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As grandes surpresas do último censo religioso brasileiro

Primeira

À vista dos censos anteriores e de vários outros fatores, os observadores mais atentos esperavam número bem menor de católicos. A lembrança é do sociólogo da religião do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) e professor do departamento de sociologia da USP, Antônio Flávio Pierucci. Numa população de 170 milhões de habitantes, os católicos são 125 milhões – três quartos de todos os brasileiros. “É católico que não acaba mais”, diz o sociólogo.



Segunda

Levando em conta as taxas elevadíssimas do crescimento do protestantismo histórico, pentecostal e neopentecostal dos últimos 20 anos, bem como “a extrema visibilidade e a penetrante vocalidade dos evangélicos na cena brasileira” (Pierucci), esperava-se número bem maior de evangélicos. Os protestantes são 26 milhões, apenas 15% da população.



Terceira

Talvez a maior de todas as surpresas do último censo religioso seja o enorme crescimento dos sem-religião. Esses crentes a seu jeito, que não assumem compromisso com nenhum grupo religioso, eram 1% dos brasileiros 20 anos atrás e agora são 7,3% (mais de 12 milhões), o que corresponde a quase a metade dos evangélicos.



Quarta

A surpresa geral é a constatação do encolhimento numérico dos adeptos de Umbanda e outros cultos afros. A porcentagem de umbandistas no censo de 2000 é extremamente pequena – apenas 0,34% . Continua sendo uma religião urbana.



Quinta

Embora o número de religiões seja cada vez maior no Brasil e no mundo, o aumento da tolerância religiosa no Brasil surpreende. Segundo o editorial do Jornal do Brasil de 11 de maio de 2002, “a diversidade [religiosa] é bem mais aceita do que era, as pessoas se sentem livres para abraçar a religião com a qual mais se identificam”. Isso seria o ápice do decreto que determinou a separação entre o Estado e a Igreja, logo após a proclamação da República. Para permanecer nessa rota, explica o Jornal do Brasil, “é importante que o Estado se mantenha laico até para garantir com maior isenção a liberdade e a pluralidade dos cultos”.

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