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C. S. Lewis: uma vez ateu, sempre ateu?

Uma vez ateu, sempre ateu? No caso de Sigmund Freud, sim; no caso de C.S. Lewis, não. O famoso pai da psicanálise morreu ateu aos 83 anos e o famoso crítico literário de Oxford e Cambridge renunciou o ateísmo quase na metade de sua vida — 31 anos depois de seu nascimento (1898) e 34 anos antes de sua morte (1963). Os escritos de Freud levaram e ainda levam muita gente ao ateísmo, e os de C.S. Lewis levaram e ainda levam muita gente à fé. Ao contrário do médico vienense, o autor das Crônicas de Nárnia é considerado “o mais popular defensor da fé no século 20”.

C.S. Lewis fora da creche
Embora fosse neto de pastor e tenha sido criado na fé cristã pelos pais, C.S. Lewis enveredou-se progressivamente para o ateísmo já no início da adolescência. Além de esconder o que estava acontecendo para não assustar o pai, o menino fez de conta que era crente e até participou da classe de catecúmenos. Mais tarde, confessaria que “a covardia o levou à hipocrisia e a hipocrisia, à blasfêmia”.

Uma das explicações para o ateísmo de Lewis é a mesma de muitos outros ateus: ele queria livrar-se da interferência de alguém, em particular, a interferência de Deus, o “Intruso”, ou o “Interventor Transcendental”.

Lewis se abrigava em Freud para justificar o seu ateísmo e avançar cada vez mais em direção à não-existência de uma “Inteligência além do Universo”. Naquela época, conta Lewis, “a nova psicologia [de Freud] já estava nos penetrando a todos [e, embora não a engolíssemos por completo], fomos todos influenciados”. Ele aprendeu com o médico de Viena que a fé em Deus não passa da projeção de fortes desejos e necessidades internas. A idéia de um “super-homem idealizado dos céus” é algo infantil, e o “mundo não é uma creche”, dizia Freud.1

Outra pessoa que perturbou sobremaneira a vida de Lewis foi a superintendente do colégio interno em Malvern, a professora Cowie, uma espécie de mãe substituta (a mãe verdadeira de Lewis havia morrido de câncer quatro anos antes, quando ele tinha apenas 9 anos). Cowie não era uma mulher sem fé, mas “ainda não havia atingido a sua maturidade espiritual [e vivia] zanzando de um culto para outro, sobre os quais ela discutia com Lewis”. Ela o deixou confuso e “raspou fora as arestas pontiagudas” da fé que ele tinha.2

Já o querido professor William Kirkpatrick, mesmo sem impor seu ateísmo aos alunos, forneceu a Lewis argumento suficiente para ele defender sua postura contrária à religião. E, na universidade, como diz Armand Nicholi, autor de Deus em Questão (Editora Ultimato, 2005), “estudantes e professores escrutinam cada aspecto possível do universo — desde os bilhões de galáxias, até as partículas subatômicas, elétrons, quarks —, mas evitam rigorosamente examinar as suas próprias vidas”.3


C.S. Lewis de volta à creche
No segundo trimestre de 1929, Freud estava com 73 anos e C.S. Lewis ainda não tinha completado 31. O pastor suíço Oskar Pfister, o melhor e mais perseverante amigo do psicanalista ateu, estava com 56 anos. Em carta datada de 26 de maio, Freud escreveu a Pfister que “a vida não é fácil em si e seu valor é duvidoso”.4 Freud estava, havia seis anos, com um doloroso câncer no palato, que dificultava a ingestão de alimentos, a respiração e a fala. Em abril, no domingo de Páscoa, Lewis admitiu que Deus era Deus, dobrou os seus joelhos diante do bendito “Interventor Transcendental” e orou. Ele mesmo conta: “Naquela noite, quem sabe, eu era o mais deprimido e relutante convertido de toda a Inglaterra”.

Para Lewis, a fé não começa pelo conforto, mas pelo pavor. É preciso passar primeiro pelo pavor provocado pela santidade de Deus e pela convicção de pecado, para depois experimentar o conforto. No caso dele, como no caso do etíope encarregado de todos os tesouros de Candace, que lia Isaías 53.7-8; de Agostinho, que ouviu alguém recitar Romanos 13.13-14; e de Lutero, que leu Romanos 3.21-23, foi a leitura do Novo Testamento no original em grego que os levou à fé.

Como se chama a experiência pela qual passou Lewis? Embora significativas e parcialmente esclarecedoras, as palavras “alteração”, “transição” e “mudança” são pobres para expressar tamanha transformação, interior, profunda, definitiva e também misteriosa. “Conversão” é a palavra mais apropriada e mais usada nas Escrituras Sagradas. Porém, na linguagem soteriológica, há uma expressão que define melhor o fenômeno da mudança. É aquela que Jesus dirigiu a Nicodemos: “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo [ou de cima]” (Jo 3.3). Em novembro de 1898, Lewis nasceu da mãe e em abril de 1929, “nasceu de novo”, nasceu do Espírito. “Se alguém está em Cristo”, afirma Paulo, “é nova criatura” (2 Co 5.17).


C.S. Lewis surpreendido pela alegria
Do ateísmo, Lewis passou para o teísmo e do teísmo, para o cristianismo. No ateísmo, ele não acreditava em Deus algum. No teísmo, passou a acreditar num Ser Sobrenatural, numa Inteligência Superior, numa Autoridade Última, num Governador do Universo. No cristianismo, declarou haver “um Deus” e que “Jesus é o seu Filho Único”.

Antes da metanóia (mudança de mente), Lewis dizia que, assim como Hércules ou Odim foram considerados deuses depois de terem morrido, o profeta judeu Yeshua (Jesus) também foi considerado Deus depois de ter sido crucificado e sepultado. Jesus era mais um mito entre outros tantos. Contudo, depois da Páscoa de 1929, para Lewis Jesus deixou de ser simplesmente filho de Maria e José ou qualquer outro homem, o contestador, o mártir, o morto que nunca se levantou da tumba. Ele o descobriu como o Deus invisível que se tornou visível, cuja morte foi vicária, cuja ressurreição aconteceu de fato, cujos ensinos e promessas são totalmente confiáveis e cuja volta em poder e glória é absolutamente certa.

Mas a alteração não ficou apenas no terreno da contemplação e da teologia. Ele mudou completa e drasticamente, como observa Nicholi. O diário de Lewis, que ele abandonou depois da conversão, mostra que ele era crítico, orgulhoso, cínico, cruel e arrogante (há registros discriminatórios, como “italianinho repulsivo”, “padre asqueroso”, “mulher gorda, feia e bonachona”, e alguém que ele chama de “pequeno asno”). O autor de Os Quatro Amores abandonou esse comportamento e passou a viver e a ensinar a prática da afeição: “Você pode dizer o que bem entender no tom certo e no momento certo — no tom e no momento que não têm a intenção de machucar, e não vão mesmo machucar”.5 Lewis ensinava também que os nossos relacionamentos com os outros devem ser caracterizados por “um amor real e custoso, com profundo pesar pelos pecados dos outros, [...] sem arrogância, nem superioridade, nem presunção”.6

Ao abandonar o ateísmo, Lewis abandonou Freud. O mandamento de Jesus é amar o próximo como a si mesmo (Mt 19.19), mas o criador da psicanálise mudou para amar o seu próximo como o seu próximo o ama. Lewis preferiu ficar com o ensino cristão. Para ele, se não amamos uma pessoa é preciso começar a desgostar menos e a gostar um pouco mais dela...

Outra evidência da mudança de Lewis é que ele se tornou um destemido e bem-sucedido arauto da fé, principalmente no meio acadêmico e literário. A professora Gabriele Greggersen, autora de A Antropologia Filosófica de C.S. Lewis (Editora Mackenzie, 2001), afirma que “todas as palestras radiofônicas, difundidas pela BBC de Londres, e obras, que vão desde a ficção científica a um tratado de literatura, de C.S. Lewis, carregam a mensagem de esperança para um mundo já esvaziado de parâmetros antropológicos sólidos”.7 Dos vários livros de Lewis, o que mais explicitamente descreve o encontro dele com Deus é a autobiografia Surpreendido pela Alegria (Editora Mundo Cristão, 1998), leitura obrigatória em cursos de graduação e pós-graduação oferecidos por universidades de renome internacional. Gabriele garante que há cerca de 400 mil sites diferentes dedicados a Clive Staples Lewis, inclusive o que ela organizou no Brasil (www.cslewisbrasil.org).8

O psiquiatra Armand M. Nicholi Jr., que ministrou por 35 anos um curso sobre Freud e Lewis em Harvard, termina o livro Deus em Questão com a seguinte afirmação: “Freud e Lewis representam as partes conflitantes dentro de nós mesmos. Uma parte levanta a voz de desafio à autoridade, dizendo como Freud: ‘Não me renderei jamais’. A outra, como Lewis, reconhece dentro de si um alento profundamente assentado por restabelecer um relacionamento com o Criador”.9


Notas
1. Deus em Questão, p. 21, 45.
2. Idem, p. 38.
3. Idem, p. 14.
4. Cartas entre Freud e Pfister, p 172.
5. Deus em Questão, p. 181.
6. Idem, p. 199.
7. A Antropologia Filosófica de C.S. Lewis, orelhas.
8. Idem, p.17.
9. Deus em Questão, p. 255.


Betty Bacon e C.S. Lewis

Identifico-me muito com C.S. Lewis. Perdi a minha mãe com 5 anos e vivi a adolescência durante a Segunda Guerra Mundial. Vi as bombas caírem em Londres e em outros lugares da Inglaterra. Fiquei sabendo do que estava acontecendo nos campos de extermínio nazistas. Enfrentei muitos questionamentos na Universidade. Ali fui poderosamente alcançada pela graça de Deus por meio de Jesus Cristo, que aceitei conscientemente como Senhor e Salvador. Logo comecei a participar do grupo local da Intervarsity Fellowship (a ABU inglesa). Sentia necessidade de base firme, racional e, pela fé, descobri junto com os colegas cristãos as riquezas da revelação bíblica. Os livros de Lewis sobre literatura medieval eram leitura essencial para quem estudava língua e literatura inglesa, como eu. Só mais tarde li As Crônicas de Nárnia e a ficção científica de Lewis. Entendo perfeitamente a tremenda alegria que ele sentiu quando soube de vez que Deus se encarnara em Jesus, como se lê em Surpreendido pela Alegria. Lamento que Freud não tenha tido experiência igual, apesar da herança judaica, que poderia tê-lo levado ao Messias.

Betty Bacon, 78 anos, é casada, mãe de cinco filhos e vive no Brasil há 54 anos. É professora de seminários, assessora da ABU e escritora. É autora de Insights into Brazilian Literature (sobre literatura brasileira) e de Estudos na Bíblia Hebraica. Participou da comissão que produziu a Nova Versão Internacional (NVI) da Bíblia Sagrada.


Eu vejo e creio

Dia após dia, noite após noite
Sem som, sem voz, sem ruído
No mais absoluto silêncio
Os céus declaram a glória de Deus
E o firmamento proclama
As obras das suas mãos
Então, eu ouço a sua voz
E escuto as suas palavras
Em todos os cantos da terra
E em todo o espaço sideral
Sem abrir os meus ouvidos
E sem fechar os meus olhos!

(Paráfrase dos quatro primeiros versos do Salmo 19)

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