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Os dois Jesus

Como não é possível, sob o ponto de vista histórico, negar o nascimento de um certo Jesus, na época do imperador romano César Augusto, de Quirino (governador da Síria) e de Herodes, o Grande (rei dos judeus), e como uma boa quantidade de pessoas não consegue acreditar em sua história conforme o relato dos Evangelhos, não há outra solução senão o dilema dos dois Jesus, o Jesus das Escrituras Sagradas (de Gênesis a Apocalipse) e o Jesus das enciclopédias. Essa situação embaraçosa nos coloca diante de jesuses contrastantes entre si. A identificação dada a eles mostra a substanciosa diferença entre um e outro, como se pode ver a seguir:

Temos o Jesus dos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e o Jesus dos Evangelhos apócrifos; o Jesus eterno (que no princípio estava com Deus) e o Jesus temporal; o Jesus filho de Deus e filho do homem e o Jesus exclusivamente filho de José e Maria; o Jesus morto, sepultado e ressuscitado e o Jesus apenas morto e sepultado; o Jesus cheio (“de graça e de verdade”) e o Jesus vazio (de qualquer vestígio do sobrenatural); o Jesus real (“quem me vê, vê o Pai”) e o Jesus inventado; o Jesus da fé e da razão e o Jesus só da razão; o Jesus imatável (“Ninguém tira a minha vida de mim, mas eu a dou por minha espontânea vontade”) e o Jesus mártir (aquele que é morto por suas crenças ou opiniões); o Jesus de ontem, hoje e amanhã e o Jesus apenas de ontem; o “próprio” Jesus e o “outro” Jesus; o Jesus da teologia e o Jesus da filosofia; o Jesus da erudição ortodoxa e o Jesus da erudição liberal; o Jesus dos cristãos e o Jesus dos reencarnacionistas.

Entre um Jesus e outro há um grande abismo, que tem separado violentamente os seguidores de Cristo dos simpatizantes de Cristo. O filósofo alemão Gotthodd Efrahim Lessing (1729-1781), filho de um pastor luterano, confessa honestamente que entre o Jesus eterno e o Jesus histórico há um “fosso terrível”, que ele não consegue atravessar “por mais freqüente e diligente que tente chegar ao outro lado”.

O mundo sempre esteve e ainda está tremendamente dividido a respeito de Jesus. Do outro lado do “fosso terrível” há muita gente simples e também renomados pensadores e teólogos. Entre os mais conhecidos e respeitados sobreviventes do dilema destaca-se, por exemplo, um homem de 84 anos que já foi capelão da rainha Elizabeth e hoje é reitor da All Souls Church, em Londres, e presidente do London Institute for Contemporany Christianith. Chama-se John R. W. Stott. Em Por Que Sou Cristão, seu mais recente livro, escrito em 2003 e publicado em português logo em seguida, o apreciado Stott, que acaba de comemorar 67 anos de vida cristã, faz preciosas confissões cristocêntricas:

“Não nos envergonhamos de Jesus Cristo, que é o centro e o cerne do cristianismo” (p. 39).

“Jesus colocou-se numa categoria moral em que estava só. Todos os demais estavam na escuridão; ele era a luz. Todos estavam famintos; ele era o pão da vida. Todos estavam sedentos; ele era a água viva. Todos eram pecadores; ele podia perdoar os pecados” (p. 46).

“A morte de Cristo foi uma expiação, uma revelação e uma conquista — uma expiação pelo pecado, uma revelação de Deus e uma conquista sobre o mal” (p. 58).

“Em qualquer compreensão equilibrada da cruz, confessaremos Cristo como Salvador (expiando nossos pecados), como mestre (revelando o caráter de Deus) e como vitorioso (vencendo os poderes do mal)” (p. 67).

À semelhança daqueles mestres da lei do tempo de Jesus que “não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo” (Mt 23.13), há certos teólogos hoje em dia que são incapazes de atravessar o “fosso terrível” e ainda divulgam suas idéias para dificultar a travessia de outras pessoas. Precisamente há 20 anos foi fundada em Santa Rosa, na Califórnia, Estados Unidos, uma sociedade de teólogos católicos, protestantes, judeus e ateus que se propõe a adotar e divulgar uma teologia anti-sobrenatural através de livros, artigos, conferências e entrevistas. O autor de Jesus: Uma Biografia Revolucionária, John Dominic Crossan, por exemplo, sugere que o corpo do Senhor teria sido enterrado numa vala rasa, desenterrado e comido pelos cães. Para os teólogos dessa sociedade, denominada de Seminário Jesus (Jesus Seminar), Jesus poderia ter sido tudo (um cínico, um reformador social, um feminista, um profeta escatológico), menos Emanuel (Deus conosco), Salvador do Mundo, Rei dos reis. Para eles, 82% do que os Evangelhos canônicos atribuem a Jesus não é autentico. Segundo Robert W. Funk, seu líder principal, o Seminário concluiu que “os contextos narrativos em que as palavras de Deus são preservadas nos Evangelhos são invenção dos evangelistas”.

Esse Jesus esvaziado dos elementos sobrenaturais torna-se igual a qualquer ser humano e perde todo o seu valor. O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, que faria 100 anos no início do próximo ano se não tivesse sido enforcado em abril de 1945 no campo de concentração de Bunchenwall, explica que “considerar o Cristo histórico inteiro significa considerá-lo em todas as três fases de sua existência: encarnação, paixão e ressurreição”.

Os espíritas têm um grande apego a Jesus Cristo, ao ponto de se autodenominarem seus amantes, amigos, apóstolos, caminheiros, discípulos, emissários, enviados, irmãos, obreiros, operários, pequeninos, seareiros, seguidores, servidores, servos, tarefeiros e trabalhadores (a julgar pelo nome de 77 centros espíritas brasileiros). Eles conferem a Jesus inúmeros títulos altamente honoríficos, como “o ser mais puro que até hoje se manifestou na Terra”, “o espírito da mais alta hierarquia divina”, “o mais compassivo dos médicos desde o princípio”, “a maior essência espiritual depois de Deus”, “a manifestação mais perfeita de Deus que o mundo conhece”. Eles se dizem “assembléia de Jesus”, “centelha de Jesus”, “rebanho de Jesus” e “seara de Jesus”. Todavia, ao mesmo tempo, afirmam que “Jesus não é nem homem nem Deus”.

O reencarniocionista americano Edgar Cayce (1877-1945), fundador da Associação para Pesquisa e Iluminação (1931), chega a blasfemar quando ensina que “Jesus é o resultado de uma longa cadeia de reencarnações”. A mesma blasfêmia é repetida por José Simões de Paiva Neto, da Legião da Boa Vontade: “Jesus também começou como nós, na estaca zero. Ele não foi criado com uma perfeição sem jaça. Foi feito simples e ignorante como cada um de nós, claro que anteriormente à fundação do planeta Terra. Jesus evoluiu em outro mundo e foi desenvolvendo o seu espírito de encarnação em encarnação, até chegar à unidade com o Pai, a ponto de poder dizer: ‘Eu e o Pai somos um’”.

Todas as religiões reencarcionistas cometem o monstruoso e ingrato crime de negar o doloroso sacrifício expiatório de Jesus, por meio do qual é possível obter pela fé o perdão dos pecados.



Buda de pernas cruzadas e Jesus de braços abertos

Em suas viagens à Ásia, várias vezes John Stott permanecia parado em atitude de respeito diante de uma estátua de Buda. Lá estava o fundador do budismo nascido há mais de 500 anos antes de Cristo, com “as pernas cruzadas, os braços dourados, os olhos fechados, o fantasma de um sorriso nos lábios, sereno e silencioso, com um olhar distante na face, desligado das agonias do mundo”.

Então, em sua imaginação, Stott voltava-se para outra pessoa, para “aquela figura solitária, retorcida, torturada sobre a cruz, com pregos lhe atravessando as mãos e os pés, com as costas dilaceradas, distorcidas, a testa sangrando nos pontos perfurados por espinhos, a boca seca, sedenta ao extremo, mergulhada na escuridão do esquecimento de Deus”.

A visão do Buda de pernas cruzadas e a do Jesus de braços abertos levou Stott a escrever:

“[Jesus] colocou de lado a sua imunidade para sentir a dor. Ele entrou em nosso mundo de carne e sangue, lágrimas e morte. Ele sofreu por nós, morrendo em nosso lugar, a fim de que pudéssemos ser perdoados. Nossos sofrimentos tornaram-se mais suportáveis à luz do Cristo crucificado” (Por Que Sou Cristão, p. 68).

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