Apoie com um cafezinho
Olá visitante!
Cadastre-se

Esqueci minha senha

  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.
Seja bem-vindo Visitante!
  • sacola de compras

    sacola de compras

    Sua sacola de compras está vazia.

Capa

Avivamento tupiniquim

Manfred Grellert

Ainda sob o impacto das bênçãos do CBE2, fiquei animado a voltar a aparecer “por escrito” na minha terra natal, o que faço com algum temor e tremor. Fiquei fora por quase duas décadas. Falo línguas estranhas. Já não mais consigo ler o contexto brasileiro adequadamente. Meu português gaúcho se enferrujou. Mesmo assim, e com a mudança no meu estilo de vida no futuro próximo, aqui estou. Fiquei entusiasmado com a nova geração de líderes presentes no CBE2, aparecendo por todos os lados. Também nas camadas populares, porque Deus não fala só por meio de doutor. Falou por intermédio de pescadores... Quantos novos dons a serviço da causa do evangelho! Fui profundamente abençoado por Deus por meio das reflexões e dos contatos pessoais com queridos irmãos e irmãs do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste. A nova geração sem dúvida é melhor do que a minha. Preocupou-me somente o ligeiro desprezo pela teologia sistemática, que apareceu aqui e ali, mas quase sempre dentro de colocações bem sistemáticas, ou de algumas que deveriam ter sido mais sistematizadas. Outra preocupação foi com o ruído. Haverá muito otorrinolaringologista faturando em cima de ouvidos moços de evangélicos por aí.

Aguardo o livro do CBE2 para poder ponderar mais sobre o que o Espírito tem falado à sua igreja. Tenho minhas notas. Mas a prática presente da missão integral em muito ultrapassou nossas articulações teóricas dos anos 80, graças a Deus. A capacidade de reflexão tanto construtiva como crítica também evoluiu muito. E uma vez mais tomei consciência de que nosso bom Deus muitas vezes fala mais seriamente a todos nós mediante uma comunicação um tanto marota. O Espírito sopra não só onde quer, mas também como quer. Ri muito e chorei. Que bom! Comprei o vídeo da mensagem do querido Jeremias, capaz de levantar qualquer um que esteja frustrado ou deprimido. Gostei da louvação, ainda que seja tarde demais para um puritano velho aprender a rebolar. Fizeram-me engolir uma vassoura, por isso tenho pouca ginga.

Um dos temas abordados no CBE2 foi o da espiritualidade, mas falou-se também sobre a necessidade de compreendermos mais profundamente a prática da renovação da igreja. Identifico-me com a busca de uma vida espiritual mais rica e mais profunda, dando graças a Deus pelo trabalho significativo que já está sendo feito. Missão integral precisa de espiritualidade integral. E o ativista é quem mais precisa de contemplação. A falta de uma devoção séria levou muitos praxistas a sérias complicações. Prática de missão integral começa com um coração puro e consagrado, senão não é missão integral. Deus sempre nos quer primeiro a nós mesmos; só depois disso a nossa ação. Só quem aprende a viver de Deus e com Deus pode viver para Deus de forma sadia. Frutos que permanecem vêm de vidas sistematicamente colocadas no altar de Deus. Antes de pregar e de praticar o evangelho é preciso vivê-lo e encarná-lo. O ser antecede o fazer, mas o fazer autentica o ser. Vida espiritual é a aventura constante na busca de maior cristificação, na encarnação do fruto do Espírito, o que vem a ser a mesma coisa.

Mas é sobre um marco de compreensão para a renovação da igreja que me proponho a pensar nas próximas edições de Ultimato. Como herdeiro da reforma radical evangélica, anabatista, o tema está aí desde os inícios do protestantismo. Com a ossificação ortodoxa, vieram as reações de pietistas e de puritanos. Os primeiros, luteranos, viram claramente que renovação tem a ver com a nova vida, regenerada, do evangelho, e não somente com a nova doutrina. Podemos ser ortodoxos e espiritualmente vazios. Os segundos, reformados, trabalharam não somente pelo homem novo do evangelho, mas também pela nova sociedade. Às vertentes luteranas e reformadas se uniu o arminianismo de Wesley. Os dois Grandes Avivamentos produziram conversões, mas também profundas reformas sociais. O primeiro provocou, entre outras mudanças, o fim do tráfico negreiro; o segundo lutou pela abolição da escravatura, entre outras causas sociais. A pergunta que me faço é a seguinte: deve o CBE3 trabalhar não somente na evangelização do Brasil e a partir do Brasil, mas também num marco para nosso avivamento tupiniquim? Afinal de contas somos mais de 25 milhões de evangélicos, uma massa crítica para também sinalizar um projeto de nação mais marcado pelos sinais do reino de Deus. Então, o que me proponho a fazer é trabalhar num marco de avivamento que busque tanto o homem (pessoa) novo do evangelho, como a nova sociedade a partir do evangelho. Não seria trágico se nos acontecesse que também aqui aparecesse só o Terceiro Avivamento que no Sul dos Estados Unidos produziu gente nascida de novo, mas racista? Nem falar no que aconteceu na África do Sul. Poderiam 50 milhões de evangélicos conviver com uma das mais iníquas distribuições de renda do mundo? Seriam então realmente merecedores do nome “evangélicos”, e comprometidos com o evangelho? Minha oração é que nosso avivamento produza cristãos santificados, com uma agenda de transformação nacional. Isso é possível? Como? O que nos ensinam a Palavra e a história da igreja? É sobre isso que me proponho a ponderar nos próximos números. (De saída quero reconhecer os estímulos recebidos dos dois livros sobre renovação de Richard F. Lovelace.)


Manfred Grellert é vice-presidente da Visão Mundial Internacional para a América Latina e Caribe e foi o presidente do CBE em 1983.

QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI.

Ultimato quer falar com você.

A cada dia, mais de dez mil usuários navegam pelo Portal Ultimato. Leem e compartilham gratuitamente dezenas de blogs e hotsites, além do acervo digital da revista Ultimato, centenas de estudos bíblicos, devocionais diárias de autores como John Stott, Eugene Peterson, C. S. Lewis, entre outros, além de artigos, notícias e serviços que são atualizados diariamente nas diferentes plataformas e redes sociais.

PARA CONTINUAR, precisamos do seu apoio. Compartilhe conosco um cafezinho.


Opinião do leitor

Para comentar é necessário estar logado no site. Clique aqui para fazer o login ou o seu cadastro.
Ainda não há comentários sobre este texto. Seja o primeiro a comentar!
Escreva um artigo em resposta

Ainda não há artigos publicados na seção "Palavra do leitor" em resposta a este texto.