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Ted Haggard — o que mais alto está, mais facilmente cai!

Há quase dois milênios, Sêneca, o filósofo romano que teria nascido dois anos depois de Jesus (4 a.C.), em sua carta Sobre a brevidade da vida, escreveu: “As honras, os monumentos, tudo aquilo que a ambição decretou ou construiu com trabalhos logo há de ruir, uma vez que não existe nada que a passagem do tempo não arruíne ou ponha em desordem”.

Essa como que fatalidade acaba de acontecer com o pastor americano Ted Haggard, de 50 anos, como é do conhecimento geral. No dia 4 de novembro de 2006, ele foi afastado da posição de pastor principal da New Life Church, uma dessas modernas megaigrejas, com 14 mil membros, localizada em Colorado Springs, no centro dos Estados Unidos. Haggard era também presidente da Associação Evangélica Norte Americana, que congrega 45 mil igrejas e 30 milhões de fiéis (10% da população do país). Por sua liderança conservadora, por sua condenação ao homossexualismo e por suas ligações com a Casa Branca, Haggard era considerado um dos líderes evangélicos mais influentes nos Estados Unidos.

Se recordar Sêneca é oportuno, mais oportuno ainda é reler as histórias dos reis de Israel, de Davi (1010 a.C.) a Zedequias (586 a.C.). Foram mais de quatrocentos anos de uma assombrosa instabilidade moral e religiosa. O que mais assusta não são propriamente os reis que começaram e terminaram mal o seu governo, como Acazias e Acaz, mas aqueles que começaram muito bem, fizeram obras notáveis, e não terminaram bem. Entre estes estão o notável Salomão, cuja fama se espalhou por todas as nações, e os reis Asa, Joás, Amazias e Uzias. No caso de Uzias, o historiador explica a razão do seu desvio: “Depois que Uzias se tornou poderoso, o seu orgulho provocou a sua queda” (2 Cr 26.16).

Embora o que chama mais atenção do público e da mídia sejam os escândalos sexuais, o orgulho é o pecado mais grave e é ele que abre as portas para qualquer outro escândalo.

Precisamos rever essa questão de megaigrejas e megaministérios. Tanto um como outro constroem catedrais enormes, ajuntam multidões enormes e controlam uma quantidade enorme de obreiros, o que é muito perigoso. Com raras exceções, não há mortal que, em circunstâncias assim, não acabe cedendo à tentação do poder. Vale a pena ouvir Sêneca mais uma vez: “O que mais alto se eleva, mais facilmente cai”.

Nos últimos anos, muitos americanos deixaram a Igreja Católica por causa dos escândalos envolvendo alguns de seus sacerdotes e bispos. Agora, não é nada impossível que o número de decepcionados, de críticos, de zombadores, de vingadores e de não religiosos (um dos grupos “religiosos” que mais cresce no Ocidente) aumente consideravelmente em razão do escândalo provocado por Ted Haggard, casado e pai de cinco filhos.

O que veio subitamente a lume em novembro reforça a palavra de Vicente Amato Neto (professor emérito da Faculdade de Medicina da USP) e de Jacyr Pasternack (doutor em medicina pela UNICAMP), no artigo publicado na Folha de São Paulo de 22 de maio de 2004: “Embora as várias religiões, e não apenas a católica, considerem que a castidade até o casamento e a sinceridade férrea depois deste sejam obrigações pétreas, elas não conseguem que tais diretivas sejam seguidas por todos os seus líderes laicos ou clericais, sejam eles padres ou pastores. Não dá para tampar o sol com uma peneira — é só olhar e ver o que acontece”.

O que está pesando mais contra o pastor de Colorado Springs é a sua hipocrisia. Se ele estava tendo um comportamento homossexual, já não deveria pregar contra a união gay. Qualquer cristão tem a obrigação de se ausentar ou se retirar da arena se ele é vencido pelo pecado que condena. Não há pecado mais condenado por Jesus do que a conduta dúbia: ser extremamente religioso por fora e extremamente pecador por dentro (Mt 23). Paulo também trata do assunto com muita severidade: “Você, que diz que não se deve adulterar, adultera?” (Rm 2.22).

O que alguns querem, de dentro e de fora da igreja, é que não mais se fale em sexo. Mas isso é impossível, pois há desvios nessa área também. A expressão “imoralidade sexual” aparece em dez dos 27 livros do Novo Testamento (Mt 5.32; 19.9; At 15.20, 29; Rm 13.13; 1 Co 6.18; Gl 5.19; Ef 5.3; Cl 3.5; 1 Ts 4.3; 1 Tm 1.10; Ap 2.14, 20-21; 21.8; 22.15).

Para lidar com o escândalo é preciso muita sabedoria. Tanto da parte do faltoso quanto da parte daqueles contra quem se peca. Segundo Robert Haskell, Haggard não deveria pedir à igreja que perdoasse o seu acusador, como que dividindo sua culpa com ele. A igreja também não deveria aplaudir a carta, “como se houvesse ali uma forma de triunfo em vez de um desastre devastador”. A reação apropriada dos 14 mil membros e de toda a igreja militante “seria chorar, afl igir-se, trocar a roupa [vestir-se de pano de saco] e raspar a cabeça — algo para restaurar a nossa credibilidade que se esvai”, acrescenta Haskell.

Há mais um detalhe: em sua carta à New Life Church, Haggard exortou a igreja a permanecer “fi el a Deus, servindo e contribuindo”. Não era hora de pensar em contribuição... Se há uma oração cada vez mais apropriada e prudente é a do salmista: “Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos” (Sl 69.6). (Veja Existe em você algo de bom, e As Escrituras condenam tanto a prática homossexual como o adultério heterossexual.)

Veja também:
Carta de sua esposa, Gayle Haggard, à New Life Church
- Carta de Ted Haggard à New Life Church
- Carta de Robert Haskell aos associados da Comissão Teológica da World Evangelical Fellowship New Life Church, em Colorado Springs, EUA

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