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Colunas — Da linha de frente

Deus -- Pai ou Mãe?

Bráulia Ribeiro

Os braços que me aqueciam quando eu era criança, o colo que me consolava, a voz que me aquietava cantando à noite quando eu despertava inquieta de um pesadelo não eram de meu pai -- eram de minha mãe. Quem me dava um trocado pra comprar bala depois da escola, quem me cobria, quem me vestia, era sempre minha mãe. A casa da minha infância, cujas lembranças me trazem conforto, tem o cheiro dela, e mesmo quando eu saía na rua pra tomar caldo de cana e comer pastel era em sua mão, que hoje sinto tão pequena e magra, que eu segurava.

Minha experiência não é diferente do que é vivenciado pela maioria da população brasileira e do mundo. Mãe pra nós é igual amor caloroso, quente, cheiroso, vivo. Pai já é mais complicado. Pra muitos, infelizmente, pai significa abuso, violência, abandono, dor.

No livro de Gênesis temos duas narrativas da criação. A primeira (Gn 1.27) é mais geral e o processo de criação do homem é resumido em uma frase. A segunda (Gn 2) nos narra os detalhes de como Deus formou o homem do barro e de como criou a mulher. Uma narrativa não contradiz a outra. Na cronologia dos detalhes da criação Deus criou a mulher depois do homem, mas ela não foi uma invenção de último minuto. As evidências bíblicas e o próprio caráter de Deus nos comunicam que Deus pensou a humanidade mulher e homem desde o início, ambos à sua imagem e semelhança.
Na pessoa de Deus encontramos a plenitude da masculinidade e também da feminilidade. Ele deu características de si mesmo aos dois gêneros, planejando que apresentássemos a imagem completa do amor numa família heterossexual. Homem e mulher juntos, gerando em amor, nutrindo, educando, criando, estabelecendo outros seres completos e também capazes de amar, gerar, nutrir e educar.

Apesar de muitas vezes usar imagens maternas para se referir a seu amor por nós, Deus certamente teve uma razão para chamar-se de Pai. Apesar de a ideia de um Deus Pai nos distanciar da noção de amor sacrificial e transcendente que brota mais fácil quando se fala de mãe, ela provê um modelo de amor paterno para a humanidade.

Deus previu que a cruel perversão da masculinidade nos deixaria quase incapazes de entender o verdadeiro significado do amor de um pai. Ele precisou garantir pessoalmente que este modelo fosse expresso de forma inequívoca e o fez tornando-se ele o Pai.

É uma escolha que todo tradutor faz -- reduzir significados -- e que ele, como tradutor de suas verdades celestiais para nós, também teve de fazer. Então ele se fez Pai; ainda assim, nos deixa ver seu lado mãe. É o Pai-Mãe como exemplo de hombridade e não de macheza. É um pai-mãe que persegue, que missiona, que se inclina e que se humilha (“missio Dei”).

Seu amor às vezes é “brega” e “babão” como amor de mulher ou música sertaneja; outras, é digno e contido, mas nunca indiferente, cruel ou egoísta. Como uma mãe, ele faz tudo o que é necessário para nos dar conforto, prazer, alegria, alimento, calor. Como um pai, ele nos dá destino, missão, identidade. Ele é um solo de violino que corta o silêncio com uma melodia profunda, mas também um surdo, uma orquestra completa de tambores axé, que marca o ritmo alegre e complexo de nosso desfile nas micaretas da vida.

Na América Latina, o continente onde o pai veio de longe e ao nos estuprar nos concebeu bastardos, vivemos no vazio da imagem masculina do amor. O pai se foi, e dói em nossa alma órfã. Resgatar a imagem do pai é tarefa de nossos homens de verdade; recriar uma figura masculina não baseada nos modelos culturais corruptos que vemos todos os dias em nossos lares, mas na imagem do Deus Pai.

No entanto, o Deus-Mãe sempre vai nos ser importante. Vamos precisar dele para entender com o coração o amor transcendente. Sem a Mãe, nosso Deus não é completo, não é vivo. A misericórdia, a ternura, o carinho sempre nos chegarão do Deus-Mãe, que não saiu um dia com outra mulher, que não foi comprar cigarros para nunca mais voltar, que não foi preso, que não bebeu o seu salário em vez de nos comprar comida, que não bateu em nossa mãe e em nós no desvario do álcool.

Pai-Mãe nosso celestial, acima do gênero e falhos modelos humanos, tenha piedade de nós, nos ajude a conhecer o verdadeiro amor...


Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato). braulia.ribeiro@uol.com.br

Crédito da imagem: Anderson Monteiro, avozdatela.blogspot.com/

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