nenhum. Mulher minha anda “na linha”.
A essa altura já formávamos uma roda, com pessoas perguntando sobre as relações entre pais e filhos, pastor e ovelhas e até entre Deus e os anjos. Neste caso, as coisas fugiram ao controle, com perguntas do tipo: “Como Deus mantém a ordem em seus exércitos celestiais? Ainda hoje manda Miguel para disciplinar os anjos inquietos?”.

Fiquei quase feliz ao perceber que a rodinha não esperava respostas profundas, mas sim entretenimento. O assunto tomou outra direção e fui salvo!

Entretanto, não deixei de pensar no assunto. Tenho a impressão que Deus construiu uma imensa estrutura de poder, chamada reino dos céus, por meio de sutis “fios de prata” (a versão celestial para as “cordas humanas”), laços de autoridade e submissão muito frágeis e de fácil ruptura. Suponho que a hierarquia de poder no reino é mantida pela submissão voluntária. E a autoridade é exercida sobre aqueles que a ela se sujeitam -- voluntariamente.

Penso, então, em como estruturar um “reino de amor” em meu lar, ou em minha igreja, e imagino que “armas” eu usaria para “aprisionar” aqueles que amo, de modo a garantir que seus corações jamais se encantem por “outro alguém” ou sintam-se infelizes ao meu lado. Logo me dou conta de que afetos não podem ser comprados ou domados. Isso não seria uma relação de amor, mas de poder.

Não seria o reino de Deus, mas o do inimigo, onde a liberdade é enganosa, se é que ela existe; a luz se transforma em trevas e o amor, em dominação; a submissão voluntária é substituída pelo temor servil. Nesse reino, a paz se confunde com o imobilismo, e a esperança, com a resignação.

Em contraste, quase posso ouvir meu Rei a expandir seus domínios sobre a terra: “Filho meu, dá-me o teu coração”. Ou então: “Eis que estou à porta e bato; se alguém abrir a porta...”.

Sim, o reino dos céus é semelhante a alguém que coleciona belas pérolas e, ao achar uma de grande valor, decide entregar sua própria liberdade para deixar-se amarrar, mais e mais, por frágeis fios de prata.

Rubem Amorese é presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos.
ruben@amorese.com.br

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