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Colunas — O caminho do coração

Falácias da espiritualidade cristã

Nas últimas décadas, a expressão espiritualidade ganhou espaço e relevância nos círculos evangélicos. Muita coisa tem sido falada e escrita sobre o tema. Como sempre, coisas boas e ruins. Algumas expressões e temas importantes para a compreensão da espiritualidade tomaram um rumo que pouco ou nada tem a ver com a herança espiritual cristã. Um deles envolve o equívoco de confundir intimidade com intimismo.

A palavra intimidade aparece uma única vez na Bíblia. O que mais aparece é a palavra íntimo, quase sempre se referindo ao interior, não à intimidade. Embora seja uma palavra com sentido um tanto nebuloso, ela transformou-se na palavra-chave para o movimento espiritual: a busca pela intimidade com Deus.

É claro que a intimidade como expressão de um relacionamento pessoal com Deus, no qual todo nosso íntimo está envolvido, é legítima. Por outro lado, o que presenciamos é uma forma de intimidade que, em vez de explorar o íntimo, vem desenvolvendo um “intimismo” narcisista que nada tem a ver com intimidade.

Nesse sentido, intimidade é o que acontece na esfera privada. Não me refiro a alguma forma de solitude ou introspecção, como entrar para o quarto e orar, mas à busca de uma sensação ou linguagem que não caracteriza, necessariamente, um relacionamento. Ser íntimo é “beijar o rosto de Deus” ou “passear de mãos dadas com ele”. São expressões vagas, abstratas, com sentido duvidoso.

A única vez que a palavra “intimidade” aparece na Bíblia é no Salmo 25.14, que diz: “A intimidade do Senhor é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança”. Três palavras-chave: intimidade, temor e aliança. Precisamos das duas (temor e aliança) para entender o sentido de intimidade. “Temor” é uma palavra que evoca assombro, espanto, medo, reverência. Intimidade sem temor rapidamente se transforma nesse “gostar” infantil. Temor que não leva à intimidade se transforma em superstição ou num medo que traumatiza e paralisa.

Ter temor implica reconhecer a grandeza de Deus. Reverência é a postura adequada daqueles que temem. Reverenciar significa respeitar, calar, prostrar, ouvir. A intimidade de Deus é para aqueles que o reverenciam. Para aqueles que se calam diante dele, que primeiro ouvem para depois falar, que prestam atenção em suas palavras e obedecem. É dessa postura que nasce a intimidade com Deus.

No que consiste tal intimidade? Em Deus nos dar (ou nos fazer conhecer) a sua aliança. Aliança é uma palavra que expressa a forma de relacionamento em que Deus propõe ser o nosso Deus e nós, o seu povo. Ser íntimo de Deus é participar dessa aliança. Nela Deus se revela como o Senhor, aquele que nos salva e liberta, e que nos dá os seus mandamentos como expressão do seu amor. Nós respondemos obedecendo a ele e andando em seus caminhos, como expressão do nosso amor para com ele.

Ter intimidade com Deus é participar da aliança de Deus com o seu povo. Não há aqui lugar para um intimismo infantil e narcisista. Ser íntimo de Deus é reconhecer que sou único diante dele, mas também reconhecer que sou parte do seu povo, sua igreja. É viver no seu amor revelado em sua Palavra e em seus mandamentos, é responder ao seu amor em obediência sacrificial. Jesus diz: “Quem me ama, guarda os meus mandamentos”.

Estou casado há 32 anos e considero que eu e minha esposa, ao longo destes anos, conquistamos uma razoável intimidade. Contudo, não consigo imaginar como seria nossa vida se vivêssemos o tempo todo trancados num quarto, trocando declarações apaixonadas, num êxtase interminável. Certamente não suportaríamos isso por muito tempo. A intimidade que minha esposa e eu temos experimentado envolve nossas diferenças e conflitos, longas conversas seguidas de silêncio. Envolve nossos filhos e amigos, alegrias e tristezas, sofrimentos e esperanças. Envolve responsabilidades e rotinas, trabalho e contas para pagar. É uma intimidade que tem seus momentos reservados, é claro, mas a maior parte do tempo ela é experimentada e vivida nas rotinas que requerem doação e devoção.

Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.

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