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Seções — Cotidiano

Cotidiano -- o leitor pergunta

Ed René Kivitz

Meu nome é Paulo Roberto, tenho 23 anos e estou no terceiro ano do curso de Direito. Sou cristão, mas tenho muitas dúvidas a respeito de Deus e do evangelho. Isso seria falta de fé?
Paulo Roberto, você não é o único cristão que tem dúvidas. Na verdade, todos temos dúvidas, mas nem todos temos coragem de admitir. E não há problema em ter dúvidas, pois elas nada têm a ver com nossa fé, mas sim com nossas crenças. A fé diz respeito à nossa confiança em Deus; as crenças, às coisas que pensamos sobre Deus. É possível confiar em uma pessoa e desenvolver um relacionamento íntimo com ela mesmo quando não sabemos tudo a seu respeito. Por outro lado, é também verdade que o que pensamos a respeito de uma pessoa afeta a maneira como nos relacionamos com ela, e com Deus não é diferente. Por isso, gosto do que disse Anselmo de Cantuária, um teólogo do século 11, quando definiu teologia como “fides quarens intelectum”, isto é, fé em busca de entendimento. Mais ou menos o mesmo que “crer é também pensar”. Quanto maior o nosso desejo de conhecer a Deus, mais perguntas faremos a respeito de Deus, e justamente nesse processo de busca de entendimento é que surgem as dúvidas. Algumas pessoas acham perigoso fazer muitas perguntas sobre Deus e questionar as crenças tradicionais a respeito das realidades espirituais e do evangelho. Porém quando não fazemos perguntas e não penetramos no campo da dúvida nossas crenças se reduzem a clichês, que com o tempo deixam de fazer sentido para nós. Não demora muito caímos na armadilha de confundir Deus com as crenças, isto é, confundimos Deus com as coisas que pensamos a respeito de Deus, o que acaba por colocar em risco a nossa fé. O melhor antídoto contra a falta de fé é a dúvida. Somente quem tem coragem de fazer perguntas às suas crenças pode crescer na sua fé.

Meu nome é Maria Cecília e tenho 47 anos. Nasci num lar cristão e nunca me afastei do evangelho, mas hoje estou muito decepcionada com a igreja. O que devo fazer?
Maria Cecília, minha experiência pessoal é parecida com a sua, e é muito comum ouvirmos pessoas dizendo que a melhor coisa que podemos fazer para seguir a Jesus é romper com a religião institucionalizada e as estruturas eclesiásticas formais. Durante muito tempo desconfiei de que esse seria mesmo o melhor caminho. Mas aos poucos fui percebendo que minha dificuldade não era com a igreja em si, ou com a necessária vivência comunitária da fé, mas com as lideranças, os rituais, os legalismos e as crenças que pretendem expressar o evangelho de Jesus Cristo. A maioria das pessoas que me procuram trazendo a mesma angústia que você expressa na sua pergunta, na verdade, não está desapontada com o evangelho, mas com uma versão específica desse evangelho. Mas também é verdade que se tirarmos as comunidades, os mentores espirituais, os rituais, as crenças e os imperativos morais, o evangelho deixa de ser uma realidade histórica e social, e passa a ser uma ideia abstrata que acaba se perdendo no caudal da cultura. Concluí que a questão não é ser cristão com igreja ou sem igreja, acatar ou não a autoridade de uma comunidade ou tradição religiosa, assumir ou não assumir determinados comportamentos como certos e outros como errados, e até mesmo participar ou não participar de rituais coletivos de celebração da fé. Mesmo num grupo pequeno, informal, haverá hierarquia, liturgia, crenças e uma estrutura mínima de organização da comunhão, comportamentos aceitáveis e outros rejeitados. Como nos ensinou Jesus, na falta do odre o vinho se perde. A questão não se resolve quando abrimos mão dos odres, mas quando temos a coragem de substituí-los, o que, em alguns casos, significará destruir um odre para que seja possível fazer outro.

Ed René Kivitz é pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo. É mestre em ciências da religião e autor de, entre outros, “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”.

A nova seção “cotidiano” quer responder a perguntas dos leitores sobre a vida cristã. Envie sua pergunta para edrenekivitz@ultimato.com.br



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