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Notícias — Mais do que notícias

O país de contrastes perversos, Ariovaldo Ramos

Ariovaldo Ramos

Somos uma das maiores economias e um dos piores índices de distribuição dessa riqueza.

Temos uma desenvolvida tecnologia ao lado dos piores índices de alfabetização e de aquisição de cultura.

Possuímos uma das arquiteturas mais reconhecidas e respeitadas ao lado de um dos maiores índices de déficit habitacional e de submoradias.

Vivemos num dos maiores territórios do planeta, com terras das mais férteis, ao lado dos piores índices de distribuição de terra.

Desfrutamos uma das mais eficazes agriculturas ao lado da fome e da subnutrição.

Dominamos uma medicina das mais desenvolvidas ao lado de índices estarrecedores de mortalidade infantil.

Dispomos de uma das legislações mais avançadas na área dos direitos humanos ao lado de graves índices de violência contra a mulher, abuso de crianças e adolescentes e prática de tortura.

Alcançamos um dos códigos penais de maior senso humanitário ao lado de um dos sistemas carcerários mais aviltantes e degradados.

Conseguimos uma das democracias raciais mais celebradas ao lado de um racismo pérfido e sutil.

Escrevemos uma das constituições mais avançadas ao lado dos piores e mais corruptos políticos encontrados numa nação classificada entre as modernas.

Aperfeiçoamos um dos sistemas de votação mais avançados ao lado de um processo eleitoral marcado pela preponderância do poder econômico e por vícios que perpetuam no poder uma casta de caudilhos.

Vivemos uma cultura marcada pela criatividade ao lado de um mercado cultural colonizado e empobrecedor.

Somos um dos povos que mais confessam a existência de Deus ao lado de uma vergonhosa manipulação religiosa e de arraigadas práticas de superstição, que tornam nosso povo prisioneiro de forças malignas.

Ariovaldo Ramos é pastor, presidente da Visão Mundial do Brasil e representante evangélico no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) da Presidência da República.



Manifesto do Fórum de Lideranças Negras Evangélicas*

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, membros do Corpo de Cristo, Senhor da Igreja. Nós aqui chegamos na condição de escravos. Nosso país recebeu o maior número de escravos em relação aos demais países na América Latina e foi o último país a abolir a escravidão negra. Na história da humanidade não se tem registro de uma escravidão tão longa e cruel quanto à do negro no Brasil. Fomos desrespeitados ao longo da história, reprimidos e massacrados em nossos valores religiosos. No mesmo barco que veio o colonizador veio o evangelizador. Colonizar significava evangelizar. Essa evangelização, no princípio, foi representada pelo catolicismo e, mais tarde, pelo protestantismo. A expressão religiosa do negro passou a ser associada a coisa do demônio. Nos evangelizavam, sem no entanto nos considerar como sujeitos do processo de evangelização. Quase tudo nos foi negado ao longo desses séculos de conquista e colonização. Jamais, porém, conseguiram apagar em nós a esperança.

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, congregados de diversas igrejas protestantes. Sabemos que as igrejas históricas foram as primeiras denominações protestantes a chegarem ao Brasil pelos imigrantes e, depois, pelos missionários estrangeiros. Essas igrejas chegaram no período da escravidão. Dentro delas havia os que buscavam reproduzir o modelo escravocrata firmado em um discurso teológico e não conseguiam ver a incompatibilidade entre escravidão e fé cristã. Esses eram os missionários que vieram do Sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota na guerra da Secessão contra o Norte pela libertação dos escravos. A grande maioria desses primeiros protestantes, quando não escravistas, eram omissos. Eles também defendiam a sua posição teologicamente, afirmando que a Igreja não devia interferir no Estado. Além disso, havia a divisão arbitrária entre o espiritual e o material, entre o corpo e a alma, pensamento que até hoje permanece em muitas igrejas. Reconhecemos também a existência dos abolicionistas: eram em sua maioria missionários do Norte dos Estados Unidos, europeus e um pequeno grupo de convertidos brasileiros. [...]

Somos afrodescendentes e evangélicos, sim, e compreendemos que a verdadeira espiritualidade do povo de Deus se expressa em sua integralidade. A igreja que proclama as boas novas do reino deve ser a mesma que estende a mão ao necessitado. Vimos por esse meio apelar ao 2º Congresso Brasileiro de Evangelização — CBE2 que dê um basta na omissão da igreja evangélica brasileira e quebre o silêncio dos púlpitos com relação à temática negra e que não fique só nas palavras, nos sermões e nas declarações, mas [que haja] também ações concretas: programas, campanhas, ações afirmativas e reparações. E juntos vamos “proclamar o reino de Deus, vivendo o evangelho de Cristo”.


*Em reunião na Catedral Presbiteriana Independente de São Paulo, nove dias antes do CBE2.



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