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Exclusivo Online — A redenção das sete artes: escultura

A redenção das sete artes: escultura

Meg Banhos

Terminada a estátua Davi, de tão perfeita, Michelangelo olhou pra ela e disse: “Parla!” (fala, em italiano).

Reverenciada até hoje, a obra desse escultor é atribuída ao divino. Quem olha, percebe Deus nos detalhes. Falar de escultura é mencioná-lo, com muito respeito a tantos outros que deram palavras ao mármore, ao bronze e ao barro.

Assim, apresento os três personagens dessa história: o artista, a obra e o Deus.

Mas se engana quem pensa que este texto é sobre escultura. Ele é sobre a fala.

O artista esculpe a obra que revela o Deus que esculpiu o artista. Esculturas também falam.

Você já entrou em algum museu de arte contemporânea? Com a internet, não é problema.

O desafio é achar o divino, que foi banido há algum tempo, quando a igreja declarou profana toda a expressão que não cabia no seu “linguajar”. Lá dentro, nas esculturas de nossa época, vejo uma conexão entre o ser e o espaço, numa ligação que, de tão direta e cotidiana, dialoga com quem consome e quem não consome arte. Elas dizem o que querem dizer a quem nem sabe bem o que precisa ouvir.

As pessoas passam pelas galerias admirando desde obras clássicas até as monumentais instalações. O guia do museu ressalta com um tom solene e uma frase feita: “Muitas delas não se explicam -- falam direto ao coração!”. Bem, se é como o moço disse, o que deveria ser claro, ficou turvo. Onde está o divino em nós? Deixamos o privilégio que tínhamos de produzir a matriz para sermos meros espectadores de obras mudas.

Quanto mais penso no avanço do reino, mais lamento a escassez de conteúdo criativo e relevante no meio artístico. É incoerente termos tantos artistas na igreja e tão pouca expressão com obras que inspirem, ministrem, eduquem, evangelizem e glorifiquem a Deus, a exemplo do que acontece com a disseminação de pensamentos agnósticos, exotéricos, ateus e hereges.

É o famoso “saiu do ar, perdeu o lugar”. Temos de engolir a acomodação e sucumbir aos que genialmente ocupam as lacunas deixadas por nós.

Nossos três personagens continuam ali, mas parece que Deus simplesmente se calou no eco das marteladas secas. Tac. Tac. Tac.

Quem conhece a origem de toda boa dádiva não pode deixar mais uma geração passar a viver da arte pela arte sem se levantar e deixar as digitais nos museus, nos pedestais das galerias, nas praças, nos livros...

Precisamos das mãos e da fé do escultor para remodelar a história.

Conheço escultores brilhantes e vazios e escultores brilhantes e profundos para encantar e repensar propósitos. Estes, sinceramente, precisam falar mais alto.

A forma perfeita e a perfeita mensagem nunca devem se desassociar.

Ao fim do nosso passeio no museu, uma ala gigantesca reservada ao futuro. E que surpresa! Encontro novamente nossos três personagens, além de Michelangelos, Rodins, DeGas e uma infinidade de nomes.

Esculturas grandes e pequenas, artistas novos e antigos reunidos em um só espaço.

Havia obras profanas e sacras, mas como ainda não estavam rotuladas, sequer percebi a diferença. No entanto, já não havia silêncio.

Pensei: aí está uma sala onde eu gostaria de expor! A sala da redenção, em que posam os monumentos dos que não se calaram.

E as esculturas falarão.

Elas dirão ao passante que existe um doador de todo dom perfeito, o mesmo que formou Michelangelo.

Dirão ao pesaroso da leveza e aos intolerantes do diálogo. Soletrarão ao abatido a beleza que aformoseia o rosto e sussurrarão esperança ao aflito. Contarão as mágoas humanas e também as alegrias. E entre tantas outras palavras, elas esclarecerão o inalcançável e revelarão o infinito que habita em você e em mim. Sim, elas falarão de Deus.


• Meg Banhos é ilustradora, designer publicitária e escultora. Casada e mãe de três filhos, tem na família sua grande realização. É membro da IBC desde 2001, onde tem a oportunidade de dar conteúdo, propósito e relevância à sua arte e sua fé.

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