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Exclusivo On-line — Teologia contemporânea

Oadi Salum

É preciso delimitar a teologia contemporânea em dois conjuntos: todo o pensamento teológico moderno, atual e os rumos e tendências determinados pelo pensamento teológico protestante; Sendo assim, é preciso recorrer às raízes, às origens, se de fato desejamos discernir o que ocorre hoje nos arraiais teológicos protestantes.

A teologia própria do século 21 teve origem na eclosão da Reforma Protestante do século 16, que rompeu com as estruturas do pensamento escolástico-medieval que preconizava o primado da razão sobre a fé, da filosofia sobre a revelação. A teologia dos reformadores afirma que toda reflexão doutrinária sob o domínio da fé sustenta-se na autoridade absoluta da Palavra de Deus.

A partir de então, a teologia passou a ter como ponto referencial o pensamento dos reformadores, pela aceitação, ou pela rejeição dos seus pontos basilares. As correntes teológicas mais próximas de nós no tempo e no espaço são definidas de acordo com o posicionamento analítico-crítico que assumem em relação aos grandes “solas” da teologia reformada: sola Scriptura (Só a escritura), sola fide (Só a fé), sola gratia (Só a graça), solus Christus (Só Cristo), coroados pela exultante doxologia que emana do reconhecimento humilde da soberania absoluta de Deus, expressa pelo “soli Deo gloria”!

Da “sacra pagina” ao cipoal inextricável das teologias
No período anterior à Idade Média, as designações latinas “Sacra Pagina” e “Sacra Doctrina” eram empregadas para expor as doutrinas religiosas ou dogmas em voga. Pedro Abelardo (1142) introduziu o então neologismo “teologia” ao estudo das doutrinas sagradas na sua obra Introductio ad Theologian. Os termos até então eram “Sacra Pagina” e “ Sacra Doctrina” de que se valia Santo Agostinho e que perdurou até o período de Tomás de Aquino (1225 – 1274). O reformador João Calvino (1509 – 1546) nas palavras introdutórias das Institutas expõe que “toda sabedoria (sapientia) que temos, ou seja, a verdadeira e sólida sabedoria, consiste de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos”. As Institutas de 1536 registram “Doctrina sacra” em vez de “Sapientia”.

O neologismo teologia acolhido com reservas pelos eruditos da época, tornou-se o termo técnico adequado para identificar os expositores de assuntos religiosos, como teologia paulina, joanina, agostiniana, luterana, calvinista, bartiana, e também, mais modernamente, para identificar a área específica de abordagem a que se propõe: teologia bíblica, exegética, histórica, prática, sistemática, para mencionar apenas as que figuram na enciclopédia teológica clássica. Nos tempos atuais abre-se ilimitado espaço para a inserção de “teologias” para todos os gostos e tendências subjetivas; aqui estão: Teologia da revolução, da secularização, lúdica, política, dialética, feminista, do negro, da libertação, do paradoxo, da crise, da esperança, liberal, fundamentalista, ortodoxa, neo-calvinista, e até mesmo uma teologia da morte de Deus! Neste cipoal inextricável, confuso, caótico, a teologia reformada que se apoia no inamovível fundamento da soberana Palavra de Deus desfruta do dever imperativo de fazer ouvir a sua voz crítica e orientadora e, assim, indicar o reto caminho em meio às encruzilhadas convidativas mas perigosas a que todos estamos expostos.

De Charles Hodge a Paul Tillich
É fácil e ao mesmo tempo delicado citar os nomes que mais se destacam na teologia contemporânea. A subjetividade do tema o complica. O que determinado teólogo representa para certo crítico não é necessariamente o mesmo para todos os críticos.

Divido os teólogos em dois grupos que se destacam pelas diferenças ideológicas. Um grupo é marcado pela presença de eminentes teólogos clássicos do protestantismo que se firmaram numa linha calvinista, de fidelidade sem reservas às Escrituras Sagradas. Nesta galeria figuram C. Hodge (1799 – 1878), B. B. Warfield (1851 – 1921), A. Kuyper (1837 – 1920), H. Bavinck (1854 – 1921), L. Berkhof (1873 – 1956). O outro grupo não apresenta uma linha de pensamento teológico uniforme, nem quanto aos aspectos capitais da fé cristã. A autoridade divina das Escrituras Sagradas em termos da sua inspiração, infalibilidade, inerrância, suficiência, necessidade, fidedignidade, recebe deste grupo um veredicto negativo, contestador, próprio de uma postura teológica que se abre ao chamado liberalismo teológico, de quem F. F. Schleiermacher é o pai (1768 – 1834) e o filósofo I. Kant é o avô (1724 – 1804). Os maiores destaques recaem sobre K. Barth (1886 – 1968), E. Bruuner (1889 – 1965), R. Bultmann (1884 – 1976) e P. Tillich (1886 – 1965).

Sob o crivo das Escrituras
Todos esses teólogos, cada qual à sua maneira, convencidos da veracidade de suas convicções ideológicas pessoais, oferecem parcela de contribuição no campo teológico. Reafirmamos que, dentro da perspectiva reformada, não dispomos de outro parâmetro para orientar o julgamento crítico que se impõe, além da Escritura, a Palavra de Deus. Daí, a necessidade imperiosa de entender a elaboração teológica de cada um sob o crivo das Escrituras Sagradas. Seja o teólogo, arauto do liberalismo, ou aquele outro ardoroso fundamentalista, ou, ainda, tantos outros que oscilam entre esses dois pólos, o importante é que nenhum deles permaneça alheio ao estudioso dessa área. Os teólogos fiéis e submissos à Palavra fortalecem nossa fé e a tornam mais adulta e vigorosa. Outros, cujo posicionamento é ostensivo e visceralmente oposto ao nosso, agem de maneira positiva compelindo-nos ao exame bíblico mais profundo para que, no confronto, estejamos “preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). A advertência de João Calvino é sempre oportuna e sábia: devemos falar quando as Escrituras falam, e calarmo-nos quando as Escrituras se calam...

Falar de teólogos contemporâneos e suas contribuições é falar daquele que é o mais contemporâneo dentre todos: João Calvino. Muitos depois dele brilharam como meteoros no firmamento teológico e depois se apagaram tão rápido como surgiram. Decorridos cinco séculos, Calvino é insistentemente citado na literatura teológica contemporânea, seja por aqueles que o aceitam, ou pelos que o negam. Ele se mantém de pé e sempre atual, a despeito dos séculos.

Oadi Salum, 74 anos, mineiro de Guaranésia, é professor de teologia contemporânea do Seminário Teológico Presbiteriano do Sul, em Campinas, SP.

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