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As teses de Lutero

A palavra tese hoje é mais conhecida e mencionada quando se refere a trabalhos acadêmicos apresentados ao término de um curso de pós-graduação. Mas ela significa também a proposição que se expõe para, em caso de impugnação, ser defendida. A palavra vem do grego thésis, que significa literalmente o “ato de pôr” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).

É nesse sentido que se deve entender as famosas 95 Teses de Lutero, que o reformador alemão, aos 34 anos, afixou à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, no dia 31 de outubro de 1517, dando início à denominada Reforma do Século XVI. Trata-se de uma coleção de 95 frases curtas, quase todas referentes às indulgências (meios pelos quais a Igreja Católica concedia remissão do castigo temporal).


Eis algumas das teses de Lutero:
“Quando o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo disse: Fazei penitência etc (Mt 4.17), Ele quis que toda a vida dos fiéis fosse um só arrependimento” (tese n° 1).

“O papa não pode perdoar uma única culpa de pecado, senão declarar e confirmar que já foi perdoado por Deus” (n° 6).

“Esta cizânia de se transformar a pena canônica em penas do purgatório aparentemente foi semeada quando os bispos se achavam dormindo” (nº 11).

“Pregam futilidades humanas quantos afirmam que, tão logo a moeda soar, ao ser jogada na caixa, a alma se eleva do purgatório” (nº 27).

“Serão eternamente condenados, juntamente com seus mestres, aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves (rescritos papalinos que contêm uma decisão de caráter particular) de indulgências” (no. 32).

“Todo e qualquer cristão verdadeiramente compungido tem pleno perdão da pena e da culpa, o qual lhe pertence mesmo sem breve de indulgência” (nº 36).
“Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento das exações (cobranças rigorosas de dívida ou de impostos) dos pregadores de indulgência, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas” (nº 50).

“É vã a confiança de ser salvo mediante breves de indulgência, mesmo que o comissário papal, mesmo que o próprio papa empenhe sua alma como garantia” (nº 52).

“São inimigos da cruz de Cristo e do papa quantos, por causa da prédica de indulgências, mandam silenciar completamente a Palavra de Deus nas demais igrejas” (nº 52).

“O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus (nº 62).

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