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Especial — João Paulo II — uma avaliação inicial

Key Yuasa

Cremos que o papa João Paulo II exerceu uma forte liderança na Igreja Católica Romana durante o seu pontificado, o que, de certa forma, aumentou o seu prestígio. Além de ter realizado 104 viagens internacionais, visitado 133 países e se encontrado com 982 governantes, o sumo pontífice promulgou catorze encíclicas, onze constituições apostólicas, quinze exortações e 45 cartas apostólicas. Também ordenou 321 bispos, beatificou 1.338 pessoas e canonizou outras 482.

Tudo isso toma maior grandiosidade se consideramos sua origem modesta (filho de pai militar e mãe costureira); certos acidentes pelos quais passou (foi atropelado por um bonde quando jovem, por um ônibus quando universitário e sofreu um atentado a bala quando papa); que perdeu a mãe (antes dos 9 anos), o único irmão e o pai (aos 21 anos); que viveu em uma Polônia ocupada pelos nazistas e depois pelos comunistas, e que trabalhou por quatro anos como operário em uma pedreira para evitar a deportação e os trabalhos forçados na Alemanha.

Entretanto, qual seria a avaliação da pessoa e do pontificado de João Paulo II sob o ponto de vista da fé evangélica?

Nossa visão continua a ter os balizamentos da Reforma Protestante: solo Cristo (só Cristo), sola gratia (só a graça), sola fide (só a fé) e sola Scriptura (só as Escrituras). Confessamos que Cristo realizou a obra redentora suficiente. Percebemos que a posição católica está cada vez mais Cristus et Maria, ou Maria et Cristus. A mariolatria tem sido reafirmada cada vez com maior força. A encíclica Redemptoris Mater, de 1987, por exemplo, reafirma a assunção de Maria e faz afirmações que a nós nos parecem fruto de especulações, já que carecem de base bíblica.

Tal desenvolvimento doutrinário se torna possível devido à ausência de uma doutrina sola gratia, sola fide; isto é, que se baseie inteiramente na graça de Deus e somente na fé em Jesus. Embora afirme em algumas partes que Cristo é o único mediador, essa encíclica tem uma ampla seção sobre a mediação materna. Segundo o documento, por sua obediência e maternidade e por seu sofrimento ao ver o Filho crucificado, a mãe de Jesus participa da mediação de Cristo.

Essas coisas ocorrem no catolicismo romano porque lá não há o princípio da sola Scriptura. Na Igreja Católica há três canais: a Escritura Sagrada, a Tradição (o que a igreja sempre creu) e o Magistério da Igreja (o trono de Pedro). O papa polonês não teve a liberdade de se perguntar se a tradição do culto mariano na Polônia e no resto do mundo é bíblico ou não. Mas, se a tradição incorporou essa face de Maria, não há problema. O Magistério tem autoridade para definir a matéria. E se ele errar? Essa possibilidade não existe, pois o dogma da infalibilidade papal garante a ausência de erro. O sistema católico romano de checagem da verdade tem na doutrina da infalibilidade papal (quando o papa se pronuncia ex cathedra em assuntos de fé e doutrina) o “selo de garantia” da verdade. Ora, isso naturalmente continua inaceitável para o evangélico conhecedor das doutrinas bíblicas.

Precisamos de um senso crítico quando olhamos as nossas culturas. É bom trazer à memória o Pacto de Lausanne, de 1974:

“Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça” (Pacto de Lausanne, parágrafo 10).

Embora João Paulo II tenha continuado a visão do diálogo e das relações ecumênicas, inaugurada por João XXIII; embora tenha feito avanços notáveis no que diz respeito a outras religiões visitando sinagoga, mesquita, rezando junto ao muro das lamentações e realizando encontro inter-religioso; embora tenha feito um número extraordinário de “mea culpa” ou “nostra culpa”, tem-se a impressão de que o conceito fundamental de ecumenismo é “como outros cristãos, poderão reconhecer e participar da realidade de que o bispo de Roma é Primus inter pares, o primeiro entre iguais”.

Ora, toda a idéia de cátedra de Pedro é algo estranho à visão evangélica.

Comparando com os tempos de anúncio e de realização do Concílio do Vaticano, parece que de modo geral a Igreja tornou-se mais conservadora.




Key Yuasa, pastor da Igreja Evangélica Holyness, em Curitiba, é presidente da Aliança Evangélica Brasileira (AEVB) e membro da Aliança Evangélica Mundial.

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