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Exclusivo Online — Ecologia bíblica

Apesar de mudanças significantes no cenário político mundial, as ameaças à sobrevivência do planeta Terra ainda são múltiplas e assustadoras – a falta de estabilidade política nos países da Europa Oriental e na Comunidade de Estados Independentes (a ex-União Soviética); a indefinição sobre o controle e maior desenvolvimento de armas nucleares; a poluição industrial da terra, da atmosfera e das águas; o crescimento demográfico explosivo; a desertificação; e a perda de solo, florestas e minerais – não eram ameaças no período bíblico. Não há nenhuma referência bíblica específica e direta dessas questões. Entretanto, a Bíblia nos oferece perspectivas, atitudes e valores que não são passageiros e que dizem respeito à relação entre a humanidade e todo o mundo criado. Mais especificamente, nos oferecem uma base para avaliar a retórica ecológica dos meios de comunicação cada vez mais destacáveis devido a Rio-92. Desta forma é possível desenvolver uma perspectiva bíblica do meio ambiente e do ser humano dentro deste contexto, em todas as suas dimensões – a sua relação e dependência da criação; e sua relação e dependência de Deus.



Bom ou mau?

Uma postura positiva



Quando a Bíblia trata da relação entre os três atores do cenário mencionado acima – Deus, o ser humano, e a criação – pinta um quadro inicial, última e essencialmente positivo. Quanto ao ser humano, cabe-lhe uma atitude de profunda gratidão pela criação. “Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graça, nada é recusável, porque pela palavra de Deus, e pela oração, é santificado” (1 Tm 4.4-5). Isso não significa que o pecado não atingiu o mundo e que o jeito que o encontramos é imexível. O romanticismo do século 17 via o mundo dessa forma e, embora amplamente rejeitado pela comunidade científica, ainda surte grande influência nos meios populares de comunicação. A perspectiva bíblica não vê o mundo nem como mau, nem como bom, mas como essencialmente bom. Significa que toda a criação de Deus, apesar de haver sofrido as conseqüências do pecado, é redimível, e portanto é motivo de gratidão humana a Deus. Isso nos leva a um segundo ator no cenário – Deus.

Se a relação do ser humano com a criação é de gratidão, a relação de Deus para com ela é de profunda satisfação. Ao criar os componentes fundamentais do planeta, Deus viu isso como bom (Gn 1.12, 21, 25). No final, observou tudo que havia feito e viu que era, de fato, muito bom (Gn 1.31). Tal qualidade, essencialmente benéfica da criação, fornece uma base para a proclamação da soberania de Deus por todo o mundo, inclusive para todos os povos. Nada do mundo e nenhum povo é “mau” segundo o intento original de Deus, como se não merecessem nada ou merecessem menos a sua plena realização pelo evangelho. A tarefa missionária implica em reivindicar como “bom”, pela graça de Deus, todo aspecto da criação e todos os povos deste mundo, todo neste mundo que Deus criou e que o pecado manchou, isto é, tudo.

Finalmente, o terceiro ator neste drama – a própria criação – também tem um papel positivo. Ela se alegra e canta louvores àquele que a criou (Sl 65.9-13; 144.12-15; 145.15-16). Essa é a sua verdadeira sorte, mesmo que aguarde a sua redenção com angústias e gemidos (Rm 8.22-23).



Dependência ou independência?

A interligação

A Bíblia registra vários relatos sobre a criação. Cada um com seu devido enfoque. Além dos relatos de Gênesis 1 e 2, há relatos de outros lugares nos Salmos, em Isaías, João, Efésios e Colossenses. Em Gênesis 1, por exemplo, o homem se encontra como o ápice da criação, enquanto Gênesis 2 ele é o seu centro. Em ambos, ocupa uma posição de destaque. Qual é, exatamente, a relação entre o ser humano, a criação e Deus na Bíblia?

Em primeiro lugar, a criação toda, inclusive a humanidade, encontra seu propósito em dar glória a Deus. Deus expressa a sua soberania sobre a criação através de dois atos: o ato de criar e o ato de designar o lugar (função) e o nome (propósito) de cada elemento. Por exemplo, em Gênesis 1.10, à porção seca chamou Deus “Terra”, e ao ajuntamento das águas, “Mares”. Tal observação sustena a posição dos ecologistas e de boa parte da comunidade científica de que não há elementos fortuitos e dispensáveis no planeta. Por conseqüência, a fim de melhor administrar a criação, a humanidade precisa entender o devido propósito das suas partes. É por isso que, do ponto de vista cristão, existem a pesquisa e a universidade.

Porém, a criação não deve ser divinizada. Contra aqueles que acriticamente glorificam a criação, os panteístas funcionais de hoje, afirmamos que ela é distinta de Deus. Não é Deus. Deus a vê (Gn 1.4, 10, 12, 18, 21 e 25) e declara simplesmente “isso é bom”. O “bom” no hebraico denota mais um sentido ético. Inclui também uma conotação estética, a idéia de beleza, adorno e alegria (Jó 38.4-9; Sl 148.3-14). O caráter material e orgânico da criação não é barreira à glória de Deus. Pelo contrário, é um veículo necessário para a expressão de tal glória.

O mundo não foi criado apenas por causa do ser humano, mas também porque Deus se alegra nele e cuida de todas as suas criaturas. Toda criatura serve e glorifica a Deus, até mesmo a vida não- humana (Sl 19.1-5; Is 40.22-31).

Deus se alegra e cuida da criação “independentemente” da sua importância para os seres humanos (Jó 38.33-41; Sl 104.10ss)! Uma preocupação pelo meio ambiente por causa do bem-estar futuro da humanidade não é a razão suficiente, e sim, aquém da perspectiva bíblica que procura na ecologia não apenas a sobrevivência da humanidade, mas o louvor e a glória devidos a Deus.

O mundo pertence “apenas” a Deus. Nenhuma substância material poderá existir independentemente da vontade criativa de Deus. Segundo a Bíblia, o mundo pertence a Deus, não à humanidade quecria os elementos básicos da natureza. Quando o homem molda o mundo para satisfazer os seus próprios interesses, e não os interesses de Deus para a criação toda (não só o ser humano), então o mundo se deprecia!

Em segundo lugar, o ser humano faz parte da criação e é dependente dela. O ser humano vive dentro de um contexto de interdependência com a criação. Desde o início, nossa sorte está ligada ao solo, e por sua vez, a sorte do solo está ligada a nós. Podemos provocar a melhor ou a pior sorte. Embora Deus coloque o homem no Jardim para cultivá-lo (Gn 2.15), ele promete um amplo galardão. Toda planta comestível lhe é dada (1.29-30; 2.16). Aqui reparamos o tema bíblico da abundância da provisão de Deus. Não havia falta (2.8-9). Bastava o homem cultivar e guardar. Nascemos do solo e dele recebemos o nosso sustento. Pertencemos a este mundo (a criação) por completo. O mundo fornece a base da existência humana!

A vida começa e se orienta ao interesse de Deus (Sl 104.24, 27-30). Hoje, invertemos isso, pensando que o mundo é “objeto” para nossa exploração, em vez de “sujeito” para a glorificação de Deus. Em grande parte, ignoramos as necessidades de outras formas de vida. Para a cosmovisão bíblica, uma atitude utilitária para com o mundo não-humano seria pagã!

Em terceiro lugar, o ser humano, enquanto faz parte da criação e depende dela, também é seu “mordomo”. O ser humano, como o restante da criação, foi criado “conforme a sua espécie” (Gn 1.11, 12, 21, 24, 25), só que à imagem e semelhança de Deus (1.26-27). A imagem de Deus é elaborada em termos do “domínio” que o homem teria sobre o resto da criação. O homem foi criado à imagem de Deus, não pelo que o homem é intrinsicamente, mas pela postura que assume diante da criação, uma postura de soberania (com “s” minúsculo) amorosa e cuidadosa, refletindo a Soberania (“s” maiúsculo) de Deus (1.26-28). O homem não foi criado apenas para administrar os deuses – uma administração “espiritual”, como nas várias mitologias antigas – mas foi criado para civilizar ou ordenar a criação - uma administração “mundana” (Sl 8.5-6). Em teologia, há uma referência a essa administração humana sobre a criação como um mandato cultural. Ser criado à imagem de Deus é ser responsável com a terra e toda a sua forma de vida!

A soberania humana implica em “responsabilidade” para preservar a ordem que Deus criou e promover a existência de todos os seus elementos. Tal soberania não implica em liberdade autônoma e autocrática para dispor dos recursos do mundo para finalidades auto-determinadas. Os seres humanos são mordomos de Deus, responsáveis a ele e cuja primeira tarefa é assegurar a permanência e equilíbrio da criação. Não somos regentes independentes .



Espiritual ou material?

Uma posição integrada



A preocupação divina coma salvação (o “espiritual”) não é alheia da sua preocupação pelo bem-estar da sua criação (o “material”). A criação é o primeiro dos atos salvadores de Deus (Sl 74.12-17), isto é, não devemos conceber a participação do homem no mundo como opcional, nem como secundária ao seu papel evangelístico na salvação “de almas”. Desde o início, a criação fazia parte do plano salvador de Deus , como primeiro passo!

Aliás, a conversão de seres humanos não é o último dos atos salvadores de Deus, mas o estabelecimento de novos céus e nova terra, ou seja, uma nova criação (Ap 21.1), a libertação da própria criação em si (Rm 8.20-22).

Até o fim, a criação gozará do plano salvador de Deus, como último passo. A mesma graça de Deus que se manifestou em Jesus Cristo, também se manifestou na criação (Jo 1.1-14; Hb 1.2-3; Cl 1.15,16,20). E a graça de Deus manifesta alcançará e restaurará o seu propósito inicial, todas as coisas criadas por ele (Cl 1.23; Mc 16.15; Ef 1.21-23; Fp 2.10-11; 1 Co 15.27-28).




Timóteo Carriker, 39 anos, casado, três filhos, é missiólogo e professor em diversas escolas de teologia e missões. Norte-americano, no Brasil desde 1978, atualmente mora em Florianópolis, SC. É autor de O Caminho Missionário de Deus, Missões na Bíblia e A Sedução da Igreja da Unificação.









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