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O Martin Luther do século 16: “Eu já não tenho esperança”

O homem que redescobriu a graça e mostrou que a salvação não é por meio de obras, mas por meio da fé em Jesus Cristo, em hipótese alguma desprezou a importância das boas obras. Ao contrário, por colocar as obras depois da graça, o reformador alemão tornou-as mais virtuosas, mais numerosas e mais proveitosas, pois “antes da graça não pode acontecer nenhuma boa obra”.

No comentário do Magnificat (o cântico de Maria), de 1521, Martim Lutero censura os soberbos que olham somente para cima, “em busca de honra, poder, riqueza, conhecimento, bem-estar e tudo que é grande e elevado”. Em função disso, “ninguém quer olhar para baixo, onde existe pobreza, ignomínia, miséria, desgraça e angústia”. Assim evitados, repudiados e abandonados pelo pecado do egoísmo, os pobres “são obrigados a permanecer na condição de humilhação e desprezo”.

No Sermão sobre a Usura, de 1519, Lutero diz que são tão numerosas as falcatruas, as malícias e as espertezas em voga entre os comerciantes que “eu já não tenho esperança de que tudo isso melhore”.

As denúncias continuam:

“Eles praticam livremente todo tipo de tramóia e astúcia, e inventam outras diariamente. Assim tudo fede a ganância. Tudo está afogado e mergulhado num grande mar de lama.”

“Não há mercadoria da qual não se saiba tirar vantagem: na medida, na contagem, na fita métrica, no volume ou no peso. Às vezes, dão-lhe uma cor que ela não tem. É uma fraude atrás da outra. Nenhum comerciante arrisca confiar no outro além daquilo que ele vê e pega nas mãos.”

“Eles deram um jeito de ter lucro certo e eterno da mercadoria incerta e arriscada. Mesmo assim precisam sugar o mundo inteiro. Todo o dinheiro tem de entrar e flutuar para o bolso deles.”

“São todos uns ladrões, assaltantes e agiotas públicos.”

Já no Estatuto para uma Caixa Comunitária, escrito em 1523, Lutero mostra grande preocupação com os pobres, idosos, viúvas, órfãos, cidadãos endividados e forasteiros interessados em fixar moradia em Wittenberg. Prevê também armazenamento de grãos e ervilha, para que, em época de carestia, os preços pudessem ser regulados. A receita dessa caixa comunitária viria de todas as fontes de rendas (pomares, campos, pastagens, pedágios, aluguéis, juros etc.), de doações, coletas, contribuições, esmolas e de heranças “espontâneas, feitas em estado saudável e por testamento no leito de morte, em espírito cristão, para honra e glória de Deus e por amor ao próximo, sejam em bens, dinheiro, jóias e provisões”.

A caixa comunitária seria administrada por dez provedores eleitos por uma assembléia geral da paróquia, representando a nobreza (dois membros), o conselho paroquial (dois), os habitantes da cidade (três) e os habitantes da zona rural (três), com mandato de um ano. Esses provedores deveriam administrar com fidelidade e sem prejuízo, da melhor maneira, receitas e despesas, “por amor de Deus e para o bem geral, de boa consciência cristã, sem favoritismo próprio, sem inveja, sem benefício, sem temor nem qualquer motivo improcedente”. Para dar conta do recado, eles deveriam se reunir dominicalmente das 11 às 14 horas na casa paroquial ou na sede da câmara. Três vezes ao ano, os dez administradores se reuniriam com a assembléia geral para submeter à apreciação de todos a administração, as receitas e as despesas, bem como as necessidades surgidas e a maneira adequada de satisfazê-las.

O cofre seria guardado no lugar mais seguro da igreja e lacrado com quatro chaves, distribuídas representativamente entre os administradores.

Dessa caixa comunitária sairiam os recursos para pagar os gastos com o ministério pastoral (salário do pastor, do pregador e do capelão), com a sacristia (salário do sacristão ou zelador), com a educação escolar (salário dos professores), com os inválidos, idosos pobres, órfãos, crianças pobres, pobres residentes e forasteiros residentes na cidade, e também com a conservação e construção de prédios. Deveria haver ainda recursos para a compra de cereais para o estoque comunitário.

Se observado com a seriedade com que foi elaborado, o Estatuto para uma Caixa Comunitária freiaria o egoísmo e acabaria com a injustiça social na cidade onde fosse adotado. Produziria o casamento da pregação com as obras, da teoria com a prática.

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