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Opinião

C. S. Lewis em tempo eleição: A tentação de dizer “Assim diz o Senhor” quando conversamos sobre política

Por Paulo F. Ribeiro

Muitos cristãos acreditam que o cristianismo e suas preferencias politicas devem estar alinhadas. Esquecem que o cristianismo não se identifica com nenhuma ideologia política partidária.

Em 1951, C.S. Lewis recusou a oferta de Winston Churchill para receber o título de comandante do Império Britânico. Ele rejeitou e disse que não permitiria que visões políticas distorcidas questionassem seu testemunho público de verdadeiramente não ter um partido político.

Quando olhamos para os debates e opções eleitorais do momento no Brasil vemos muitos cristãos politicamente proeminentes (particularmente àqueles que se dizem pastores evangélicos) misturando cristianismo com política partidária.

Lewis via os assuntos públicos e toda a vida, através de uma perspectiva teológica – sua fé cristã teve importantes implicações públicas pois deu insights sobre a condição humana.

Lewis tinha uma visão do papel limitado do governo – era cético em relação à sua capacidade de incutir virtude e preocupado com tendências paternalistas. O dever do governo era restringir as ações erradas. Estava também preocupado com a concentração do poder político.

Lewis era cauteloso com a “legislação moral”. Por exemplo, durante um período em que a criminalização da homossexualidade era considerada por muitos como justificada, Lewis perguntava: “O que o Estado tem a ver com isso? ” Nem ele acreditava que era dever de governo promover o casamento cristão: “Muitas pessoas parecem pensar que, se você é um cristão, deve tentar tornar o divórcio difícil para todos – ficaria muito zangado se os maometanos tentassem me impedir de beber vinho. Minha opinião é que as Igrejas devem reconhecer francamente que a maioria do povo (britânico ou brasileiro) não é cristão e, portanto, não se pode esperar que vivam uma vida cristã”.

Lewis era comprometido com o liberalismo clássico – acreditava na igualdade perante a lei e uma esfera privada robusta. Lewis também lembrou que os cristãos são tentados a abusar do poder político, o que é ruim tanto para o cristianismo quanto para o Estado. E também detestava a ideia de um "partido cristão", pois arriscava a blasfemar o nome de Cristo.

"O perigo de confundir nossos entusiasmos políticos naturais, embora talvez legítimos, por zelo sagrado é sempre grande".

“O demônio inerente a todos os partidos está sempre pronto para se disfarçar como o Espírito Santo”.


Lewis sabia que uma consciência informada pela fé poderia promover a justiça e que o cristianismo desempenhava um papel enorme no estabelecimento do conceito de direitos naturais e da dignidade da pessoa humana. Mas ele também acreditava que a legislação não é uma ciência exata; que um cidadão cristão não tem autoridade para achar que sua posição era uma demanda inquestionável do cristianismo.

Não caiamos na tentação de dizer que nossa escolha política é a cristã: “Sobre aqueles que acrescentam 'Assim disse o Senhor' às suas declarações meramente humanas, desce a sentença de uma consciência que parece mais clara quanto mais é carregada de pecado".

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Doutor em engenharia elétrica pela Universidade de Manchester, na Inglaterra, é pesquisador e professor na Universidade Federal de Itajubá, MG. É originário do Vale do Pajeú e é torcedor do Santa Cruz.
  • Textos publicados: 5 [ver]

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