Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Colunas — O caminho do coração

A espiritualidade cristã e a cultura narcisista

A próxima edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), prevista para maio de 2013, propõe a eliminação da desordem de personalidade narcisista, entre outros transtornos de sua lista. Não se sabe ao certo os motivos. O fato é que, quando um “transtorno” se torna padrão de comportamento de uma cultura, ele deixa de ser patológico.

O comportamento narcisista é definido por um sentimento de autoestima elevado, autoabsorvido, com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza e amor ideal; além da crença de ser “especial” frente aos outros. O narcisista costuma explorar relacionamentos interpessoais e tem uma grande necessidade de ser admirado. Guarda sempre fantasias de grandeza e possui dificuldades de empatia. Para um narcisista, a realidade é concebida apenas dentro de seu universo fechado e egoísta.
A internet tem proporcionado uma infinidade de recursos que promovem o exibicionismo e os falsos relacionamentos. Isso tem mudado o comportamento das crianças e dos jovens. Nesses espaços, enquanto muitos se orgulham dos milhares de “seguidores” (admiradores) em sites de relacionamento, outros têm a oportunidade de tornarem-se celebridades. A nudez, seja das emoções ou do corpo, pode ser exibida para quem quiser ver. Tudo isso eleva o senso de importância e o valor que cada indivíduo acredita ter.

No mundo religioso não é diferente. Líderes precisam ter o “seu” ministério, a “sua” visão, o “seu” projeto. É comum encontrarmos pastores frustrados porque a igreja não comprou a “sua visão”. Uma conversão tem maior valor quando narrada por uma celebridade. A identidade cristã ganha mais credibilidade quando estamos vinculados a uma igreja ou a um ministério que leva o nome de alguém famoso. O espaço para a consciência do outro é cada vez menor, uma vez que sou absorvido com a “minha” necessidade de realização.

O narcisismo como expressão do egoísmo e da autoglorificação é tão velho quanto o pecado original -- “e sereis como Deus…”. Logo depois, o ciúme leva Caim a assassinar seu irmão Abel. A cultura narcisista, fortalecida pelo individualismo, pelo consumismo e pela “divinização” do ser, torna-nos temerosos em relação ao “outro”.
Achamos possível criar uma compreensão da existência humana a partir de nós. A realidade passa a ser aquilo que concebemos em nossa consciência, absorvida por nossas carências e fantasias. Muitos chegam a admitir que Deus é um inibidor e um repressor da liberdade e da realização humanas.

Porém, a afirmação divina de que fomos criados à imagem e semelhança de Deus revela a mais completa e perfeita compreensão do ser humano. Ela reflete o mistério da Trindade, por meio do qual encontramos tanto a singularidade como a pluralidade. Embora cada pessoa divina seja singular, a identidade de cada uma encontra-se íntima e indivisivelmente ligada ao “outro”. O outro é uma realidade constitutiva do ser humano.
O narcisismo da cultura moderna reflete a realidade do pecado. Muitas desordens mentais têm sua origem no esforço humano de querer viver sem Deus -- de ser seu próprio deus. O apóstolo Paulo descreve assim este quadro: “Porque, mesmo tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; pelo contrário, tornaram-se fúteis nas suas especulações, e o seu coração insensato se obscureceu” (Rm 1.21, AS21). Essas pessoas tornaram-se cheias de si, passaram a se admirar mais do que ao Criador, substituíram a verdade pela mentira, e acabaram sendo entregues a toda sorte de desordens mentais e emocionais.

A identidade cristã repousa no batismo. Fomos batizados em um “corpo”. O “eu” solitário e egoísta deu lugar a um “nós” solidário. Não me realizo em mim mesmo, mas no outro, na medida em que me entrego em amor e serviço abnegados. Nenhum membro do corpo existe ou sobrevive por si -- “o olho não pode dizer à mão: não tenho necessidade de ti” (1Co 12.21). Jesus afirmou: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). Nossa segurança e liberdade não são encontradas no ser autônomo, mas no reconhecimento de Cristo como Senhor e cabeça da sua igreja e na submissão ao seu governo e ao seu povo.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.