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Opinião

Sobre a (in) submissão do masculino

Por Isabella Passos

Por que a submissão se tornou desconfortável paras as mulheres cristãs?

“Por que a mulher tem que depender do homem? A resposta é que, entre as pessoas comuns, a mulher não depende do homem, exceto no sentido em que o homem depende dela. Um homem comum e sua mulher constituem um negócio de dois sócios. Se um sócio em uma empresa editorial fala com os autores enquanto o outro fala com os editores, pode-se dizer que apenas um deles depende do outro?” G. K. Chesterton, Brave New Family.

Falecida no ano passado, a advogada e ativista conservadora Phyllis Schlafly incomodou muitas feministas ilustres. Sua força opositiva pôde ser medida pelas manifestações raivosas em redes digitais diante da notícia de sua morte. A própria Betty Friedan disse muitas vezes que Schlafly era uma traidora do sexo e que ela mesma gostaria de queimá-la na fogueira. Em meados de 1970, Phyllis Schlafly se constituiu como uma forte crítica do feminismo norte-americano ao convocar mulheres e homens contra a Emenda dos Direitos Iguais de seu país. Mas o que realmente deixava a militância estridente era o fato de Schlafly, gozando de grande audiência, sempre abrir suas comunicações agradecendo ao marido Fred por permitir que ela pudesse fazer o seu trabalho. Ela adorava tal performance, pois entendia o jogo político por trás do movimento e o calcanhar de Aquiles presente na noção de submissão (bu!) da mulher. 

Para além da caricatura, a submissão se tornou bastante desconfortável para as mulheres, sobretudo, para as cristãs. É explícita a insegurança ao tentarem se posicionar acerca do assunto, sugerindo-se, além de haver uma falta por parte das mulheres – que não será tratada aqui, haver também uma falta por parte da própria comunidade cristã. Em alguma medida, as mulheres se encontram órfãs de uma conversa sincera e em correspondência aos conflitos imediatos, porque a verdade é que a maioria das abordagens do assunto tende à superficialidade tanto em sua fundamentação quanto em sua justificação. "É assim, porque Deus fez assim", e dispara-se uma fala paulina na moça, ficando tudo por isso mesmo.

A submissão se institui como exercício a todo e qualquer cristão

No entanto, é bom lembrar que a submissão se institui como exercício a todo e qualquer cristão. Na associação de um ao outro pela voluntária e mútua sujeição (Rm. 12:10; Gl. 5:13; Ef. 5:21; Fp. 2:3; 1 Pe. 5:5) não devendo, portanto, causar tanta estranheza no meio cristão. Por algum motivo, porém, a noção ficou atrelada mais fortemente ao comportamento da mulher em relação ao seu marido, fazendo parecer que a submissão diz respeito única e exclusivamente a ela. É certo que a economia interna da noção diz respeito a cada relação onde ela se apresenta, sim. É o famoso "igual, mas diferente", contudo tal condicionante não deveria alterar o que se constitui como entendimento da submissão em si e ao alcance de todos os cristãos, inclusive naquilo que diz respeito a sua relatividade diante da escolha entre ser submisso a Deus ou a um outro em franca oposição a Ele.

A falta desses marcadores contribui para a fragilidade da justificava do princípio, seja pelo esvaziamento da noção robusta e de seus conteúdos regionais, seja pela abordagem unilateral quando aplicada na relação homem e mulher. No último caso, por exemplo, deformando a compreensão do que é próprio ao casamento, uma vez que a submissão se apresenta no interior de um pacto com clara interdependência e contrapartida entre marido e esposa (Ef. 5:21-33; Cl. 3:19; 1 Pe. 3:7). Mas, de novo, enquanto concernimento prático, a ênfase parece ser posta quase que exclusivamente sobre a mulher, produzindo uma sobrecarga excessiva ao fazer parecer que a saúde de um relacionamento e de seus frutos dependerá quase que exclusivamente dela, tendo a submissão como meio e condição para o seu sucesso. Diz o sábio: “a mulher sábia edifica o seu lar” (Prov. 14.1), e a masculinidade na edificação desse mesmo lar some das exigências e compromissos pactuados (Prov. 2:17; Ml. 2:14-16), perdendo-se nas sutilezas do cotidiano.

Onde estão os encontros para ensinar os “homens virtuosos” a amar e dar a vida pelas esposas?

Então, o que cabe ao homem neste contexto? Diz também o sábio: “amar e dar a vida” (Ef. 5). E quais os conteúdos práticos desse “amar e dar a vida”? Em contrapartida adequada com a mulher submissa, quais exterioridades tornam-se capazes de manifestar aquilo que seja mais identitário do casamento? Na falta da explicitação nascem as interpretações sob quantidade enorme de especulações, omissões e preconceitos, por vezes também embalados por falsas crenças promovidas por aqueles envolvidos na orientação cristã. Cursos e encontros para “mulheres virtuosas” existem aos montes e em sua maioria sob forte apelo moralizante, o que não é um problema em si, mas onde estão os cursos para os “príncipes” e para os “homens virtuosos”? Onde estão os grupos de educação mútua daqueles que também precisam aprender a amar e dar a vida por suas esposas? Não vale dizer que o grupo de futebol “dos irmãos” faz aqui uma correspondência adequada. Não faz. Nós sabemos.

Enfim, caricaturas à parte, é tempo oportuno de se falar mais diretamente aos homens. Onde estão os homens que entenderam o seu chamado à liderança? A liderança como amostra de serviço e entrega, assim como comunicado pelo próprio Cristo (Lc. 22:27)? É tempo da igreja se preocupar menos com as mulheres e mais com os homens. Eles agradecem. As mulheres agradecem. Pois não há dúvida que assim contribuirão enormemente com a mulher tão exigida em nosso tempo, uma vez que a confusão das identidades promovida pela modernidade não alcançou somente uma geração inteira delas, mas também aos homens.

A perda de coragem entre os homens é o principal problema

John Piper esboça um caminho em forma de puxão de orelha: “Se eu fosse apontar um pecado especificamente devastador atualmente, não seria o chamado movimento das mulheres, mas a falta de liderança espiritual dos homens em casa e na igreja. [...] A falta de objetivo espiritual, a fraqueza, a letargia, a perda de coragem entre os homens é o principal problema, e não o aumento do interesse nos ministérios femininos. Orgulho, autopiedade, medo, preguiça e confusão estão seduzindo muitos homens a se protegerem e se exaltarem em casulos de silêncio. [...] Onde estão os homens com visão moral para as suas famílias, um zelo pela casa do Senhor, um compromisso magnífico com o avanço do Reino, um sonho articulado para a missão da Igreja e uma tenacidade tenra para fazê-lo real?". [1]

Quem sabe este caminho, se aceito, não auxilie homens a responderem positivamente à bela convocação da poetisa Elizabeth Barret Browning: “Como te amo? Deixe-me contar os modos”. Acrescentando por iniciativa própria... como dou a vida? Deixe-me também mostrar os modos. A mulher agradece ao amor e à vida deste homem.

Nota:
[1] John Piper em Qual a diferença?

• Isabella Passos é formada em filosofia pela PUC-MG. Mora em Belo Horizonte e é membro da Igreja Esperança.

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Foto: Sweet Ice Cream Photography/Unsplahs.com.

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