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Série Paul Tournier — Quem Foi Paul Tournier?

Paul Tournier nasceu em Genebra, Suíça, em 12 de maio de 1898.

Seu pai, Louis Tournier, era homem culto e foi pastor da Igreja Reformada, exercendo o ministério na Catedral onde João Calvino também o fez. Faleceu três meses após o nascimento do pequeno Paul. A mãe também partiu precocemente, quando o menino tinha 6 anos de vida.

Dessa condição de órfão, que o marcou profundamente, ele encontrou motivação para aproximar-se da carência e solidão expressas nas queixas de seus pacientes. A experiência religiosa que teve aos 12 anos, num grupo de avivamento espiritual, contribuiu para isso. São milagres que a graça de Deus realiza, como ele mesmo cria.

Graduou-se em 1923 pela Escola de Medicina da Universidade de Genebra, fazendo da profissão o campo do seu ministério. Ele exerceu a clínica com tal maestria que todos admitem chamá-lo de psicoterapeuta. Seu primeiro livro, publicado em 1940 e intitulado Medicina da pessoa, já introduzia uma nova visão da prática profissional.

Tornou-se conhecido mundialmente pelas conferências e livros que viu publicados em várias línguas. Foi convidado pelo CPPC a vir ao Brasil, mas logo enfermou-se e seguiu para junto do Senhor em abril de 1987.

Pouco antes, assim se expressou: "Parece que minha vida toda foi uma aventura conduzida por Deus".

Publicações de Paul Tournier em português:
Culpa e graça - uma análise do sentimento de culpa e o ensino do evangelho (São Paulo: ABU Editora, 1985)
Para melhor compreender-se no matrimônio (São Paulo: Editora Sinodal, 1979)
A Missão da Mulher (Viçosa, MG: Editora Ultimato, 2005)
O Relacionamento Pessoal: Terceira Dimensão da Medicina (São Paulo: Contact, n° 5, abril, 3-11,1979. Texto reproduzido pelo CPPC, com autorização)
Quando ousei compartilhar a mim mesmo (Belo Horizonte: CPPC. Texto n° 12)


Aceitação e mudança
Almir Linhares

Pressa
Uma questão familiar àqueles que lidam com psicoterapia ou aconselhamento, é que muitas pessoas que vêm em busca de ajuda trazem um desejo de mudança ou de solução rápida do problema que estão vivendo. Existe, com frequência, uma expectativa imediata de cura ou resolução da situação conflitiva. Às vezes, na primeira entrevista, logo após expor o problema, a pessoa já diz: "Minha situação é esta... e agora, o que eu faço?"

É natural, diante dos transtornos que muitas situações da vida nos trazem, que desejemos resolver rapidamente nossos problemas. No entanto, uma análise dessa pressa pode revelar-nos que a pessoa está tentando evitar alguma coisa. Antes mesmo de ter a consciência da verdadeira dimensão do problema, antes mesmo de compreendê-lo e aceitá-lo em toda a sua extensão, ela espera resolvê-lo. É comum não querermos nos dedicar, com disposição e paciência, à análise do problema. Queremos, avidamente, respostas. Nossa tendência é saltar rapidamente o problema (passar por cima) e procurar atalhos que nos levem logo à solução.

Diante disso, podemos perguntar: Por que é tão difícil aceitar um problema e se deter melhor sobre ele?

Aceitação
Para responder a esta questão é necessário definir melhor o que entendemos por aceitação. A aceitação não é meramente um problema intelectual, lógico, racional. A aceitação é principalmente uma questão emocional. Ela nos remete ao mundo dos sentimentos: raiva, tristeza, alegria, medo etc. Os afetos nos mobilizam a partir de nosso íntimo. Emocionar-se é reagir à vida e expressar-se diante do que ela apresenta. As emoções estão intimamente ligadas com as possibilidades de expressão do nosso ser. De um lado, podemos associar um grupo de sentimentos, tais como a alegria e o entusiasmo, aos momentos de expressão mais plena de vida. De outro, os sentimentos ligados à raiva e à tristeza estão relacionados aos momentos em que há perdas e dificuldades na vida.

Nosso modo de fazer frente à vida é estruturado muito mais a partir das emoções do que a partir de uma elaboração racional ou lógica da realidade. As emoções tocam no centro da nossa vida. Elas nos indicam a existência de situações ameaçadoras (por exemplo, quando sentimos medo) e também nos sinalizam as possibilidades de realização e êxito (por exemplo, a alegria). A emoção é algo vital para todos nós. Ela pode tanto nos impulsionar para o pensamento de ação, como bloquear-nos, atrapalhar-nos e mesmo imobilizar-nos. Lidar com as emoções, aceitá-las e integrá-las é condição para a expressão plena de nossa pessoa. Contudo, essa integração pode ser difícil, pois uma parte de nossas experiências emocionais nos são desagradáveis, envolvem sentimentos de tristeza, raiva, decepção, frustração etc. Ocorre que nós nos protegemos do sofrimento e muitas vezes queremos viver como se ele não existisse. Assim, procuramos evitar as lembranças, pensamentos e situações que despertam sentimentos desagradáveis. E aqui surge a questão da aceitação. Tomar consciência de nossos problemas é também entrar em contato com sentimentos dolorosos e difíceis de serem suportados. Aceitar nossos problemas e dificuldades reais é algo que fere nossas fantasias e desejos de perfeição e harmonia constantes. Os nossos conflitos e dificuldades diante da vida apontam para os limites, necessidades e falhas existentes em nós e nos outros. A este respeito, existe um pequeno mas tocante texto de Paul Tournier (publicado no Brasil pelo CPPC, com o título Quando ousei compartilhara mim mesmo), no qual, com a simplicidade e humanidade características do seu estilo, através de um depoimento pessoal, ele nos mostra como tendemos a evitar pensar nos pequenos e triviais problemas do cotidiano, porque eles nos remetem a situações incômodas e nos mostram como de fato somos.

A aceitação dos problemas e das dificuldades confronta-nos com a falta e com a dor, e, em última análise, com nossa dependência e com a morte. Não é de causar surpresa, portanto, que, frequentemente, nos refugiemos em um mundo de fantasias, no qual estamos sempre suspirando diante da realidade: "Como seria bom, se fosse diferente!" Mas, se somos demasiadamente influenciados por nossos desejos, podemos não ser capazes de perceber a realidade como de fato ela é. A percepção e aceitação da realidade nos permite ver onde estamos. Assim, pelo menos pode-se ter uma base verdadeira, a partir da qual se pode trabalhar.

Aceitar um problema, uma situação ou nossa própria história é poder parar. É se deter, pensar e sentir sobre o que essa situação ou lembrança realmente significa para nós. O momento de reconhecimento e aceitação é um momento inicial que pode nos permitir analisar mais profundamente a situação em que estamos. Somente a partir disso podemos pensar em seguir adiante e construir algo novo, sem precipitação nem ansiedade (ou, pelo menos, com elas em menor grau). Somente assim poderemos resolver melhor nossos problemas e buscar mudanças verdadeiras, e não através de atalhos nem soluções escapistas. Uma constatação realista das situações que estamos vivendo coloca-nos diante de nós mesmos e diante do que a vida nos apresenta, o que, muitas vezes, não é o que gostaríamos que fosse.

Risco
Para que alcancemos mudanças, é necessário correr riscos. Em um de seus livros, Tournier nos fala da "aventura da vida". De modo geral, não queremos aventura ou talvez a queiramos apenas nos filmes e nos livros. Na vida real o que costumamos querer é garantias, segurança. Em outras palavras, podemos dizer que, diante dos problemas da vida, queremos aceitá-los ou decidir sobre eles condicionalmente, isto é, desde que haja garantias de que tudo vai dar certo. A incerteza, o risco, não queremos aceitar.

“A fé não nos assegura o acerto nem o êxito, mas sim o perdão e a aceitação. Aceitar-nos e aos outros é admitir a nossa falibilidade e abrir-nos para acolher o outro e a nós mesmos tal como somos ou estamos.”

Gostamos de caminhos bem definidos, de clareza em relação às decisões que estamos tomando. No entanto, não temos como fugir da responsabilidade e do risco que as decisões, pequenas ou grandes, nos impõem no dia a dia. Humanamente falando, não há soluções perfeitas. E é importante ressaltar que, mesmo conhecendo e aceitando a realidade, não há garantias de que nossas decisões serão acertadas. O saber não é uma garantia. Viver, decidir, fazer escolhas é um risco permanente. Nós erramos, mesmo sabendo e conhecendo. O fracasso é uma contingência do existir. Não somos Deus. Não somos onipotentes nem oniscientes, como parece que Adão pretendeu ser: conhecedor do bem e do mal, tendo capacidade de discernir tudo com clareza.

Viver é um ato de fé. E aqui começamos a sair da Psicologia e entramos no terreno religioso, pois o que estamos afirmando nos remete à condição de finitude do ser humano. Somos limitados, e nossa capacidade de previsão e de ação também apresentam os seus limites. Podemos errar em nossas escolhas e isso pode nos custar caro! Podemos também deixar de assumir as responsabilidades sobre nossas potencialidades e deixar de realizá-las. A fé não nos assegura o acerto nem o êxito (Hc 3.17-19), mas sim o perdão e a aceitação. Aceitação e perdão estão associados. Aceitar-nos e aos outros é admitir a nossa falibilidade e abrir-nos para acolher o outro e a nós mesmos tal como somos ou estamos. Somente assim poderemos nos livrar das fantasias que nos afastam da realidade e das cobranças e reivindicações amargas. Quando alcançamos essa abertura de mentee de espírito, estamos prontos para o milagre da mudança.

Para terminar, talvez não haja nada mais oportuno do que as palavras do próprio Dr. Paul Tournier: "Porque eu descobri que não é quando estamos espiritualmente ensoberbecidos, mas sim quando somos mais humanos, que mais nos aproximamos de Deus. Essa é uma verdade que Ele tem de me ensinar de novo todos os dias".

Notas
1. TOURNIER, Paul. Culpa e graça; uma análise do sentimento de culpa e o ensino do evangelho. São Paulo: ABU, 1985.
2. El personaje y Ia persona. Buenos Aires; La Aurora, 1974.
3. La aventura de Ia vida. Buenos Aires: La Aurora, 1976.
4. Quando ousei compartilhar a mim mesmo. Belo Horizonte: Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos, texto no 12.
5. Técnica psicoanalitica y fe religiosa. Buenos Aires: La Aurora, 1969.

Almir Linhares de Faria, psicoterapeuta, éprofessor de Psicologia Geral da Pontifícia Universidade Católica de Campinas e membro do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos.

Texto n° 2, retirado da edição 251, mar-abr de 1998

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