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Fé perseguida, provada e aprovada

Vittoria Andreas

Aconteceu em maio de 2009, em um país islâmico. Após ter viajado cerca de 1h30, encontramos um lugar agradável que ficava ao pé de um lago. Ali paramos para comer, descansar, cantar e meditar na Palavra de Deus.

Depois de alguns hinos, o responsável pelo “pic-nic” nos apresentou a um homem idoso, pele queimada, mãos grossas, que tinha uma perna mais curta do que a outra e carregava nas mãos uma pasta surrada. Aquele homem de aparência rústica, não apresentável e que não inspirava expectativa alguma, começou a contar o seu testemunho.

Na infância, conheceu uma mulher, amiga de sua mãe, cuja profissão era parteira. Um dia, essa mulher preparou uma festa de aniversário para uma das crianças das quais havia feito o parto. E, nessa festa, passou o filme “Jesus”. Uma imagem, então, ficou vívida em sua mente: “Aquele homem [Jesus] tinha algo”.

Aos 19 anos, o homem conheceu alguns missionários que havia ajudado com mudanças e outras tarefas. Numa manhã, já adulto, levantou-se com sede de conhecer a Palavra de Deus. Procurou, então, um missionário que o conduziu a uma sala e lhe falou sobre o evangelho. No entanto, eles não ficaram ali por muito tempo, pois tinham que recepcionar um grupo que iria chegar à missão. Na hora do almoço, um dos jovens abriu a Bíblia e leu o texto de Romanos 8.1: “Agora nenhuma condenação há para aqueles que estão e Cristo Jesus”. O homem, então, começou a chorar e se entregou a Cristo.

Ele era casado e tinha dois filhos pequenos. Quando chegou o Ramadã -- mês em que o jejum é obrigatório para os muçulmanos -- não o fez. E por isso foi preso ao ser denunciado por um amigo.

Na prisão, o homem foi interrogado e torturado. Ele se sentia só e pensava na esposa e nos filhos. Não havia ajuda, pois eles eram considerados traidores, por terem abandonado a fé islâmica. Às vezes, aparecia um policial que lhe dizia: “Negue o cristianismo e você será liberto!”. Entretanto, a convicção que ele tinha da sua fé em Cristo o manteve firme, mesmo diante da perseguição.

Um dia, esse homem recebeu a visita de sua esposa, que estava em prantos. Ele logo percebeu que sua família estava com problemas: eles não tinham o que comer. Se ele negasse a Jesus, poderia sair dali e ajudar a sua família. Porém não o fez.

Essa visita o deixou muito angustiado. Ele, então, chorou e clamou a Deus. De repente, no caminho para o quarto, o homem avistou um pedaço de jornal que voava em sua direção. Ele pegou aquele pedaço de papel onde estava escrito: “A nossa luta não é contra carne nem sangue” (Ef 6.12). Como foi que o jornal parou ali?

Após alguns dias, o chefe da prisão pediu ao homem que fizesse um trabalho para um de seus filhos, cujo tema era “liberdade”. Muitos anos antes esse país havia sido protetorado francês. Ao ler o trabalho, o chefe lhe disse: “Você tem razão! Nós somos livres!”. Seis meses depois, ele foi solto -- dias depois de ter lido aquele pedaço de jornal. Ele foi solto porque cria que Jesus Cristo o libertaria.

Hoje, com mais de 60 anos, o homem tem cinco filhos e todos estão nos caminhos do Senhor, servindo-o. Um deles casou-se com uma espanhola e tem um programa de evangelização no rádio e discipulado por extensão. Outra é líder de um grupo de senhoras e os outros dois também dirigem grupos de convívio. Sua nora, a espanhola, foi há pouco tempo expulsa do país por estar com algumas nacionais em um apartamento estudando a Bíblia. Ela havia sido denunciada por um vizinho que percebeu uma movimentação estranha naqueles dias. Porém, continuam firmes no evangelho.

Pode, portanto, haver cadeias, arresto, perseguição, prisão, mas “não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “A palavra de Deus não voltará vazia, antes dará o seu fruto” (Is 55.11).


• Vittoria Andreas é missionária transcultural. Serviu na Bolívia, Inglaterra e em um país muçulmano do Norte da África, nas áreas de ensino missiológico e teológico, e capacitação de novos obreiros.

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