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Palavra do leitor

Pecar ou não às vezes é só uma questão de caráter

"Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço." (Romanos 7:19)

O capítulo 7 inteiro da epístola de Paulo aos Romanos fala sobre a lei do pecado que opera em nossos corpos a fim de frustrar nossa tentativa de praticar o bem. Certamente que ninguém, por suas próprias forças (ou, como gostam de dizer alguns, usando seu livre-arbítrio), pode simplesmente "decidir" parar de pecar. Entretanto, permitir-se-á fazermos uma grosseira, porém oportuna divisão no que se refere aos tipos de pecados, separando-os entre os que envolvem delitos morais e todos os outros. Pretendo com isso examinar até que ponto um pecado de imoralidade sexual, por exemplo, é uma ação do poder do pecado e até que ponto é um defeito de caráter, sem, todavia, insinuar de modo algum que tenhamos capacidade própria de nos abstermos de todo e qualquer pecado, o que decerto anularia a Graça em nossas vidas.

Se uma pessoa absolutamente inculta e iletrada emitir opiniões abertamente equivocadas sobre um assunto qualquer, por certo se dará a ela o benefício da ignorância, isto é, depositar-se-á na conta de sua falta de conhecimento o seu erro. Entretanto, se esta mesma pessoa receber instrução formal, boa cultura e for ensinado a ela a pensar de maneira lógica e consistente, mas ainda assim ela continuar cometendo erros grotescos de análise, então não se fará mais uma leitura caridosa de suas falas, e sim um julgamento crítico bem mais severo. Ou seja: podemos fazer uma distinção clara entre os erros da ignorância e os erros da leviandade. Os primeiros expressam ausência de elementos capacitantes; os últimos defeitos de caráter.

Assim sendo, uma pessoa pode alegar sua própria "burrice" para se defender de uma censura a uma fala sua totalmente equivocada ou absurda. Contudo, não pode fazer o mesmo após ter recebido o devido treinamento intelectual. De semelhante modo, um marido cristão não pode alegar "fraqueza" ao trair sua esposa. Ele foi devidamente instruído sobre a fidelidade devida a sua companheira e sobre as graves consequências espirituais e familiares do adultério. Portanto, se ainda assim comete tal pecado, isto não se deve à ignorância ou à fraqueza espiritual, mas à falta de firmeza moral do indivíduo. Não fosse assim, cada vez que ele adulterasse poderia alegar que foi uma simples "fraqueza", e não uma escolha consciente dele pelo erro. Seria como relativizar o pecado e manter a parte ofendida perpetuamente escrava do seu ofensor, um verdadeiro jugo desigual.

Observemos o que escreveu o apóstolo Tiago: "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1:13-15). Sendo assim, o pecado não tem poder algum, a menos que a pessoa forneça os meios de ele "nascer". Por certo nenhum homem cristão acorda pela manhã dizendo: "vou trair minha mulher", e então sai de casa e vai consumar o ato, mas o adultério é o resultado final de pensamentos maliciosos, intimidades excessivas com pessoas inadequadas, consumo de pornografia e assim por diante. É o que Tiago quer dizer com "atraído e engodado por sua própria concupiscência". Brecar o processo de atração e engodo é uma decisão humana que pouco ou nada depende de Deus.

Considero muito importante que ressaltemos a responsabilidade do indivíduo na ação dos pecados de caráter sexual. Notemos que uma traição jamais ocorre "sem querer", tal como uma palavra ofensiva que falemos a alguém no calor de uma circunstância ou um ato de ingratidão a Deus que cometamos devido à profunda tristeza num momento sombrio da vida. Não há como negar a ação humana direta, ativa, num adultério.

Sabemos que pecados não são somente adultério e prostituição: peca-se ao falar, ao pensar, ao agir mal e ao suprimir uma boa ação possível, por exemplo. Conforme escreveu João, "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1 João 1:8). Reconhecermo-nos pecadores significa confessarmos que não habita em nós a perfeição, atributo exclusivo de Deus. Todavia, como disse um pouco antes o mesmo João, "Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade" (1 João 1:6). Ou seja, nossa imperfeição também não pode servir como pretexto para pecarmos deliberadamente. E, como podemos concluir de tudo que foi dito até aqui, determinados pecados nunca nos atropelam na caminhada da vida, a não ser que decidamos atravessar a rua por nossa própria conta e risco. Pecar ou não nem sempre é algo espiritual: às vezes é só uma questão de caráter.

Isaías Medeiros
Florianópolis - SC
Textos publicados: 32 [ver]
Site: http://www.facebook.com/blogdoisaias

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