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Opinião

Um encontro longo e transformador

Por Ricardo Wesley

Por que nunca me chamaram para falar meu testemunho de conversão?

Certa vez me perguntaram se eu poderia dar um testemunho de minha conversão em uma grande conferência missionária estudantil. Relutei, até porque não via nada de extraordinário em minha própria história de encontro com Jesus. Ao fim, não muito convencido, mandei por escrito o relato, como me pediram. Nunca fui chamado para compartilhá-la, mas de certa forma eu já sabia que ela não trazia os atrativos que eles procuravam.

Também entendo, e respeito, aquelas tradições cristãs que depositam uma grande ênfase no dia e hora em que a pessoa teve um surpreendente encontro com Jesus e com a salvação. Requerem que você faça algo como um memorial, que fixe bem o dia da conversão, porque a partir dali, desse exato momento, tudo se fez novo na sua vida. Nas Escrituras abundam esses grandes momentos de virada na vida de alguém depois de ouvir a voz e o chamado do Senhor. Assim, creio que essa tradição nos ensina algo muito belo: a importância de recordar uma data especial e aproveitá-la para agradecer, celebrar e mesmo renovar compromissos.

Ainda assim, quando ouço vibrantes testemunhos públicos, especialmente quando acompanhados, mesmo que de uma maneira implícita, da sugestão de que essas seriam verdadeiras histórias de conversão, lamento o efeito negativo que isso possa causar naqueles que não identificam algo particularmente dramático nem instantâneo, ou arrebatador, em suas próprias histórias de encontro com o Senhor. A essas em especial me dirijo, com atenção e carinho.

Muitos se encontram com Jesus através de um lento e longo processo

Se você é daqueles que se sente um pouco tímido, talvez pressionado ou tentado a enfeitar um pouco sua própria história, possivelmente porque não veja nada de sensacional no seu testemunho, gostaria de dizer-lhe que você não está sozinho nesse barco. Aliás, creio que sua experiência é mais comum do que você pode imaginar. Acredito que muitos se encontram com Jesus através de um lento e longo processo. Foi assim comigo, e tomo a liberdade de compartilhá-la contigo.

Sou um daqueles que teve o privilégio de crescer em uma família cristã. Mais que isso, no meu caso, em uma família profundamente envolvida com o ministério, dessas que, sem exageros, posso caracterizar como uma família piedosa e evangelista. Desde que eu me entendo como gente eu já via meu pai pregar, pastorear, visitar, ler a Bíblia, orar, também minha mãe tocar seu vistoso acordeom nessa obediência missionária. Assim que aprendi a ler, recordo já ter uma Bíblia em minhas mãos. Memorizava os textos das Escrituras, o que de alguma maneira deve ter me ajudado em minha fugaz carreira de ator mirim nas peças das escolas, pela facilidade com que eu passei também a decorar os textos que as professoras me entregavam. Em casa, nos cultos domésticos pela noite, cada dia da semana, líamos juntos a Bíblia, também um devocional de “O Cenáculo”, orando todos juntos de joelhos ao final. Momentos únicos de minha infância e também adolescência que levarei bem guardados comigo por toda a minha vida.

Saí de casa aos 17 anos recém completados, não por rebeldia nem por uma crise, mas pela prosaica razão de entrar em uma universidade que se encontrava em outra cidade. Ali, logo no meu primeiro dia na universidade, conheci aqueles amigos de toda a vida da Aliança Bíblica Universitária (ABU), que me ensinaram que a fé também pensa, que ela se conecta com os temas e problemas do mundo ao meu redor, que a fé também é missão, que ao fim não existia desafio mais prazeroso na vida do que aquele de buscar ajudar colegas a ter seu próprio encontro único e transformador com Jesus.

Transformador é também uma palavra chave para mim. Fui conhecendo mais a Jesus nos anos de estudos na universidade e missão na ABU, também ao servir naquelas pequenas igrejas em vilas com gente tão diferente de mim, ao começar a trabalhar como missionário da ABU, ao viajar por diferentes lugares do mundo, ao buscar crescer nessa fé, conectá-la com a realidade ao meu redor, e assim aprendendo a cada dia a compartilhar melhor desse Jesus que já não cabia mais em mim, que transbordava de minha mente, vida e coração. Com cada um desses com quem eu compartilhava, companheiros universitários, vizinhos, amigos ateus em nossos anos no Uruguai, eu conseguia, a partir de seus olhares, acolhidas e rejeições, entender melhor e aprender a amar mais a esse Jesus. A ação missionária ajudava a que Jesus fosse ainda mais missionário em seu encontro comigo. Esse que bateu na porta da minha vida, essa que eu abri, por onde ele entrou e ficou para nunca mais sair.

Um encontro que se deu no caminho

Quando houve esse maravilhoso convencimento do Espírito na minha vida? Em que momento marcante chorei ao reconhecer-me pecador? Quando entreguei minha vida a ele? Quando houve essa mudança que a tudo transformou? Eu poderia te contar dos meus tesouros guardados que são meus próprios memoriais, acontecimentos especiais e marcantes nessa jornada. Mas hoje eu prefiro te dizer, e também a quem me pergunta, que meu encontro com Jesus se deu no caminho. Mais que isso, que esse encontro foi longo, transformador, e que ainda não terminou. Cada novo dia fico atento, abro outra vez a porta, ouço o seu sussurro, me volto e o busco, falo, mas muitas vezes me recolho em silêncio, sendo que tantas outras tento fazer sentido de seu próprio silêncio.

O mais especial em tudo isso? Ver que ao longo de toda minha história, em cada detalhe, mesmo quando eu não percebia ou quando me rebelava infantilmente, ele estava ali, não desistia de mim. Ele me conhecia antes que eu o conhecesse. Aliás, por conhecer-me mais do que eu a mim mesmo, por isso mesmo descobri que é só pela sua graça que o pude encontrar. Nada em mim que pudesse merecer sua atenção e visita. Não o digo por um suposto problema de autoestima, mas pela compreensão da graça que só fez aprofundar-se em mim nesse contínuo e transformador encontro.

Se me pedirem outra vez para compartilhar meu testemunho de conversão naquela conferência? Ah, perguntarei quanto tempo tenho, porque terei que mostrar o filme da minha vida. E direi que ele merece o Oscar, não por mim, mas pela maravilhosa maneira com que esse “cara” entrou em minha vida.

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Imagem: Jesse Bowser/Unsplash.com.
É casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo (SP), e serve como secretário regional associado para a América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE-IFES)
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