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Reflexão — Robinson Cavalcanti

Para que um CLADE IV?

Assembléias dos santos
Desde o registro do capítulo 15 do livro dos Atos que os discípulos de Cristo se “congregam” para “considerar um assunto”, mesmo havendo “grande discussão”, para, por fim, parecendo bem, “chegar a um acordo”. Nos primeiros séculos tivemos os concílios da igreja indivisa, dirimindo as controvérsias teológicas e estabelecendo os credos que definiram a confessionalidade do cristianismo. Com a divisão institucional da cristandade, passamos a conhecer as assembléias denominacionais em escala mundial (romanos, ortodoxos, reformados, luteranos, anglicanos, batistas, congregacionais, metodistas e assim por diante).

Esses eventos fornecem o intercâmbio de experiências, idéias e propostas, atualizam a inserção da igreja no tempo e promovem uma abertura de mentes, superando-se o paroquialismo ou provincialismo, que tantas vezes alimentam a estreiteza, o fanatismo ou a arrogância espiritual. Quantos concílios, convenções, sínodos, conferências ou congressos não têm impactado vidas, transformando a história e redirecionando a igreja? A motivação “turística” de alguns não tem impedido a ação do Espírito Santo.

Alguns desses ajuntamentos de santos têm sido marcados por um caráter transdenominacional, sejam internacionais ou regionais.

No século XX se destacam, em nível denominacional, o Concílio Vaticano II (1963/66), para a Igreja Romana, e o Congresso de Lausanne (1974), para o mundo evangélico. O primeiro, acompanhei-o com atenção como aluno do curso de Ciências Sociais da Universidade Católica de Pernambuco, estudando todos os seus documentos finais, e ao segundo fiz-me presente como membro da Comissão de Convocação e orador em um dos painéis temáticos. 

Encontros na América Latina
A América Latina também foi palco de eventos importantes. Três Congressos foram promovidos pelas entidades estrangeiras: Panamá (1916), como reação à Conferência Ecumênica de Edimburgo (1910), reafirmando o nosso continente como campo de missão, Montevidéu (1925) e Havana (1929). Já sob a liderança de nacionais e na busca por um “protestantismo latino-americano”, foram realizadas três conferências evangélicas: CELA I (Buenos Aires, 1949), CELA II (Lima, 1961) e CELA III (Buenos Aires, 1969), experiência esta esgotada pelo peso exclusivo das igrejas históricas teologicamente seguidoras das correntes européias e norte-americanas, diante de um continente marcadamente evangélico e crescentemente pentecostal.

Um novo ciclo de encontros se iniciou com o I Congresso Latino-americano de Evangelização — CLADE I (Bogotá, 1969), sob os auspícios da Associação Evangelística Billy Graham, e em decorrência do Congresso Internacional de Evangelismo (Berlim, 1966) “Ação de Cristo para um Continente em Crise”. Tornou-se conhecida uma nova geração de pensadores, liderada por figuras como René Padilla, Samuel Escobar, Pedro Arana e outros, quase em sua totalidade oriunda de movimentos vinculados à Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (ABU). Com a bandeira de um evangelismo em unidade, inculturado e com responsabilidade social e política, nasceu a Fraternidade Teológica Latino-americana — FTL (Cochabamba, 1970), da qual tive a honra de ser o mais jovem dos fundadores.

Foi a FTL que convocou os CLADE’s seguintes. Como membro do Comitê Executivo daquela entidade por 7 anos, integrei a Comissão Diretora do CLADE II (Huampani, Peru, 1979). Sob a tensão da Guerra Fria e o impacto da então recente Revolução Sandinista da Nicarágua, reunimo-nos sob o tema “Que a América Latina Ouça a Voz de Deus”. Mais de mil pessoas de todos os países do continente e de várias denominações se fizeram presentes, em uma demonstração de maturidade da fé evangélica. Pude participar como um dos oradores sobre o tema da responsabilidade política do cristão. O CLADE III foi o ápice do trabalho da Teologia da Missão Integral da Igreja em nosso continente. Até hoje estão firmes os seus objetivos-desafios: 1) Reafirmar o lugar essencial das Escrituras na formação do pensamento, vivência e missão da comunidade do Espírito; 2) Destacar, a partir da Trindade, o papel, a presença e o poder do Espírito Santo na vida, espiritualidade e missão da Igreja na América Latina; 3) Refletir sobre as diversas expressões teológicas, missiológicas e litúrgicas da espiritualidade contemporânea da igreja evangélica no continente; 4) Desafiar a igreja evangélica no seu testemunho, como comunidade do reino de Deus, a ser agente de mudança e transformação em uma sociedade caracterizada pela violência, corrupção, pobreza e injustiça; 5) Dar testemunho público e agradecer a Deus pelo crescimento da igreja na América Latina ao longo do século que termina e discernir a vontade de Deus para o novo milênio. 

Novo congresso
Agora, em uma época tão rápida e radicalmente diferente, vem a FTL convocar o CLADE IV, a realizar-se em Quito, Equador, de 2 a 8 de setembro de 2000. A proposta reafirma os objetivos do CLADE III, acrescentando o discernimento da vontade de Deus para o seu povo “no começo do novo milênio”. O tema central será: “O Testemunho Evangélico para o Terceiro Milênio: Palavra, Espírito e Missão”.

Diante de um continente neocolonizado, um povo consumista, alienado e sem esperança, e uma igreja confusa, às voltas com o exótico, é nossa oração que o Espírito Santo venha soprar poderosamente sobre esse congresso, impactando a comunidade evangélica da América Latina, outra vez, no caminho da relevância e da sanidade.

Robinson Cavalcanti é bispo da Diocese Anglicana do Recife e autor de, entre outros, A utopia possível — em busca de um cristianismo integral.

Opinião do leitor

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