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Reflexão — Robinson Cavalcanti

A redenção da cultura

Há algum tempo, um orador perguntou a um grupo de empresários de um país asiático: Quantos milhões mais de convertidos será necessário para mudar sua cultura nacional? Os ouvintes ficaram perplexos, pois tal país é constituído de 1/3 de cristãos e é a sede das maiores igrejas do mundo. Para aqueles ouvintes, o cristianismo se limitou à fé individual, à salvação e à piedade pessoal, à integração à igreja e à esperança na vida futura.

Teria razão Os Guiness (genro de Francis Schaeffer), para quem “um evangélico é uma pessoa de coração quente e de cérebro vazio”. Por sua vez, Mark Noll, autor de A Mente Evangélica, diz que “o problema com a mente evangélica é que quase não há uma”. Os guetos sociais, os mosteiros mentais, a compreensão estreita das Escrituras, a ignorância e o preconceito não permitem o impacto do cristianismo sobre as culturas, como exercício das culturas, como exercício da mordomia da criação.



Redenção cultural

A leitura de Gênesis 1.28 nos leva a perceber que o mandato cultural inclui: 1) sexualidade, família, organização social — “Sede fecundos”; 2) uso dos recursos naturais, relação com o meio ambiente, economia — “Enchei a terra”; 3) conhecimento, experimento científico, tecnologia —“Sujeitai-a”; 4) Governo, legislação, justiça social — “Dominai”.

Um outro autor comenta a cultura como “a impressão digital do homem na criação de Deus”. Para Niebuhr, “cultura é o processo total da atividade humana e o resultado total dessa atividade”. Heibert entende que “cultura é um sistema integrado de padrões de conhecimento aprendido, idéias e produtos que caracterizam uma sociedade”. Kuzbetak, por sua vez, diz que “cultura é um projeto de vida”. E isso inclui a língua, as idéias, as crenças, os valores, os costumes, os rituais, as expressões estéticas e a organização social.

As culturas são permeadas por uma idéia-base, um núcleo ideológico, um mito fundador ou uma cosmovisão. O paganismo grego, o cristianismo, o islã e o marxismo se constituíram em algumas das meta-narrativas que marcaram a civilização. Por séculos, a meta-narrativa judaico-cristã plasmou inúmeras culturas, sofrendo o desafio do secularismo e do marxismo na modernidade e a rejeição de todas as meta-narrativas no pressionamento relativista pós-moderno.

Sabemos que, por um lado, as culturas, como criação humana, são expressões da imago dei: recebemos de Deus a habilidade para pensar, sentir e criar, segundo o seu projeto original. Por outro lado, o pecado, a rebelião, afetaram moralmente a humanidade, provocando distorções na criação cultural, com sinais de morte, ódio, exploração, egoísmo, desequilíbrio, insanidade, e podem dar lugar ao demoníaco: a sintonia entre os poderes deste mundo e as potestades espirituais da maldade. Os cristãos, ao compartilharem sua meta-narrativa, podem desencadear processos redentores (redimir a cultura).

Para Colin Harbinson, “a história se move em direção à plenitude do Reino que há de vir, Deus já iniciou, em Jesus Cristo, o processo de restauração da geração caída e está trazendo todas as coisas em harmonia com o seu projeto original (Cl 1.20). Não há área da cultura que esteja fora do plano reconciliador de Deus. Ele nos deu um ministério de reconciliação” (2 Co 5.18), não só para os indivíduos, mas para todas as esferas e estruturas sociais. “O evangelho do Reino transcendeu a cultura, mas seu poder e propósitos transformadores devem se dar dentrro de cada sistema cultural.” O plano de restauração de Deus inclui “a cura das nações”.

Por essa razão, um cristão asiático fez, certa vez, um apelo para que os missionários pudessem trazer o cristianismo para o seu país como uma “semente”, que pudesse crescer deitando raízes em seu solo, e não como “mudas crescidas”, estranhas e deformadas.



Fuga cultural?

Neste século, o literalismo teológico muitas vezes negou a necessidade de mudanças culturais no terreno das distorsões e do demoníaco (absolutizando as culturas dos homens “intrinsecamente bons”, “não caídos”), enquanto o fundamentalismo teológico vem exportando “mudas crescidas, estranhas e deformadas”, e, em sua vertente mística, tende a promover uma subcultura isolacionista, o subjetivismo, a alienação e a não-participação reconciliadora e transformadora.

Está mais do que evidente que as culturas não serão transformadas com a omissão, a importação ou a mera agregação de indivíduos não-participantes, não-impactantes com a nossa meta-narrativa, na produção de idéias e de expressões culturais, o que envolve, em especial, o campo da arte.

As matrizes missionárias, que temem o sincretismo com as culturas não-alcançadas, já foram alcançadas pelo sincretismo de suas culturas neopagãs (individualismo, competição, consumismo, modelo econômico etc).

Quando nos lembramos das festas, dos ritos e dos objetos da arte sacra da cultura judaica, e constatamos a infeliz generalização da pecha de “idolatria” ou “superstição”diante do ritual e do simbolismno — que proclamam e atualizam a meta-narrativa —, verificamos que a aridez discursiva, o moralismo-legalismo e o emocionalismo são instrumentos limitados, ineficazes e irrelevantes para a tarefa evangélica da redenção cultural.

Clarck Pinnock, um batista, afirma que o protestantismo necessita de uma forte recuperação do simbolismo que dramatize sua fé. Necessita da beleza da cor, da dança, dos gestos, dos processionais e do cheiro que alimentem a sua vida espiritual e sejam canais de idéias que produzam conseqüências.

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