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Capa

Imoralidade sexual: existe tal coisa?

Tudo muito fácil

Há cinqüenta anos, não existiam dormitórios mistos nas universidades americanas. “Nos dormitórios de hoje”, relata o jornalista e escritor americano Tom Wolfe, autor do livro recém-lançado no Brasil Eu Sou Charlotte Simmons, em entrevista à Veja, “qualquer um pode entrar ou sair sem vigilância”. Para Wolfe, isto “é um detalhe físico que faz imensa diferença quando se trata de sexo. Por mais liberado que seja, um adulto muitas vezes não consegue encontrar uma cama num prazo curto. Se você mora em uma cidade, talvez tenha de ir para um hotel, o que é um incômodo e custa caro. Mas, na faculdade, os hormônios estão eriçados e as camas encontram-se lá, à espera”. Wolfe explica que “a crise moral é resultado também diminuição da fé religiosa entre pessoas educadas, bem de vida”. Na década de 50, essas coisas não aconteciam porque “as igrejas ainda tinham um certo poder moral sobre as pessoas” (Veja, 11/05/2005, p. 15).

O escritor americano, que fez uma conferência na abertura da XII Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro em meados de maio e que não tem “uma consciência aguda da importância da religião”, certamente não está exagerando. Basta ler o artigo de capa Sex in the Body of Christ [Sexo no corpo de Cristo] na Christianity Today de maio de 2005, escrito por Lauren F. Winner, autora do também recém-lançado Real Sex: The Neckel Truth About Chastity [Sexo real: a verdade nua e crua sobre a castidade], nos Estados Unidos.



Tudo muito generalizado

Antes de se converter, Lauren, de origem judaica, vivia como a maioria dos adolescentes americanos (65% deles começam a se relacionar sexualmente na época em que terminam o segundo grau). A primeira experiência dela foi aos 15 anos e assim se portou com seus namorados até que um ministro evangélico lhe disse claramente que essa conduta não era apropriada. A moça não conseguiu abandonar seus hábitos sexuais imediatamente, como gostaria que acontecesse, mas começou a sua caminhada, “mergulhando na castidade”, como ela mesma diz.

Em seu artigo, Lauren Winner declara que “as comunidades cristãs não estão livres da revolução sexual”. Ela menciona três pesquisas realizadas nos anos 90 com solteiros cristãos: aproximadamente um terço dos entrevistados eram virgens, o que significa, é claro, que dois terços não o eram. A própria revista Christianity Today, numa entrevista realizada em 1992 com mais de mil leitores, descobriu que 14% tiveram um caso extraconjugal e destes, 75% eram cristãos na época da traição.

Os pais, os professores e os pastores devem conservar a pregação da pureza sexual que se fazia antes da revolução sexual americana da década de 60, que instalou a permissividade, algo próprio da pós-modernidade. Essa constatação é de suma importância porque aquilo que desde o princípio era chamado de transgressão foi transformado em “direito”, não só no mundo secular, mas também no mundo cristão. Heber Carlos de Campos, do Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper, da Igreja Presbiteriana do Brasil, em seu artigo O pluralismo do pós-moderno, afirma que a tolerância ética (sexo fora e antes do casamento) existe tanto entre os chamados protestantes liberais como entre os fundamentalistas (Fides Reformata, janeiro a junho de 1997, p. 12).



Tudo muito errado

Não é difícil recuperar a pregação da ética sexual se ainda não jogamos fora um dos pilares da Reforma Protestante do século 16 — o “sola Scriptura” (só as Escrituras como regra de fé e prática). Pois não há a menor possibilidade de se dispensar o cristão da moralidade sexual. Não há nem sequer uma pequena fresta pela qual se poderia passar para o lado oposto (a imoralidade sexual).

A expressão mais usada no Novo Testamento na Nova Versão Internacional para enfeixar diferentes deslizes sexuais é “imoralidade sexual” (pornéia, no original grego), também traduzida por relações sexuais ilícitas (ou irregulares), adultério, fornicação, concubinato, prostituição, licenciosidade, infidelidade, imoralidade e impureza. Na versão citada, essa expressão aparece em Mateus (5.32; 19.9), Atos (15.20, 29), Romanos (13.13), 1 Coríntios (6.18), Gálatas (5.19), Efésios (5.3), Colossenses (3.6), 1Tessalonicenses (4.3), 1 Timóteo (1.10) e Apocalipse (2.14, 20-21; 21.8; 22.15).

Um dos versículos diz: “Comportemo-nos com decência, como quem age à luz do dia, [...] não em imoralidade sexual e depravação” (Rm 13.13). Noutro, se lê: “Fujam da imoralidade sexual. Todos os outros pecados que alguém comete, fora do corpo os comete; mas quem peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo”, que é santuário do Espírito Santo (1 Co 6.18). O texto de Paulo aos efésios é peremptório: “Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos” (Ef 5.3). Em outra epístola, o apóstolo ordena: “Façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês”, e o primeiro item dessa incômoda bagagem é a imoralidade sexual (Cl 3.5). Para sermos santificados, a etapa número um é “abstenham-se da imoralidade sexual”. Cada um precisa aprender a “controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados, como os pagãos que desconhecem a Deus” (1 Ts 4.3-5). Ao jovem pastor Timóteo, seu pai na fé explica que a lei não é feita para os justos, mas “para os que praticam imoralidade sexual e os homossexuais” (1 Tm 1.9-10). Nas cartas dirigidas à igreja em Pérgamo e em Tiatira, há uma severa denúncia contra as “pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão” (Ap 2.14) e contra as que toleram Jezabel, a mulher que se autoproclama profetiza (Ap 2.20), porque ambos defendem e estimulam a imoralidade sexual. E, no mesmo livro de Apocalipse, duas vezes se afirma que ficam de fora da Nova Jerusalém “os que cometem imoralidade sexual” (Ap 21.8; 22.15).

A tríade “impureza, imoralidade sexual e libertinagem” é encontrada duas vezes (2 Co 12.21; Gl 5.19). Em 1 Coríntios 6.9, Paulo é tão meticuloso que fala em “homossexuais passivos” (ou efeminados, “depravados”, em outras traduções) e “homossexuais ativos” (ou pessoas de costumes infames, sodomitas, devassos, pederastas).

A moral sexual ensinada por Jesus e pelos apóstolos não deixa por menos: toda relação heterossexual “irregular” (fora do casamento) e toda relação homossexual é pecado. A licenciosidade sem conseqüência só seria possível com a inexistência de Deus ou com a morte de Deus, como declarou à revista Veja o filósofo francês Michel Onfray, de 46 anos: “Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar”. (Na verdade, Onfray está repetindo Dostoievski: “Sem Deus tudo é permitido”.) Para esse ateu inveterado, “o princípio fundamental do Deus do cristianismo, do judaísmo e do islã é um entrave e um inibidor da autonomia do homem” (Veja, 25 maio 2005, p.11). O grande “problema” é que Deus existe e não está morto. Isso significa que Michel Onfray e todos aqueles que trocam a soberania de Deus pela permissividade estão em apuros, pois não há como pôr panos quentes na questão sexual nem afrouxar as normas (o tal paradigma do artigo O padrão de conduta é alto demais e a carne é fraca demais, porém a salvação é grande demais!).

Depois de examinar cuidadosamente o código sexual baseado nas Escrituras Hebraicas (Antigo testamento) e o Novo Testamento, o celebrado catedrático de Oxford e crítico literário C. S. Lewis chegou à conclusão de que “não há escapatória: a regra é ou o casamento com fidelidade total ao parceiro, ou a abstinência total” (Deus em Questão, p. 150).



Tudo muito possível de cura

Todavia, Jesus deixou claro que as portas da graça estão abertas para todos os transgressores da moralidade sexual, desde que eles se reconheçam pecadores, se arrependam e façam o tal “mergulho na castidade”, mencionado por Lauren Winner. Veja-se, por exemplo, o trato dispensado por Jesus à mulher samaritana (Jo 4.1-42), à mulher adúltera (Jo 8.1-11) e à mulher pecadora (Lc 7.36-50). As portas da graça também estão abertas para aqueles que, depois de terem aceitado o evangelho, cometem algum pecado sexual, se eles reconhecerem e se arrependerem do escândalo, como aconteceu com Davi e com aquele homem da igreja de Corinto que possuiu a mulher do seu próprio pai (1 Co 5.1-5; 2 Co 2.5-11).

Vale lembrar que o Senhor “veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19.10) e que vários membros da igreja de Corinto eram “ex-uma-porção-de-coisa”, inclusive ex-adúlteros e ex-homossexuais ativos e passivos (1 Co 6.9-11). (Veja Os “malakoi” e os “arsenokoitai”).

No esforço para abraçar a moralidade sexual, não se pode descambar para a interpretação do sexo como algo imoral em si. “O Deus das Escrituras”, ensina o psicólogo suíço Paul Tournier, “não condena o instinto sexual, pois foi ele quem o criou e o entregou ao homem, mas ele, mediante a sua revelação [a sola Scripitura], inspira o homem quanto à forma de usá-lo” (Os Fortes e os Fracos, p. 210).

Para o apóstolo Paulo, lembra o teólogo britânico James Dunn, o instinto sexual “é uma força para criar vida e aumentar relações, mas também uma força capaz de corromper e destruir” (A Teologia do Apóstolo Paulo, p. 776).

O que atrapalha muito a pregação da moralidade sexual são o legalismo (o discurso cheio de regrinhas e sem amor), a hipocrisia (o que se fala em público não se faz em secreto) e a obsessão pelo pecado sexual (ênfase demasiada e quase exclusiva nesse pecado e o esquecimento de muitos outros pecados de igual gravidade).

A pós-modernidade e sua filha mais dileta, a permissividade, precisam de contestadores à altura, porque, segundo J. D. Unwin, pesquisador não-religioso nem moralista, que estudou 86 sociedades diferentes, as civilizações só floresciam durante o tempo em que valorizavam a fidelidade sexual. Quando a conduta sexual era relegada, elas experimentavam posteriormente um declínio. “O ressurgimento só aconteceria quando retornassem a padrões sexuais mais rígidos”, acrescenta Philip Yancey, em seu mais recente livro (Procurando Deus nos Lugares Mais Inesperados).

O retorno à moralidade sexual precisa acontecer agora, antes que até mesmo a pedofilia se torne plenamente aceitável!

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