Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Capa

O vergonhoso insucesso na arte de consolar os chorosos e de aconselhar os confusos

Quando perdemos um filho ou o cônjuge ou os pais num acidente como o de Congonhas em julho de 2007, quem nos consola de maneira amorosa, sábia e eficaz? Quando estamos em uma crise conjugal, em uma crise existencial, em uma crise de fé, em uma crise econômica, quem nos aconselha e nos consola de maneira amorosa, sábia e eficaz? Quando somos portadores de uma doença sem esperança de cura, quando estamos irreversivelmente a caminho da sepultura, quem enxuga as nossas lágrimas de maneira amorosa, sábia e eficaz? 

A rigor, nossos primeiros consoladores e conselheiros deveriam ser o cônjuge, os pais, os filhos, os amigos mais chegados e os pastores, verdadeiros médicos da alma. Além destes poderíamos e deveríamos contar também com os consoladores e conselheiros profissionais, como psicólogos, psicanalistas, psicoterapeutas, psiquiatras e outros. 

O grande problema é que nem sempre esses consoladores e conselheiros domésticos, eclesiásticos e profissionais sabem ou conseguem prestar uma assistência bem-sucedida. Ora por causa da complexidade do sofrimento ora por falta de amor, de sabedoria, de humildade e de empatia (a capacidade de sofrer com a pessoa ferida).
 
Há na Bíblia três notáveis casos de grave e vergonhoso insucesso na arte de consolar os que estão feridos e de aconselhar os que estão confusos.

Os amigos de Jó
O próprio cliente perdeu a paciência e atirou na cara de Elifaz, Bildade e Zofar que eles eram “médicos que não sabem descobrir doença” (Jó 13.4, BV) ou “médicos que não curam ninguém” (NTLH) ou “curandeiros de nada” (TEB), portanto “médicos inúteis” (BH) ou, pior ainda, “médicos charlatões” (BP). 

Jó não exagerou. Basta ler os discursos que esses três religiosos dirigiram ao amigo. Não há nenhuma palavra de consolo, só acusações. Eles não oferecem os seus ombros para Jó chorar e chamam o homem da terra de Uz de tagarela e tolo (Jó 11.1-3; 18.2). Os denominados amigos de Jó, mais o outro crítico, chamado Eliú, insistiram seguidas vezes na tese de que o ex-ricaço estava sofrendo por causa do pecado (conceito legalista, muito próximo da teoria da reencarnação). Um deles pôs o dedo no rosto do paciente e declarou sem a menor cerimônia: “O pecador rebelde sofre durante toda a sua curta vida nesta terra. Ele vive cercado pelo medo e quando afinal consegue ajuntar riquezas e fama, perde tudo de repente. Ele tem medo de sair na escuridão, porque pensa que vai ser assassinado. Seu destino é andar pedindo esmolas para conseguir comida. Ele bem sabe que o dia escuro do castigo chegará bem depressa. Ele vive dominado pelo medo, pelas angústias e tribulações, porque ele se revolta contra Deus, desafiou o Todo-poderoso. Pensando que suas riquezas são um escudo forte, ele ataca a Deus e faz ameaças” (Jó 15.20-26, BV).

O sacerdote Eli
Uma israelita que viveu 1.100 anos antes de Cristo precisava urgentemente de consolo e aconselhamento. Ela estava muito angustiada. Ana era estéril, queria muito ser mãe e diariamente sofria nas mãos de Penina, sua rival. Para tentar encontrar alívio, a mulher chorou muito na presença do Senhor e derramou sua alma diante dele. Eli encontrou-a nesse estado e, em vez de lhe dar um atendimento adequado, deduziu que ela estivesse bêbada e partiu para a bronca: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho!” (1 Sm 1.14). 

Já sobrecarregada de grande angústia e tristeza, Ana sofreu mais esse enorme constrangimento, infligido por um homem cuja ocupação exigia outros modos, outra atenção, outras palavras.

Os chefes dos sacerdotes
Certo homem que, por amor ao dinheiro, tinha cometido uma vergonhosa traição contra o amigo com o qual havia convivido por três anos, foi de repente tomado de profundo remorso. Judas entrou em pânico. Desesperado, tentou desfazer o pecado cometido. Procurou apressadamente os chefes dos sacerdotes de Jerusalém para confessar-se culpado e devolveu as malditas trinta moedas de prata, recebidas deles alguns dias antes. 

Judas precisava de socorro urgente e apropriado. Aqueles homens eram sacerdotes do mais alto escalão. Eles também tinham culpa no cartório. Eram no mínimo cúmplices de Judas na traição de Jesus. Se não eram mandantes do crime, foram pelo menos os pagantes. Muito provavelmente eles haviam retirado as trinta moedas do gazofilácio do templo para terem o Senhor em suas mãos. Era de se esperar que agora eles se associassem a Judas na confissão corajosa do crime. Nada disso eles fizeram. E também não deram nenhuma ajuda a Judas. Disseram-lhe de maneira rude: “Que nos importa? A responsabilidade é sua” (Mt 27.4). 

O que o Evangelho de Mateus registra em seguida é doloroso: “Então Judas jogou o dinheiro dentro do templo e, saindo, foi e enforcou-se” (Mt 27.5). Pouco depois alguém achou o corpo de Judas arrebentado, partido ao meio, e seus intestinos esparramados por ali (At 1.18). É difícil dizer qual dos crimes foi mais grave aos olhos de Deus — a traição de Judas ou a ausência de aconselhamento e de consolo da parte dos chefes dos sacerdotes numa hora de extrema e urgente necessidade.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.