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Palavra do leitor

É possível relações entre ciência e religião?

É pertinente esta reflexão entre as possíveis relações entre ciência e religião, saber como se dá esta relação nos dias de hoje. Escolhi o tema de independência, não porque ignoro a possibilidade de considerar outros, mas porque considero uma visão importante.

Independente do que presenciamos no que tange às descobertas da ciência, quem foi criado “dentro” da igreja mantém o entendimento de que é importante para o homem as descobertas da ciência, contudo, a “posição” de Deus nisto tudo está bem definida: Ele é o criador e soberano. A ciência só avança à medida que Deus permite que as coisas aconteçam ou sejam descobertas.

Consideremos a questão da fé. A fé religiosa depende inteiramente da iniciativa divina, e não de uma descoberta humana, do tipo científica. A bíblia diz em Hebreus 11:1 “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. Quando estamos na fé, por algo, por um novo desafio, um projeto, um milagre, vemos o resultado pela fé, não estamos no estágio de vê-lo cientificamente provado. É quando o resultado por exemplo, de um exame deveria ser ruim, quando a ciência disse que aconteceria desta forma e ele dá outro (bom). A fé também é uma dádiva divina, e por ser uma dádiva divina, Mateus 16:17 afirma “ ...porque isso não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus”. Então não é nas relações materiais, carnais que nos é revelado, descoberto nada. Tudo é obra das mãos de Deus. A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Quando me declaro materialista e não leio a Palavra de Deus, me distancio mais ainda de aceitá-la.

A ciência baseia-se na observação e razão humanas, enquanto a teologia baseia-se na revelação divina. Devemos estar atentos às razões humanas e comportamentos humanos, mas, é uma condição primordial nós estarmos atentos à voz de Deus. Jeremias 23:37 temos um exemplo desta consulta: “... Que te respondeu o Senhor, Que falou o Senhor?”.

Religião e ciência cumprem papéis diferentes e nenhuma deve ser julgada pelos padrões da outra. A Bíblia nos aponta nossa solução espiritual. É uma área em que a ciência busca respostas, mas não é pela metodologia científica que poderá obtê-las. A Bíblia nos aponta caminhos além dos espirituais, como o de relacionamento e comportamento. Hoje temos estudos científicos que provam, por exemplo, o mal que o sedentarismo, o álcool, drogas, podem causar ao nosso corpo, ou a devastação à natureza, de onde tiramos o nosso sustento, e a bíblia já nos orientava a viver de uma forma justa, correta. Por exemplo, em provérbios 12:10 “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel”.

A religião e a ciência podem co-existir, desde que mantenham uma distância segura uma da outra. A separação evita o conflito, mas impede a interação construtiva. De fato, muitas respostas poderiam se chegar a um denominador comum, se houvesse uma predisposição maior ao diálogo, o que não acontece nesta visão de independência. Separadas, buscam caminhos diferentes, que as vezes até se cruzam, mas evitando a discussão aprofundada, porque o resultando final seria conflitante. Por exemplo, seria importante haver uma renovação no conceito bíblico de mordomia, que deve ser viso como uma saída para os dilemas presentes em questões preocupantes que vão desde a poluição da biosfera até um possível holocausto nuclear, resultado de tecnologia disponibilizada pela ciência.

Metodologicamente a ciência é ateísta. Aqui se define muito bem estes papéis. A ciência precisa provar os fatos cientificamente, através de análises e laudos comportamentais padronizados, e através de pesquisas. Então, diga-se, ela precisa acreditar em algo palpável, mensurável, medido. Como dar estas mesmas práticas à fé? Como determinar de que forma Deus nos irá tratar na nossa individualidade? Como medir o tamanho da fé de alguém?

A lógica não resolve tudo. Somos como uma bola que precisa ser esvaziada, para não acharmos que estamos acima dos outros. Cada dia é um aprendizado, uma nova experiência. A ciência procurando encontrar soluções para dar uma melhor condição de vida para a humanidade aqui na terra, e a fé, aquilo que nós acreditamos além do que podemos enxergar, nos trazendo a esperança de algo melhor.

Concluindo, este modelo de interação zero, é irreconciliável com a evidência histórica, que aponta para uma série contínua de interação de religião e ciência por muitos séculos. Sabemos que muitas descobertas científicas confirmaram relatos bíblicos. As narrativas bíblica e científica dos fenômenos naturais, por exemplo, tem propósitos complementares, e não contraditórios, sendo as preocupações da Bíblia não materiais, mas espirituais e eternas. Essa perspectiva continua vigente ainda hoje, podendo ser proveitosamente aplicada a problemas diversos nessa área, a começar pelo debate a respeito da criação do universo.

Que Deus nos abençoe.
Glaicon Luppi
Homens.mais.amigos@gmail.com;
Vila Velha - ES
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