
Foi na “Folhateen”, o caderno semanal da “Folha de São Paulo” dedicado ao público teenager -- adolescentes entre 13 e 19 anos. Na última página da edição de 15 de fevereiro de 2010, estava escrito, entre outras coisas:
“Afinal, pra que serve o casamento? Antigamente as pessoas se casavam porque estavam desesperadas para fazer sexo com o seu par. Mas hoje, segundo sérios estudos, 99,63568% dos jovens perdem a virgindade antes do casamento. Os outros 0,36432% não quiseram dar depoimento. Concluímos, então, que o matrimônio perdeu todo o sentido. Se casamento fosse bom, não precisava de testemunhas.”
“Antes de cometer a besteira de casar, conheça o pai ou a mãe do seu parceiro para saber como ele vai ficar depois de contrair o matrimônio. Veja o tamanho da pança do sogro e onde foram parar os seios da sogra. Digamos que o casamento é uma fábrica de monstros.”
“Se você pode ter inúmeros parceiros, porque diabos vai escolher ter um só?”
“O casamento é uma sociedade. Funciona como uma empresa. Tem um contrato, com assinaturas, rubricas, cláusulas, deveres, obrigações e carimbos de todas as cores. Quando essa empresa quebra é muito provável que seu “sócio” vire seu arqui-inimigo. Lembre-se de que o casamento é que nem submarino. Pode até boiar, mas foi feito para afundar.”
Quem assina o texto, ilustrado com vários desenhos, é o cartunista gaúcho Adão Iturrusgarai, de 45 anos. No final da página, há uma nota: “Isto é um texto de humor, entendido?”
O crime desse Adão lembra o crime daquele inimigo que, de noite, enquanto todos dormiam, entrou na lavoura alheia, semeou joio no meio do trigo e se foi (Mt 13.25). Depois de semear veneno na imaginação e na memória de meninos e meninas, o artista dá uma explicação e se manda. E todos o aplaudem, inclusive os pais dos “teenagers”. Isso faz parte do tal antagonismo entre a serpente e os seres humanos.
(Veja
Caim e a neurocientista do Alabama)